A CHINA QUE SE RECUSA A SER POTÊNCIA HEGEMÔNICA


foto: China antiga

A China foi um dos maiores e longínquos reinos que a humanidade já viu. Afeita desde sempre ao comércio, ao lado de árabes e persas, atiçou a curiosidade de estrangeiros, como Marco Polo.

A China resistiu a povos conquistadores, mas não a impérios como o russo, o japonês e o britânico. Viu sua mulheres serem prostituídas, com o império japonês, e os seus homens serem viciados em ópio pelos britânicos. Foi a chamada era da vergonha.

Mas a China quase sempre foi o maior e o mais forte, militar e economicamente, país de todo o globo, ao longo da história. Não percebemos isso com clareza porque os nossos estudos voltam-se à Europa, sempre ela.

Com o neoliberalismo tomando forma, as indústrias estadunidenses migraram para a China, posteriormente também foi grande parte do capital, e a China rapidamente se reergueu, sob o comando do Estado, fazendo o trabalho de casa e diminuindo a pobreza como nunca se viu (mais de 850 milhões de pessoas foram tiradas da pobreza). Hoje a China é um país justo, deslumbrante pela beleza e alta e diversificada tecnologia, por sua economia forte e suas forças armadas silentes, mas poderosíssimas. Além disso, negocia e conversa com o mundo todo, sem impor a sua vontade pelas armas.

Os EUA, enquanto isso, se desindustrializaram, viram aumentar a fome e os moradores de rua, ao mesmo tempo em que poucos milionários se tornaram, pela primeira vez na história, bilionários. A concentração de renda é algo brutal naquele país e foi se agravando.

Trump não foi altivo para a China, mas disposto a pedir, implorar. Implorou pela compra de centenas de aviões, de Chips, de investimento, de afastamento da China do Irã. A China, polida, não disse não em alto e bom som, mas não atendeu aos pleitos da forma que Trump queria. Trump saiu menor e a China revelou-se, mais uma vez, uma potência, embora não queira assumir esse papel, ao menos por enquanto.

A China se recusa a embates diretos, a impor a força a seus concorrentes, a invadir territórios. Ao contrário, ela aprecia o multilateralismo, como o BRICS por ela criado. 

A queda acentuada da força dos EUA, como vem ocorrendo, abrirá as portas, primeiro, ao multilateralismo, enquanto as nações mais fortes se organizam para o multipolarismo, do qual a China discretamente fará parte, ao lado da Rússia e Índia e os próprios Estados Unidos, agora não mais como força hegemônica.

A dúvida que nos resta é sobre a Europa e se ela se reerguerá economicamente ou se afundará ao lado dos Estados Unidos. Esse, porém, é muito forte e a sua decadência levará anos para implicar uma derrocada final. Daí o motivo dele continuar a ser uma potência nos próximos anos. 

Bem, e àqueles que perguntam sobre o Brasil, a resposta dependerá de como nos posicionaremos economicamente, se como um fazendão a ser explorado ou um país menos desigual, com mais tecnologia e industrializado. Como apaixonado por este país, opto pela segunda alternativa, mas temos que correr contra o tempo. O Brasil não precisa ser altivo e imitar as grandes potências do século passado, mas justo com o seu povo, que é a sua razão primeira de existir. 

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