terça-feira, 4 de julho de 2017

A ERA DA DESINFORMAÇÃO. O VAZIO DO USO DA TECNOLOGIA COMO UMA DAS CAUSAS DA VIOLÊNCIA E CRIMINALIDADE.

Ao contrário do que se pensa, cada vez há mais guerras, mais sangue, mais dor e sofrimento.

A TV propagandeia a guerra da Síria, mas tantas outras existem no Oriente Médio, na África e na Ásia. Quantas outras, de menor vulto, não ocorrem nas grandes cidades da América Latina, que sofrem com os roubos, o tráfico, as milícias e o terror imposto por organizações criminosas?

Como no resto do mundo, há aqui os que lucram e há também a maioria que sofre com todo esse terror.

Quem lucra são os fabricantes de armamentos cada vez mais poderosos, sofisticados e considerados imprescindíveis à segurança do cidadão e do País. Os produtores de softwares de segurança inteligente faturam alto nesses tempos em que se julga vital o monitoramento ininterrupto de todos. Também quem lucra são empresários e policiais voltados à prestação de segurança particular. Os corruptos que permitem que armamentos pesados, ilegais, passem pela fronteira também lucram como nunca.

A polícia se arma até os dentes e os bandidos também compram armamentos sofisticados e poderosos. Há muitas armas. Armas demais e segurança de menos.

Há um poderoso lobby das indústrias de armamentos e de softwares de segurança que convence os governos a comprar armamentos e equipamentos de segurança caríssimos.

Por outro lado, a bandidagem também se arma.

E as indústrias ganham vendendo para as polícias e para os bandidos. Lucram sempre!

Quem não lucra é a população que paga impostos e vê cada vez mais uma parte considerável do erário ir para a compra de armamentos, softwares e equipamentos de segurança, além de um pessoal sempre crescente. E a criminalidade não decresce, aumenta.

Ao mesmo tempo em que a segurança cresce a sua participação no erário, a educação e a saúde decrescem em um país já mal servido de serviço público de qualidade.

Há algo de errado nisso tudo.

Com o dinheiro escasso, diminui-se a verba para aplicação na educação, cultura e saúde. A população, sempre acostumada com a política do pão e circo, desde os romanos, procura o lazer através do consumo. Como não pode consumir os produtos caríssimos, ou compra os produtos piratas, falsificados, ou pratica pequenos crimes para adquirir os originais. O resultado disso é o aumento nos furtos e roubos e também na venda de produtos piratas, consumidos hoje até por aqueles que detêm melhores condições financeiras. Muitos dos que não se contentam com tanta futilidade, no vazio espiritual, se afundam na bebida e nas drogas ilícitas. O tráfico cresce, sempre associado ao crime organizado, criando um emaranhado difícil de elucidar, ligando produtos piratas, tráfico de armas, tráfico de drogas, tráfico de seres humanos, incluindo para fins de prostituição, e  jogos ilícitos.

A grande operação montada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal, a Lava Jato, se preocupa com a questão da corrupção dos políticos, mas não seria de surpreender se uma investigação mais específica comprovasse a ligação de muitos agentes políticos, sejam deputados, senadores, ministros, inclusive altos integrantes do Judiciário, com o tráfico ilícito de entorpecentes.

Na sociedade de consumo, a necessidade do consumo dos produtos mais variados impõe a necessidade primeira do ter dinheiro. E daí advém essa louca problemática característica principalmente dos países pobres e em desenvolvimento.

A sociedade hipócrita se perde nesse emaranhado de falsas necessidades: armas desnecessárias e bens de consumo desnecessários. E o resultado numa sociedade socialmente tão injusta como a nossa, desprovida de apego pela cultura, não poderia ser diferente: muitos crimes e que alcançam todas as classes sociais, sem exceção.

Obviamente não há solução mágica, pois não há como mudar o ser humano num passe de mágica. O que se pode fazer, e deveria ser adotado como prioridade, é enfatizar a necessidade do ser humano se conhecer profundamente, através dos estudos, da participação em atividades culturais diversificadas.

Vivemos numa sociedade que se apresenta como da sociedade da informação. Mas não. A tecnologia que desenvolvemos transmite informação rápida, mas o faz de forma vaga e superficial, como vem ocorrendo nas redes sociais e na internet como um todo, sem o aprofundamento e questionamento necessários. O ser humano passa a ser, então, um repetidor de frases. E aí há o risco de massificação e engodo. Os fascistas sempre se utilizaram de frases pontuais aparentemente fortes, mas vazias de conteúdo. E a nossa sociedade, com essas frases de efeito, vai se tornando cada vez mais superficial e tendente ao radicalismo.

O que falta, na verdade, é o conhecimento que somente pode ser suprido por uma valorização da educação, da cultura, da participação popular, da discussão e da reflexão. Para isso há a necessidade do tempo vago, o que o consumo desenfreado não nos permite. Nessa sociedade hipócrita, não temos tempo para nós mesmos, para o autoconhecimento e reflexão, mas apenas para a superficialidade de relacionamentos temporários, para informações que nada acrescem e para a mera aparência física.

Poderíamos resumir essa era fruto da alta tecnologia como a de falta de conteúdo, por mais antagônico que possa parecer. Os cientistas que desenvolvem e desenvolveram toda essa tecnologia do conhecimento devem estar se remoendo. Não foi para isso que tanto se dedicaram. Eles visavam o progresso da humanidade. Mas, como sempre, pessoas interessadas no lucro fácil, desvirtuaram o uso e transformaram a própria humanidade em massa de consumo do absolutamente desnecessário, seja de informação vazia, seja de produtos sem sentido.

Se toda a tecnologia fosse melhor empregada, haveria a diminuição das armas e dos crimes, pois o ser humano estaria mais preocupado com o conhecimento, o saber, o descobrir, o sentir, do que o mero ter a que nos reduziram – todos nós - hoje em dia.

Se o desenvolvimento tecnológico, portanto, for melhor empregado, poderemos ter a chance de viver em um mundo melhor. Para isso teríamos que excluir o instagram, o facebook e tantas outras idiotices criadas como passatempo. Se transformarmos a internet em instrumento real de conhecimento, com o saber dos livros e das fontes de humanidades, fonte de divulgação da arte, poderemos ter sucesso e alcançar uma sociedade menos violenta e mais justa.

Para refletir:

Para viver, sinta, sonhe e ame.
Não deseje apenas coisas materiais.
Deseje o bem e multiplique as boas ações.
Sorria, sim. Mas ame mais.

Ame a si, aos outros, a quem está próximo e distante.
Ame quem errou e quem acertou.
Não diferencie.

O amor não julga. O amor não pune. O amor aceita.
Pense nisso e aceite a vida.

Vamos brincar com as palavras?



Postagens populares

__________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________________
NOTÍCIAS, OPINIÕES, ARTIGOS E MEROS ESCRITOS, POR CYRO SAADEH
um blog cheio de prosa e com muitos pingos nos "is"

___________________________________________________________________________________