A China pode ser gigante demais para o Brasil em todos os aspectos, a começar pelo comercial, mas o Brasil, embora seja grande, não é tão enorme para o dragão chinês.
Embora não seja gigante, o Brasil é estratégico. Somos estratégicos pelo mercado consumidor em potencial, 220 milhões de pessoas. Somos estratégicos pelo nosso tamanho e localização. Somos o maior país da América Latina e do hemisfério sul, estamos localizados na América do Sul diante da África e com uma enorme costa para o Atlântico. Mas não é só isso. Somos a oitava economia do globo e, sem dúvida, a maior democracia do mundo, depois da Índia.
Precisamos de tecnologia, produtos militares e temos uma população extremamente consumista que gosta de novidades tecnológicas.
Mas também não é só isso. Somos o maior fornecedor de soja, milho, minério de ferro e muitos outros minerais. Somos um importante exportador de petróleo.
Mas também não é só isso.
Exportamos carne de frango e de boi, além de café, aos montes para a China.
Mas a nossa importância não para aí.
Temos uma enorme reserva de água doce, a maior do mundo; detemos a segunda maior reserva de terras raras; possivelmente sejamos um dos maiores detentores de reservas de petróleo, considerando-se as regiões não exploradas e a proximidade com os países vizinhos (Guiana e Venezuela). Mas não é só isso.
A nossa importância vai além.
Temos semelhanças com a China, que também foi colonizada e explorada. A mesma China que, assim como o Brasil, ama o comércio como forma de crescimento e de integração. Cresce pelo comércio e não por guerras.
Não há no ocidente um pais tão parecido com a China como o Brasil. O Brasil, embora tenha raízes ocidentais e se situe na chamada região ocidental, tem muito da sede de comércio e de respeito por outros povos que os chineses exemplificam tão bem.
Por tudo isso a China valoriza o Brasil e pode ser considerado como um dos pilares estratégicos do dragão chinês, ao lado da Rússia, Irã e Paquistão.
O Brasil poderia aproveitar o interesse chinês para crescer muito e rápido, mas o discurso anti-China da extrema direita atrapalha o nosso crescimento e os negócios lucrativos de inúmeros setores produtivos, incluindo não só indústria alimentícia e o agronegócio, mas nossa indústria cultural e de turismo.
Com mais tecnologia nacionalizada poderíamos nos tornar auto suficientes na área militar e também em pesquisa espacial, satélites...
Olhar para a frente significa, hoje, olhar para o longínquo e, ao mesmo tempo, próximo leste asiático.
Brasil e China podem formar uma parceria imprescindível para o crescimento do país, com igualdade de tratamento e sem nos submetermos aos mandos de mais um império.
Cabe às cabeças pensantes do país alertar os políticos, a mídia e os militares sobre esse possível e fantástico destino.