NO FIM, SE DESCOBRE QUE QUEM DEFENDE O PAÍS É QUEM DEFENDE O POVO.
Norberto Bobbio já proclamava o fim da divisão direita e esquerda, mas a extrema direita mundial, sem planos de governo e com um negacionismo ferrenho, vocifera em eco que esquerda e comunismo são os males do mundo, mesmo após o fim da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a famosa e gigantesca URSS.
Getúlio Vargas nunca foi esquerdista, e pouco menos direitista. Era uma político visionário de centro, que tinha como lema o desenvolvimento do país, com a implementação de um Estado Moderno. E foi isso o que Getúlio fez em toda a sua vida. Transformou o país agrário, essencialmente dependente do café e com uma política coronelista da República Velha, em um Estado Moderno, criando a Justiça Eleitoral, implementando o voto feminino, estabelecendo a necessidade de concurso público, criando leis trabalhistas e a previdência social, além de criar estatais, universidades e industrializar o país.
Por todos esses êxitos, ele era odiado pelos radicais, à esquerda e à direita. Esses últimos sempre tentariam derrubá-lo, e quando Getúlio pratica suicídio para evitar que o Estado caísse nas mãos de entreguistas, os radicais de extrema direita passam a perseguir os herdeiros políticos de Getúlio, como Jango, Brizola e até o peessedista Juscelino Kubitschek. Isso culminaria com o golpe de 1964, que contou com o apoio deliberado dos Estados Unidos e anos mais tarde com o golpe iniciado em 2013 e consumado em 2016 contra Dilma Rousseff e que destruiria empresas estratégicas brasileiras relacionadas à engenharia e de defesa, debilitando a nossa maior empresa energética, a Petrobrás.
Oportunistas surfaram na onda golpista e se elegeram para o parlamento e cargos do Executivo de diversos entes federados. Sem proposta, apelaram para temas sensíveis para uma população de fé e conservadora: família, religião e com o velho discurso anti-comunista.
Sem projeto de país, e apoiado estrategicamente pela extrema direita dos Estados Unidos, liderada pelo incompetente fanfarrão autoritário Donald Trump, Flávio Bolsonaro se utiliza de todos os meios para tentar destruir a candidatura do atual presidente brasileiro, Luis Inácio Lula da Silva. Tem dinheiro em abundância do Master nos Estados Unidos, não utilizado no filme Dark Horse, à sua disposição, tem dinheiro do maior partido do país, o PL, e tem as inúmeras doações, o que já o tornariam milionário, se não bilionário, mas que são capazes de criar máquinas de campanha nas mídias eletrônicas (que de sociais não têm nada), nas ruas e até na grande imprensa, cada vez mais condescendente com ele. Também tem dinheiro de sobra para contratar empresas especializadas em tumultuar e fraudar processos eleitorais legítimos (vide matéria publicada neste blog clicando aqui).
As armas são sempre as mesmas. Repetição desenfreada de que o governo é de esquerda (O governo Lula nunca foi de esquerda. É de centro. No máximo de centro esquerda), de que o governo defende valores contrários aos da Igreja, de que a esquerda é corrupta, de que o Supremo trabalha para Lula. E por aí vai... Enquanto vemos que Lula nunca fez um governo de esquerda, que Lula surgiu como candidato e o PT como Partido com o apoio da Igreja. Que Lula é um católico devoto, embora não se declare. Os Ministros do Supremo, com exceção a Flávio Dino, que tem uma visão social, são em sua maioria conservadores, de centro e de direita. A corrupção sempre esteve enfronhada com a direita, como evidencia o escândalo do banco Master, onde todos os políticos envolvidos são de direita (com exceção a 1, Jacques Vagner). De todos os candidatos a presidente, o único que recebeu dinheiro ou mimos de Vorcaro foi o extremista de direita Flávio Bolsonaro.
O coronel Joseph Weydemeyer, do Exército da União, também lutou contra a escravidão e o capitalismo. Esse radical do século XIX era amigo de Karl Marx e lutou contra a Confederação.Nos Estados Unidos não é diferente. Os grandes líderes do país tinham visão iluminista e progressista. Alguns dos militares que lideraram a guerra da União contra os confederados escravistas eram comunistas, e se preocupavam com um Estado Moderno e socialmente justo (como fez o centrista Vargas no Brasil e o também centrista Dellano Roosevel nos EUA). Leia o interessante artigo de RL RICHARDS, jornalista independente, membro do Partido Comunista dos EUA e ativista trans, publicado no Peoples World, clicando aqui. Leia trechos abaixo.
"'Precisamos rejeitar o socialismo, seja ele de esquerda ou de direita', declarou o jornal The Hill na quinta-feira, 27 de agosto, em um artigo de opinião do economista Benjamin Powell, argumentando que o socialismo fracassou em todos os lugares onde foi implementado". (...)
"As palavras “socialismo”, “comunismo” e “marxismo” são usadas dessa forma todos os dias, geralmente como insultos. Trump vem rotulando a esquerda marxista como inimiga há anos. Em setembro passado, essa retórica se tornou política oficial: o governo designou formalmente a “antifa” como uma “organização terrorista doméstica”, parte de uma campanha mais ampla para rotular a esquerda americana, incluindo os marxistas, como inimiga do Estado". (...)
"O principal teólogo da Confederação, James Henley Thornwell, apresentou a luta contra a escravidão como um exemplo desse radicalismo perigoso em seu sermão de 1850, 'Os Direitos e Deveres dos Senhores'. Os envolvidos no conflito sobre a escravidão, alertou ele, 'não são meramente abolicionistas e proprietários de escravos — são ateus, socialistas, comunistas, republicanos radicais, jacobinos, de um lado, e os defensores da ordem e da liberdade regulamentada, do outro'". (...)
"Nada disso é história antiga desenterrada apenas para argumentar contra o The Hill . Trata-se de uma narrativa contínua que conecta as acusações de Thornwell de perseguição anticomunista pró-Confederados às batidas policiais de Palmer, à designação de antifascista em setembro passado e à campanha antissocialista de Trump hoje. Todo movimento que questionou a quem cabe a riqueza produzida neste país foi recebido com a mesma acusação: que são estrangeiros, ateus e antiamericanos.
Os registros históricos mostram o contrário. Os marxistas ajudaram a organizar o apoio ao partido de Lincoln, mantiveram as tropas da União em campo, construíram os prédios que ainda abrigam o governo federal e conquistaram cargos eletivos com seus próprios nomes antes que a maioria dos americanos sequer tivesse ouvido a palavra 'progressista'".
Assim, não é difícil de se concluir que quem realmente defende o país é quem defende o seu povo, o seu bem estar, a sua qualidade de vida e a liberdade de pensar e de agir, pouco importando o seu viés ideológico, até porque para defender o povo é necessário caráter, ombridade, personalidade altiva e despreendimento material, o que a extrema direita literalmente não tem.
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