Muitos dizem que o Irã é de esquerda, mas não é bem assim. É um país conservador, que adota uma religião como oficial, no caso o islamismo xiita, não podendo ser caracterizado com sendo de esquerda, tendo características mais próximas da direita, muito embora seja anti-imperialista, ao lado da Coreia do Norte (de esquerda), da Rússia (de direita), da China (de esquerda), de Cuba (de esquerda) e do Vietnã (também de esquerda).
Ao contrário do que a mídia diz, o Irã não é uma ditadura, mas uma democracia, onde o povo elege o presidente e deputados. O problema do Irã é econômico, sofrendo sanções desde 1979, quando adveio a revolução islâmica que derrubou a ditadura monárquica então existente.
O Irã tem mais mulheres que homens nas universidades e é um dos países que mais forma engenheiros em todo o planeta, o que justifica a sua capacidade de produzir tecnologia mesmo em meio às severas sanções estadunidenses. O Irã tem indústria automotiva nacional, produz satélites e os lança ao espaço, tem mísseis poderosíssimos e drones moderníssimos.
O maior setor da economia é o de serviços (51% do PIB), com destaque aos setores imobiliários e serviços especializados. O petróleo é responsável por 23% de sua riqueza, o setor mineral por 13% e a agricultura por 10%.
O Brasil vendeu 2,9 bilhões de dólares para o Irã em 2025, sendo o 31º maior importador de produtos brasileiros, estando à frente da Rússia e da África do Sul como comprador de nossos produtos. O Brasil vende muito milho, soja e açúcar para o país persa e importou apenas 84 milhões de dólares em nozes, pistache e fertilizantes.
O Irã é capaz de resistir a ataques militares diretos de Israel e Estados Unidos e resiste bravamente a ações de inteligência da Grã Bretanha, Israel e Estados Unidos e a ações pró-ocidentais dos Emirados Árabes Unidos e Azerbaijão.
Este canal foi o primeiro em língua portuguesa a colocar o Irã como um dos pilares estratégicos da China e explicou o motivo (pela sua posição estratégica, pelas suas ações anti-imperialistas e pelos recursos naturais imprescindíveis à China). Este mesmo canal também foi o único a sustentar que o Brasil é o quarto pilar estratégico da China, seja pela posição estratégica nas Américas, por estar voltado para o Atlântico Sul, e se situar próximo à África e ser o principal fornecedor de minérios e alimentos.
A China jamais assumirá publicamente qualquer ajuda ao Irã, mas o auxilia em ações de inteligência, de comunicação e em alta tecnologia.
Embora a Rússia seja grande aliada, ela se opõe fervorosamente a que o Irã possa se tornar potência nuclear e possui laços econômicos e políticos muito fortes com Israel, o arqui-inimigo do Irã.
O que está havendo hoje é uma forte ação externa para o que se denomina de tentativa de revolução colorida. Os serviços de inteligência dos Estados Unidos e Israel estão claramente envolvidos na articulação e facilitação de infiltração dos movimentos que, segundo a mídia ocidental, seriam populares. De populares têm pouco. Obviamente há manifestantes civis, mas há muitos agentes externos infiltrados, como curdos e azeris, armados e foi isso o que chamou a atenção dos serviços de inteligência omanita, turco e paquistanês que repassaram informações importantes para a inteligência iraniana. A repressão, portanto, não é contra civis, mas contra pessoas que portam armas de fogo em manifestações e que já incendiaram dezenas de prédios públicos, viaturas policiais e dos bombeiros e Mesquitas. As ações desses grupos não é em prol de mudanças políticas pacíficas, mas de derrubada do governo e de regime por meio de armas, buscando uma guerra civil.
O governo iraniano, como qualquer outro, tem seus defeitos. É acusado de ser contra as mulheres, mas possui muito mais deputadas mulheres que o Brasil, possui mais mulheres universitárias que homens universitários, permite o aborto até o 3º mês de gravidez e aceita o transexualismo e a mudança de sexo. É teocrático, mas em muitos aspectos é menos teocrático que o Brasil. Acusado de ser uma tirania, as eleições são democráticas e livres, podendo homens e mulheres eleger deputados e até o presidente da República Islâmica.
Há, sim, uma grande campanha de mídia, inclusive de esquerda, contra o Irã, divulgando fatos inverídicos e que servem unicamente aos interesses do império e do sionismo. Essa campanha ocorre há mais de 40 anos. Por isso deve-se ler com cuidado qualquer informação ocidental ou pró ocidental sobre o Irã. Prefira mídias alternativas e, mesmo assim, filtre a informação repassada. O Irã já está em guerra, de inteligência. As manifestações não são todas pacíficas, muito pelo contrário.
As guerras contra o Irã não cessam e ocorrem desde a sua revolução islâmica. O Iraque de Saddam Husseim foi uma marionete estadunidense na guerra contra o Irã. Israel e Estados Unidos atacaram diversas vezes. Mas a guerra de inteligência não teve pausa e, com ela, as tentativas de revolução colorida já duram quase meio século.
E volto a dizer, não entre o falso modismo de opinar sobre o Irã sem conhecer o mínimo de sua história e de sua realidade social e política. O Irã é um dos poucos países abertamente anti-imperialistas. Mudar o regime iranianos é numa obsessão israelense e estadunidense, e até europeia, há décadas.
As sanções aplicadas desde 1979 permitiram que a indústria iraniana crescesse e o país investisse pesadamente em educação e tecnologia. É um dos fabricantes dos mísseis e drones mais avançados de todo o globo e produz quase a totalidade de seus equipamentos militares, incluindo aí satélites de vigilância, espuinagem e de comunicação.

