Não sei você, mas ando muito assustado com o rumo da humanidade! E nem me refiro a uma terceira guerra ou a ataques com armas nucleares.
Inteligência artificial que visa substituir o humano, controlar conhecimento e, como diz indiretamente o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, fragilizar nossos raciocínio e memória, como se reprogramasse o nosso cérebro.
Neoliberalismo, o ápice do capitalismo excludente, onde os financeiramente poderosos, indo do crime organizado, banqueiros e industriais aos sócios e donos de big Techs, usam o Estado em prol de seus interesses, pondo fim ao Estado-Nação como conhecíamos. As demais pessoas viram objeto de uso e manipulação, sem direitos básicos, sem direitos trabalhistas, sem previdência, sem saúde pública.
O faminto receber um prato de comida torna-se uma aberração, um incentivo à miséria. Ao faminto, o destino desprovido de solidariedade, assim como a todo carente em algum sentido.
Uma massa não é mais manipulada por histórias floreadas e pequenas mentiras, mas por ataque direto a seus interesses e, absurdamente, concorda com isso e vibra por um sistema que está sufocando o que ainda resta de humano em nós.
A empatia já não é regra em grande parte dos relacionamentos humanos. Atendimentos robotizados e dependência de tecnologia, onde todos os dados são expostos e controlados, e tudo passa a ser pago, virou a regra, como nas histórias surreais e assustadoras de Kafka.
Criatividade diminuindo. Criticidade em baixa. Percepção do outro e do mundo quase inexistente.
O que permitia conceber-nos como humanidade está desaparecendo. Estamos nos tornando frios, cruéis, limitados espiritual e mentalmente. Estamos nos tornando grotescos e desumanos ou, numa linguagem bíblica, anticrísticos.
E com tudo isso acontecendo ao mesmo tempo, a grande maioria de nós é incapaz de perceber a realidade e o caos.
Somos donos do nosso destino e fizemos uma opção. E isso nos revela. Os anticristos não são os outros. Somos nós.