domingo, 15 de setembro de 2019

MÊS DA INDEPENDÊNCIA. O QUE TEMOS A COMEMORAR?

Em setembro comemoramos o nosso dia da independência, marcado pelo grito do Ipiranga lançado no dia 7, há exatos 197 anos.

Passado tanto tempo, o que temos a comemorar?

Nos tornamos independentes de Portugal ao grito de independência lançado por um português, D. Pedro I, filho do rei de Portugal, Dom João VI. E assim começa a nossa longa história de hipocrisia, e não de independência, com a manipulação da população pouco estudada e pouco culta.

Devido às suas dimensões territoriais e o grande poderio bélico naval na segunda metade do Século XIX, os Estados Unidos viam o Brasil como uma ameaça às suas pretensões expansionistas.

Enquanto os Estados Unidos compravam o Alasca da Rússia e iniciavam a guerra contra a Espanha, ganhando territórios por todos os continentes (fins do século XIX), tomando da Inglaterra o papel de destaque no imperialismo mundial, o Brasil iniciava o fim da escravatura e passava, através de um golpe militar, a adotar uma nova forma de governo: republicana.

Toda a pompa existente no Império ruiu com o advento da República. A legalista marinha perdia força e esplendor e o sentimento de Pátria, representado por Dom Pedro II, tentava ser absorvido pelo disforme (sem um padrão e sem, sequer, um só uniforme para toda a Força) "Exército" da República.

E a partir da República o Exército brasileiro assume um papel de protagonismo, seja com a própria declaração unilateral de que o Brasil seria uma República, em 1889, seja com o golpe em 1930, que conduziu Getúlio Vargas, com o apoio dos tenentistas, ao poder, seja com a chamada "redemocratização" de 1945 e a posse do general Dutra, sejam com o golpe de 1964 ou, ainda, com a eleição do capitão Bolsonaro em 2018.

Se em 1930 os tenentistas se caracterizavam como revolucionários, hoje o Exército brasileiro se caracteriza como conservador. Alguns ousam dizer que o Exército assume um papel repressor e nada nacionalista, contrapondo-se à ideia do que normalmente se tem de Forças Armadas.

O que se percebe pelas ações dos militares e do governo Bolsonaro, é que a preocupação é voltada à defesa do território, apenas, sem uma visão nacionalista de projeção do país no plano internacional. E isso se dá, também, e de forma ainda mais clara, pela desvalorização do investimento em tecnologia, ciência, inovação e educação.

Segundo os que dominam o cenário político atual, o Brasil deve ser apenas um território "independente". Pouco lhes importa a submissão aos interesses estrangeiros, como ocorre de forma tão nítida com os Estados Unidos. Para esse grupo que domina o cenário político atual, enquanto o território estiver integralmente sob o domínio brasileiro, pouco importando a subserviência econômica e política, a missão do Exército terá sido cumprida. 

Mas será que essa é a missão do Brasil?

Na verdade o medo dos militares conservadores que dominam o cenário político é de que a participação do Brasil em um cenário de protagonismo possa promover não só sentimentos anti imperialistas, mas propulsor da esquerda nacional e um atrelamento a países como Rússia, China, Índia e outros.

Assim, mais do que valoração da independência do Brasil e do anti imperialismo, a fim de que possamos alcançar um espaço de soberania e de independência efetivas, capazes de promover o bem de todos os nacionais, os militares que dominam o cenário político atual buscam assegurar um posicionamento claramente conservador.

Há de se destacar que o tom do discurso nacionalista do governo Bolsonaro não coincide com as suas sucessivas ações entreguistas (seja de visto de entrada de estadunidenses, seja de parcerias na Amazônia, seja da entrega do pré-sal, seja da venda da Embraer, seja do acordo com o EUA sobre a Base de Alcântara). 

O Brasil que sonhava ser independente e regionalmente hegemônico desde 1822, hoje torna-se pouco representativo no plano internacional, enquanto a economia brasileira atrela-se cada vez mais aos interesses dos Estados Unidos, e aí está o maior perigo em todos os aspectos de relevância para os brasileiros.

Enquanto a economia estadunidense cede espaço a duas potências emergentes: China e Índia, parceiros do Brasil nos BRICSs, o Brasil vende empresas de tecnologia, desindustrializa-se, não prioriza investimentos em educação, ciência e cultura e se perde em discursos radicais que visam dividir a própria sociedade brasileira.

E uma sociedade dividida, dificilmente promoverá um desenvolvimento econômico robusto e satisfatório, tornando qualquer questão nacional objeto apenas de retórica. E o sentimento de Nação, ao invés de se tornar mais forte, se enfraquece.

O Brasil dá passos atrás e dificilmente recuperará esse ano tão caracterizado pelo entreguismo subserviente aos interesses dos Estados Unidos.

Aqueles que deveriam assegurar a independência do Brasil nos aprisionam em um território dominado pelos interesses dos Estados Unidos.

Mas é óbvio que nem todos os militares das três forças pensam como o Executivo Federal.

Prestar continência à bandeira estrangeira, como fez Bolsonaro, e chamar Trump de "nosso presidente", como fez o vice Mourão, apenas representam a traição dos líderes à pátria brasileira. A tragédia desse símbolo de entreguismo e das ações efetivas de entrega, como já mencionado de forma sucinta acima, é caso notório de impeachment, como prevê o artigo 5º, VI e XI, da Lei 1.079 de 1950.|

Nesse contexto, não temos o que comemorar, pois muito nos falta para sermos livres e independentes com esse governo de submissão aos interesses estrangeiros, em especial dos Estados Unidos.

Para refletir:

Para viver, sinta, sonhe e ame.
Não deseje apenas coisas materiais.
Deseje o bem e multiplique as boas ações.
Sorria, sim. Mas ame mais.

Ame a si, aos outros, a quem está próximo e distante.
Ame quem errou e quem acertou.
Não diferencie.

O amor não julga. O amor não pune. O amor aceita.
Pense nisso e aceite a vida.

Vamos brincar com as palavras?



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