À época bíblica, os amigos dos humanos eram os Anjos. À época dos gregos, os melhores amigos dos homens eram os semideuses. Hoje, os animais domésticos, como cães e gatos, se tornaram os melhores amigos da humanidade.
O recente caso de maus tratos e extermínio do cãozinho Orelha, em Santa Catarina, comoveu o Brasil inteiro.
Abandonado e adotado pela comunidade, Orelha era um cãozinho dócil e extremamente carinhoso. Morreu torturado, com pauladas e pregos na cabeça e com pedaço de pau enfiado em sua garganta. Foi uma morte cruel, praticada por doentes e psicopatas.
A morte como ocorreu enfureceu a sociedade e a fez revelar, ainda, o seu lado humano. Quem diria que um cãozinho resgataria a humanidade perdida entre os homens?
Muitos passaram a questionar a adoção por comunidades, já que não propicia segurança aos bichos, expostos ao contato com pessoas amorosas e psicopatas.
Outros externaram a preocupação com a idade penal, propondo a redução da maioridade para fins de aplicação da lei penal.
Como sempre, a preocupação humana se externou através da compaixão e da sede de vingança. Mas quem, ainda que saiba que esse não é de longe o melhor caminho, não sentiu vontade de vingar a morte do cãozinho?
Um cãozinho muito melhor que grande parte dos humanos uniu boa parte da sociedade brasileira, até então doente e dividida entre times cariocas e paulistas e bolsonaristas e lulistas.
Humanidade não tem cor, não tem cheiro nem forma. Humanidade é muito mais que a raça humana, é buscar viver com amor, compaixão e retidão, como fez um "simples" animalzinho abandonado pelos homens e é incapaz de fazê-lo a maior parte dos homens.