É fácil dizer que o PSDB teve a pior votação de sua história na capital paulista. O PSDB de hoje é apenas um fragmento do que já foi o PSDB de Montoro e Covas. Ele está muito menor e foi se fragilizando nos últimos anos. Ou o PSDB se recria, ou a social democracia brasileira, que aos poucos foi se convergindo para a direita, será apenas um partido nanico, quase sem representatividade.
Também é fácil dizer que a diferença entre Boulos e Marçal foi muito pequena. Mas os comentaristas políticos também se esquecem de dizer que a diferença entre Nunes e Marçal e entre Nunes e Boulos também o foram. Os três primeiros colocados estavam muito próximos um do outro, com cerca de 30% cada.
Isso não quer dizer que a esquerda está diminuta e que a direita engrandeceu-se em São Paulo. Quer dizer, de forma límpida, que os políticos profissionais estão sendo ameaçados pelos profissionais da internet, muitos deles youtubers, e isso em todas as capitais, e não só na paulista.
O mundo político brasileiro anda muito confuso, sem projetos e sem planos para o Brasil. Isso é péssimo para o emprego das novas gerações, para o nosso parque industrial e para o necessário planejamento estratégico das nossas Forças Armadas. Falta, nos novos políticos, a necessária e esperada brasilidade.
O Brasil não terá um futuro muito próspero se continuar com esses quadros políticos. O Brasil precisa se planejar para combater a seca, aumentar a produtividade do campo utilizando menos água de nossos rios terrestres e subterrâneos, fomentar a reindustrialização e o desenvolvimento de novas tecnologias. O Brasil precisa ser competitivo em alto grau e não apenas exportando commodities. No mundo multipolar que toma forma, o Brasil precisa estar bem posicionado, sem tomar partido de A ou B, mas visando aos seus próprios interesses e aqueles de seu povo.