quarta-feira, 25 de maio de 2016

10 ANOS DE VIDA REPLETA DE INTENSIDADE NO YOUTUBE

No próximo dia 27 de maio completarei 10 longos anos de vida no youtube, repletos de vídeos. Ao todo são cerca de 100 vídeos disponibilizados. Alguns com um número de acessos surpreendente, mas nem todos com tanta qualidade, já que a alma humana do seu produtor nem sempre está tão inspirada quanto deveria. Vá e confira: www.youtube.com/cyrodesa

quarta-feira, 18 de maio de 2016

OLHAR HUMANO

desenho: internet


Em pleno século XXI, após duas horríveis guerras mundiais, genocídios, escravidão e tantas outras barbáries, o ser humano continua a sofrer não apenas por causas naturais, como seca e outras catástrofes eventuais, mas pela ação contínua e destruidora do próprio homem.

O ser humano tem se preocupado em acumular riquezas de forma infinita, em sugar de forma avassaladora tudo o que a terra proporciona e em utilizar coisas e o próprio humano como meros objetos para uma pretensa felicidade, nessa era do ter, e não pensa nos meios para alcançá-la.

O materialismo, seja ele de qual ordem for, não permite a vivência plena e digna do ser humano.

A felicidade não se alcança com o materialismo, o estar rodeado de coisas, mas internamente, pelo estado de espírito e pelo fortalecimento da inteligência, ou seja, depende de fortalecimento do seu próprio eu, como aludem de certa forma Frei Betto, Leonardo Boff e Mário Sérgio Cortella no livro “Felicidade foi-se embora?”.

É possível sermos felizes! Mas para isso, temos que, primeiramente, olhar para o ser humano ao lado, nosso reflexo de humanidade. Se o vizinho estiver sendo respeitado e vivendo com dignidade, haverá motivos para estarmos felizes! Se contribuirmos para isso, também!

Mas se nos encastelarmos em um mundo onde a aparência, o consumir e o usar sejam prioridades, a felicidade certamente cederá espaço a uma alegria egoística temporária e superficial, que é um dos sentidos do próprio poder.

Não aplaudo violações a direitos humanos, sejam elas quais forem. Elas podem ocorrer tanto em prejuízo das maiorias, como mulheres e negros, como das minorias, sejam indígenas, portadores de deficiência, não heterossexuais ou integrantes de determinada etnia ou religião, dentre outros. E elas ocorrem em todos os graus, dos mais sutis aos mais perceptíveis.

Um mundo que preze pelo ser humano feliz, certamente estará mais próximo dos direitos humanos. Um mundo sem opressão, sem atrocidades, sem injustiças, sem dores e com muito amor, certamente proporcionará felicidade, e a todos, sejam os que já foram oprimidos, sejam os que ajudaram a romper esse círculo vicioso de desumanidade que nos acompanha desde os primórdios.

Não é fácil ser forte o suficiente para abstrair os prazeres do egoísmo. Essa falta de limite e de preocupação com o outro, representada muitas vezes pela conjugação dos verbos ter, acumular, e usar, conjugados na primeira pessoa, e de forma desenfreada, tem levado a humanidade a vivenciar de forma muito intensa a constante proximidade de seu fim.

Respeitar o ser humano, seja um parente, alguém que está ao nosso lado ou mesmo distante, é uma forma de ter um olhar humano. Ter um olhar humano é limitar suas ambições desproporcionais para permitir a que o outro seja feliz. Ter um olhar humano é se preocupar com o outro, seja conhecido ou não. Ter um olhar humano é cuidar. Ter um olhar humano é ser solidário. Ter um olhar humano, como se verifica, exige antes de tudo um amor próprio e verdadeiro pela nossa humanidade.

E é óbvio que tudo isso passa pelo crivo da inteligência e da capacidade de compreensão do significado das coisas e dos seres, inclusive humanos. Para muitos isso é quase intuitivo e natural. Para outros é uma conquista decorrente do conhecimento.

Havendo a conjugação da busca pelo amor e pela felicidade, necessariamente teremos um olhar humano.

E, segundo algumas religiões do Oriente Médio e da Ásia, somente conjugando e ampliando sentimentos de amor e felicidade alcançaremos o próprio sentido do divino.

Seja pela razão ou pela espiritualidade, não há como fugir da busca individual e coletiva pelo amor e pela felicidade! São a nossa essência, o que nos dá sentido!

E é por isso que me antagonizo com os egoístas, os que ambicionam o poder desenfreado, os que pensam serem superiores e os que defendem o uso da força, sob qualquer pretexto.

Pode ser chique para alguns ou estar na moda destilar ódios, ser arrogante e ter vaidade sem limites, mas certamente não é reflexo de inteligência, e sim de uma atitude mesquinha e tacanha que atenta contra a razão e também contra o cerne defendido pelas religiões, sejam elas quais forem.

Ter um olhar humano é desbravador, desafiador e necessário! Ousemos buscá-lo e aprimorá-lo, pois é sempre possível enxergarmos mais longe os erros próprios e também os da humanidade!

quarta-feira, 11 de maio de 2016

IDIOTAS E SOCIOPATAS TECNOLÓGICOS. É DE DAR MEDO

A internet anda proliferando coisas boas no mundo virtual. Disso ninguém duvida. Há muitos filmes, música e arte de qualidade, além de informação de fontes diversificadas, o que amplia o nosso horizonte cultural e a possibilidade de apreciar outras versões da noticia que recebemos na comodidade de nosso lar ou no celular.
Mas nem tudo é motivo de comemoração. Há muita perversidade também!
Dentre as coisas ruins, destaco as agressões gratuitas na internet e a criação de grupos com perfis neonazistas no Brasil, com um discurso de ódio preocupante.
São organizações que se formam livremente, como se fossem grupos normais. Muitas pessoas “normais”, não radicais, vão aderindo, e o discurso inflamado contagia a todos, ou a quase todos os seguidores.
Esse é um dos motivos de uma impresionante avalanche reacionária no Brasil, com destaque à extrema direita que saiu inflada do silencioso armario em que se escondia.
Já ouvi de um ex líder estudantil em Montevideo que o Brasil sempre teve um perfil fascista. E é mesmo! Somos conservadores, preconceituosos, arrogantes e pouco solidários. Vamos notando isso no comportamento cada vez mais sincero nas ruas. Nas agressões gratuitas em restaurantes. Na violencia contra ciclistas. No incentivo à violencia policial por alguns programas de televisão e boa parte da população. No discurso de ódio.  
Há um discurso contra o migrante (nacional), o imigrante (estrangeiro), o negro, a mulher, o homossexual e outras minorías ou até maiorias. Sim, mulheres e negros são maioria no nosso País, quer você queira aceitar ou não.
Tenho amigos que eram direitistas, mas que agora, talvez sem se darem conta, se revelaram de extrema direita. E são de todas as classes sociais. Todas. É óbvio que a classe média tem uma tendência mais conservadora, mas o radicalismo de direita atinge a todos. Quantas vezes, no metrô, não ouvi xingamentos à esquerda por pessoas mal vestidas?
Esse sentimento de ódio faz parte de uma histeria coletiva que tomou conta de grande parte dos brasileiros, muitos dos quais jamais se imaginaram preconceituosos ou cruéis em relação a outro ser humano.
Essa histeria parte do discurso fácil proporcionado pela internet, onde qualquer um se acha politizado, escritor, comentarista, jornalista ou articulista.
A primavera árabe começou com discussões iniciadas na internet e encontros marcados pelo Facebook. E olha no que deu! Grupos radicais esparramando ódio e sangue pelo Iraque, Síria e Líbia.
O diretor da Agência de Investigações Judiciais do Marrocos, Abdelhak el Kayam, disse, numa entrevista ao jornal El Pais em edição espanhola, que “a radicalização tem crescido de um modo catastrófico na internet, já que não é mais necessário participar de reuniões para radicalizar-se, bastando conectar-se à internet”.
Obviamente ele estava se referindo aos radicais do Estado Islâmico, conhecidos como Daesh no mundo árabe, mas o que acontece lá também tem acontecido de forma um pouco menos violenta por aquí.
Basta um sentimento inicial de inconformismo ou de descontentamento para levar a uma cólera histérica coletiva assustadora. É o que tem acontecido no mundo.
Por isso a Polícia Federal e a própria agência de inteligência brasileira (ABIN) devem ficar alertas. Pode haver ações radicais no Brasil, sim! E não necessariamente praticado por um estrangeiro salafista, neonazista ou outra coisa esquisita. O radicalismo vem crescendo vertiginosamente e junto com ele as ações cada vez mais intensas de agressão aos que são considerados diferentes por vestirem uma camiseta de determinada cor, por andarem de bicicletas, por participarem de movimentos sociais, por terem determinado comportamento ou seja lá o que for que não agrade ao radical sociopata.
Nada contra a tecnología, que está aí para nos ajudar, mas muita coisa contra a facilidade que os imbecis e os sociopatas encontram para exarar todo o ódio conservado em puro enxofre nas ondas virtuais. Falta de educação e de conhecimento histórico e sociológico dá nisso. Não basta ter dinheiro. Há que se ter educação e cultura para que possamos usufruir a tecnología da melhor forma. É de dar medo!

quarta-feira, 4 de maio de 2016

ERA DAS DEFINIÇÕES E DAS INCERTEZAS


Vivemos na era das definições e também, por que não dizer, das indefinições ou incertezas.

Se tenho feições do Oriente Médio, sou chamado de terrorista. Se sou loiro e ando de cabelo raspado e roupas justas, sou chamado de skinhead. Se sou negro, sou chamado de sexualmente dotado. Se tenho ascendência japonesa, sou chamado de certinho. E isso sem ver a essência, a individualidade de cada um. É... são tantas as definições. E elas não param por aí.

Se um homem se sente atraído apenas por mulheres, é heterossexual. Se se sente atraído por homens e mulheres, é bissexual. Se se sente atraído apenas por homens, é homossexual. Se se sente atraído por homens, mulheres e o que aparecer, é pansexual. Se um homem se veste de mulher apenas por prazer, é crossdresser. Se um homem se traveste de mulher e tem desejos por homem e faz uso da sua genitália, é chamado de travesti. E o homem que se traveste de mulher e que tem desejos por pessoas do mesmo sexo, mas não faz uso da genitália, é chamado de transexual. E as definições sexuais não param por aí.

  São tantas as definições. E o homem continua sendo simplesmente uma pessoa. O que muda com as definições? A compreensão das pessoas sobre aspectos particulares de outro ser humano. Isso, por um lado, aproxima. Mas, por outro, repele, difere. Serve para aproximar num mundo que já enfrentou e enfrenta a cada dia novos holocaustos, racismos e preconceitos.

Radicais religiosos pregam com cada vez mais ressonância que Deus não admite isso e aquilo. Será que Ele não admite? Quem fala isso por Ele? Será que Ele não admite, na verdade, que um sem noção diga o que Ele deixa fazer e o que não deixa? Afinal, ao homem quase tudo é possível justamente porque Deus permitiu, possibilitou. As escolhas são variadas e nisso reside o nosso livre arbítrio e as nossas descobertas individuais. Há até a possibilidade da prática de crimes, atos que afrontam a liberdade, vida ou propriedade de outrem. Ora, se pode praticar o mais, aquilo que é verdadeiramente afrontoso e viola regras que nos foram apresentadas como sendo de Deus nos Dez Mandamentos, porque o ser humano não pode decidir a respeito dos próprios passos da sua existência, que é a forma de se conduzir?

A divisão por línguas, por países e por etnias, além de religiões, por um lado serve para o ser humano se situar, ainda mais em um mundo homogêneo e pasteurizado, cada vez mais sem graça. Mas, por outro, serve para evidenciar e possibilitar definições e, com isso, propiciar atos de racismo e até terrorismo por grupos de radicais contrários à diversidade.

Quando um Europeu resolver abrir um comércio em um outro país, é bem recebido, mas quando um estrangeiro, por absoluto desespero, procura refúgio na Europa, é visto como oportunista, lixo e até terrorista. Que o digam as crianças em busca de refúgio afogadas no mediterrâneo.

A raça humana é uma só. O que muda é a forma de vermos as pessoas. O que devemos fazer é aceitar a liberdade do outro e respeitá-lo pelo o que é.

Em um mundo tão materialista e globalizado, fica difícil a aceitação do diferente, que deixa de ser apenas exótico para soar como estranho.

  Vivemos tempos de tristeza, onde até a lágrima é seletiva. Choramos mais pelas dezenas de brancos que morrem do que pelos milhões de negros que são assassinados todos os anos. Nos comovemos mais pelo atentado ocorrido em Paris do que aqueles praticados no Líbano, na Síria e no Iraque quase que diariamente.

Escolhemos as vítimas por empatia, por serem parecidos conosco. E nisso reside o mal das definições que o homem sempre visou.

Compreender, entender e aceitar não se confunde com o mero definir. É possível que compreendamos as dores próprias de um povo, de uma etnia, de uma raça, de uma religião, de um gênero sem pertencermos a ele. Com as definições, conforme elas forem tratadas, isso serve tão somente para distanciar. A base da compreensão, entendimento e aceitação é a boa educação, fundada na tolerância e no respeito, na prática do cotidiano e no exemplo que nos é dado. Havendo isso, poder-se-á definir para melhor conhecer a história e as dores alheias.

Não havendo educação humanista, a sociedade não será inclusiva. Apenas definirá, e com isso relegará os diferentes do padrão dominante a uma classe diferenciada. E daí advém o racismo, o preconceito e os crimes mais bárbaros de segregação.

Seria bom definir se houvesse uma cultura prévia, uma educação sólida que nos permitisse assimilar noções básicas de solidariedade, tolerância e respeito. Sem esse passo prévio, alguns intolerantes podem utilizar as definições para extravasar ódios, ressentimentos e delírios contra os apontados como diferentes. E cada vez mais caminhamos para a intolerância religiosa, sexual e étnica.

Com tudo isso o ser humano vive épocas de indefinições. O seu rumo neste planeta está indefinido, em perigo.

O iluminismo ficou para trás. Hoje, o que importa é o consumo, o ter e o assumir comportamentos assemelhados àqueles que ditam o modismo comportamental. À diferença restou o lixo da importância.

Ser socialista ou comunista, hoje, não é elogio, pelo contrário. Ser verdadeiramente intelectual, com visão humanista, hoje, é visto como algo decadente. Para os imbecis dominados pelo consumismo, ser fraterno significa ser carente. E o entendimento dos que consomem matéria, mas são ausentes de espírito de tolerância, o homem se limita ao igual, esquecendo-se a ampla diversidade da raça humana, da natureza do planeta e do infinito de cores, formas e possibilidades do Universo.

Jesus Cristo, com suas mensagens de fraternidade, amor e compreensão, se nascesse nos tempos modernos, como seria enquadrado?

Repensemos. Definir pode ser bom para compreender. Mas para a sociedade que vivemos isso não importa necessariamente em tolerância e fraternidade. Precisamos apenas de duas coisas prévias: educação humanista de qualidade e uma visão menos centrada na matéria e no consumo.

Para refletir:

Para viver, sinta, sonhe e ame.
Não deseje apenas coisas materiais.
Deseje o bem e multiplique as boas ações.
Sorria, sim. Mas ame mais.

Ame a si, aos outros, a quem está próximo e distante.
Ame quem errou e quem acertou.
Não diferencie.

O amor não julga. O amor não pune. O amor aceita.
Pense nisso e aceite a vida.

Vamos brincar com as palavras?



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