NACIONALISMO NÃO COMBINA COM NEOLIBERALISMO

imagem: GGN

Tenho, sim, um discurso de quem ama esse país. E não é retórica. É fato.

Não julgo um discurso nacionalista retrógrado, ao contrário do que prega a extrema direita entreguista e uma parte que se julga de esquerda pela defesa tão somente do liberalismo de costumes, mas que pouco se preocupa com o social e mal sabe o que realmente defende a verdadeira esquerda.

Retrógrado seria se pregasse o ódio ao estrangeiro, ao diferente, às minorias, à brasilidade e ao que representa o nosso imenso país.

O amor pelo país remete aos Estados-Nação, berços das burguesias nacionais e do capitalismo, o mesmo que hoje, com o famigerado neoliberalismo, tenta aniquilar os Estados e transformá-los em meros defensores armados do capital internacional desregulamentado.

Abordarei o tema mais profundamente em um livro que já começou a ter as primeiras páginas redigidas, mas antecipo aqui a minha tese de que o neoliberalismo, ao pregar o Estado mínimo na área social, caminha de mãos dadas com o crime organizado e com políticos que alugam mandatos, beneficiando criminosos e capitalistas desprovidos de mão de obra e de cuidado com o país. Daí a relação profunda das fintechs com o atual estágio do neoliberalismo latino-americano e o crescente (em poder e dinheiro) crime organizado. 

O resultado do atual estágio do neoliberalismo é o aumento do poder, da influência e dos interesses do do crime organizado; do capital financeiro desprovido da produção de bens; de uma classe política vendida aos interesses dos poderosos (dentre eles do crime organizado); do aumento desenfreado do desemprego; da diminuição dos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários; do aumento do número de usuários e de dependentes de droga; do aumento do número dos chamados sem teto; da fragilização da soberania etc.

Enquanto a Ásia e a África se desapegam do ultrapassado neoliberalismo, e com isso crescem economicamente, a Europa e os Estados Unidos veem ruir sua economia neoliberal e procuram saídas. Entregue a interesses estrangeiros, a América Latina embarca no comprovado fracasso neoliberal, beneficiando os interesses financistas do império.

Há que se resistir ao tsunami neoliberal. O Brasil adota a política neoliberal há mais de 35 anos, mas com pequeninas ressalvas sociais, o que tem protegido parte da população da miséria absoluta trazida por essa força  anacrônica do capitalismo que já tem mais de 50 anos e que trouxe ao Brasil uma queda em sua produção econômica e baixo crescimento.

A política neoliberal ainda mais ortodoxa nos colocará como reféns do crime organizado, na ruína econômica e social, beneficiando o sistema financeiro, políticos oportunistas e organizações criminosas. 

A Argentina já evidencia o fracasso das políticas neoliberais ortodoxas de Milei, enquanto a extrema direita brasileira procura agora confeitar o pobre Paraguai neoliberal como "potência econômica". O confeito neoliberal ultra ortodoxo logo derreterá. O que não dá para fazer é brincar com os países e as economias.

Por isso repito que ser nacionalista é pensar com seriedade e responsabilidade no Brasil e nas soluções para o seu desenvolvimento social e econômico a curto, médio e longo prazo. Essa é a nossa única saída segura.

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