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Abú-Nawás - um poeta revolucionário
deu no ICARABE
foto: WIKIPEDIA
Filho de soldado sularábico e tecedeira persa, Abú-Nawás nasceu na segunda metade do século VIII e morreu ao redor do ano 815 da nossa Era. Poeta muçulmano que deu as costas para as convenções da antiga poesia árabe de beduíno, cultivou os temas do amor e do vinho, no cenário libertino das tavernas (e das cortes urbanas) da populosa Bagdá. Já em idade madura, o poeta para sempre afamado pela beleza singular, especialmente pelas tranças que lhe pediam sobre os ombros, nos anos em que foi protegido do abássida Muhammad Alamín, compartilhou com o jovem califa o gosto pelas letras e a vida de prazeres: o vinho, inapelavelmente, era servido por jovens belas e belos, cujo arrebatamento confesso nos poemas pôde ser lido, ao longo dos tempos, desde a perspectiva direta, erótico-sensualista, até a mais trabalhada, que vincula a convenção poética com alegações de uma espiritualidade de extração hedonista. Em seu rastro, poetaram Ibn-Quzmán, Omar Khayyám e Háfiz de Shiraz... e os contos das 1001 Noites retratam-no como homem de permissibilidades. Envolvido mais tarde pelas tramas da corte do califa sucessor, Almamún, teria encontrado o anjo da morte atrás das grades da prisão, para onde foi arrestado por motivos imagináveis.
Sua poesia palpita. O senso de liberdade exala de seus muitos versos, testemunho de um espírito livre. Lido, recitado, copiado ao longo dos séculos, sua poesia imprimiu novos paradigmas para o lirismo em língua árabe. Finalmente em nosso tempo sua obra foi censurada, na edição de 1932, e em 2001 milhares de exemplares de seu livro foram queimados por ordem do Ministério Egípcio de Cultura. Alnusús Almuhárrama (textos proibidos), porém, circulam entre as mãos de leitores arejados: neles está a declaração dos direitos do homem à felicidade e a profissão, sempre necessária, da franqueza contra a hipocrisia, essa “convidada indesejada” das gentes.
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