sábado, 3 de abril de 2010

AONDE O BRASIL SE PERDEU?

A causa do Brasil não caminhar pra frente com a velocidade necessária e não resolver os problemas do seu povo é a visão de colonizados que carregamos conosco há séculos, faltando-nos amor próprio e uma real noção de nacionalidade.

Somos um povo a parte, formados por índios que se desindianizaram, negros que se desafricanizaram e europeus que se deseuropeizaram, dando formação a um povo mestiço, como diria o saudoso intelectual e antropólogo Darcy Ribeiro. E mais, no aspecto de como nos vemos, somos um povo majoritariamente voltado às perspectivas do outro lado do Atlântico (a leste ou ao norte), como também diria o intelectual, jornalista e revolucionário Euclydes da Cunha, esquecendo-nos da mestiçagem vívida do sertão e do interior.

Somos um povo diferente e não temos noção exata disso. Somos mestiços. Sofremos na carne a escravidão. Carregamos conosco a injustiça de sermos afastados de nossas terras (índios). Buscamos espaços para uma vida melhor, uma outra vida (europeus). Mas somos mais. Hoje temos pessoas do Oriente Médio, Ásia, enfim, do mundo todo, que aqui procurou abrigo ou a reconstrução de uma vida paralisada ou perdida.

Somos um povo em construção, que busca o equilíbrio sem radicalismos. Almejamos justiça e felicidade e isso se nota em nossos atos e em nossas festas mais populares. Não é por outra razão que dizem que o Brasil é o país da esperança. Se no aspecto econômico podemos ser o país do futuro, na questão justiça podemos ser um país que ainda carrega esperanças.

Com tudo isso, qual o motivo de não decolarmos e sempre vivermos conflitos que emperram a solução dos graves problemas de grande parcela de nossa população, como moradia digna, educação de qualidade, assistência médica eficaz, tratamento de esgoto, violência doméstica, e questões gerais, como uso de entorpecentes, tráfico de drogas, criminalidade e sensação de insegurança, corrupção e burocracia administrativa?

Qual a causa disso, Brasil?

Não é pretensão minha expor todas as possíveis causas para isso em um breve texto para este blog, mas um dos grandes motivos, que julgo o mais significativo é a de não valoração das ações de afirmação do Brasil como um país independente com visão própria e um destino a buscar, e não copiar.

A nossa mídia e parcela significativa dos políticos sempre têm uma visão restrita, arcaica e limitada dos nossos passos. Adotamos como padrão de felicidade o estilo estadunidense. A conduta correta, para essa mesma mídia e classe política, também seria aquela que o governo estadunidense aponta como certa. Quando um intelectual, político ou líder ousa discordar, há uma corrente de críticas sem qualquer base ou aprofundamento, beirando a irracionalidade.

O Brasil não é igual aos Estados Unidos, Europa, Israel ou países Árabes. O Brasil é uma mistura de tudo e de todos com uma visão mais amena, mas próxima do equilíbrio. E porquê digo isso? Porque o Brasil não tem interesses imperialistas ou territorialistas nas questões envolvidas. Apenas quer um equilíbrio entre as nações, algo necessário para que possa crescer econômica e exponencialmente, tornando-se um dos líderes da economia dentro de 15 ou 20 anos. A instabilidade vai contra os interesses nacionais. E levar a paz gera um tipo de credibilidade inquebrável, um poder de fato equiparável, em força, ao imperialismo imposto pelas armas.

Porém, mesmo com tudo isso muito claro, parece que a nossa mídia não percebe isso e beira a ignorância ao dizer que o Brasil não deveria se intrometer nas questões do Oriente Médio.

Ora, somos um dos poucos países no mundo moderno em que as comunidades árabe e judia se comunicam e interagem. Temos capacidade de tolerância interna e necessitamos que isso seja expandido. Se não o for, seremos meramente uma potência regional da América do Sul, como quase sempre fomos (salvo a época gloriosa do Paraguai) desde o Império.

A imprensa e parte dos políticos agem maliciosamente ao criticarem uma posição internacional de independência? Parcela sim, parcela não, creio. Imagino que a visão de um país colonizados por mais de 3 séculos ainda acarreta uma certa sensação de insuficiência, incapacidade e incredulidade em muitas pessoas, sejam intelectuais, jornalistas, empresários, políticos ou formadores de opinião em geral.

A falta de investimento em educação e a pouca disponibilidade de órgãos de informação de qualidade agravam e facilitam a perpetuação da sensação de impotência. Somos um povo pouco instruído. Não fomentamos o ensino de qualidade ou em período integral. Permitimos baixos salários aos professores e aceitamos com frieza a má formação desses profissionais. Invertemos a ordem de prioridade na sociedade. Valorizamos o sucesso momentâneo, os dos "Big Brothers" em detrimento do sucesso do conhecimento educacional e cultural, que é atemporal.

Mais. O empresariado brasileiro com viés nacionalista existe, mas não tem a voz ativa e segura necessária para calar a sensação de que apenas as multinacionais são sérias e dão empregos confortáveis a boa parcela da população. Com isso, nos rendemos mais ainda à visão de que os interesses dos Estados Unidos são bons também para nós.

Os empresários nacionalistas e sérios já existiram nos setores de comunicação, mas foram cassados e perderam suas concessões. O caso mais exemplar foi da TV Excelsior, a criadora do padrão de qualidade copiado pela TV Globo. O jornal Ùltima Hora também já foi a voz ativa dos intelectuais que viam a possibilidade de um Brasil e de um mundo diferentes. Hoje, os meios de comunicação estão nas mãos de meia dúzia de famílias, cujo interesse é apenas a permanência e ampliação do poder comercial e de fato. E esse poder comercial se liga ao grande número de empresas estrangeiras anunciantes. Há um ou outro veículo diferente que nos dá uma visão diferenciada do mundo e do Brasil, mas contam-se nos dedos de uma mão. Enquanto isso, nos Estados Unidos, Europa e Argentina, há grandes veículos de comunicação sérios e voltados aos interesses do seu próprio povo e valores como democracia, direitos humanos e paz.

Enquanto não tratarmos essa sensação de eternos colonizados, não seremos capazes de mudar nossos posicionamentos políticos. É preciso investir em educação, comunicação de qualidade e sensação de nacionalidade.

Para nos sentirmos uma nação não basta termos festas generalizadas como o carnaval. É preciso mais. Temos características diferentes em cada canto, sim, mas é possível nos sentirmos como membros de uma só nação. Para isso precisamos ter uma noção maior e melhor de nossa história. E isso só vem com investimento e promoção de produções nacionais de qualidade, valoração da educação e investimento em cultura e informação séria. Mais. Precisamos preservar os sítios arqueológicos que retratam períodos de nossa história como, exemplificativamente, Canudos, Araguaia e fronteiras com o Paraguai.

Vivenciando quem fomos, quem somos e o que fizemos, teremos uma noção melhor do que deveremos fazer para o nosso próprio bem e, consequentemente, de parcela significativa da humanidade. Esse é o papel do Brasil de um novo lider, não em busca do poder imperial, mas da estabilidade para poder crescer. E não basta ter estabilidade nas suas fronteiras. É preciso pacificar o mundo, aumentando o consumo e a movimentação econômica.

Enquanto isso não ocorrer, o Brasil não crescerá economicamente como necessita nem será capaz de solucionar os seus graves problemas sociais internos. Crescer pensando externamente, mas sabendo quem se é, é a base para a revolução econômica e comercial que o Brasil tanto necessita.

É o interesse econômico em prol da estabilidade e da paz.

Para refletir:

Para viver, sinta, sonhe e ame.
Não deseje apenas coisas materiais.
Deseje o bem e multiplique as boas ações.
Sorria, sim. Mas ame mais.

Ame a si, aos outros, a quem está próximo e distante.
Ame quem errou e quem acertou.
Não diferencie.

O amor não julga. O amor não pune. O amor aceita.
Pense nisso e aceite a vida.

Vamos brincar com as palavras?



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