DE PAÍS EXPLORADO COMO COLÔNIA A PAÍS EXPLORADO PELO IMPÉRIO DECADENTE

O capitalismo teve início no final do século XIV na Europa, com o fortalecimento do comércio no fim do feudalismo, com os artesãos e os comerciantes, posteriormente chamados de burgueses. Com os Estados Nacionais e o acúmulo de capital pelos burgueses, o capitalismo então incipiente adquiriu forma e força com o mercantilismo, a partir do século XV, com as grandes navegações.

Portugal e Espanha se destacaram na Era das Grandes Navegações. Portugal colonizou áreas na América do Sul, África, Ásia e até no Oriente Médio. Era uma Nação pequena, mas com grandes ambições.

A necessidade de extração e produção de riquezas na américa portuguesa promoveu a escravização da população originária das novas terras e também de povos africanos. O comércio de escravos era extremamente lucrativo, e operado principalmente por portugueses e britânicos.

Com as riquezas das colônias e o amplo comércio por elas provocados, as Nações Europeias se enriqueceram. Com isso, as guerras de expansão na Europa e pelos domínios das novas áreas de exploração tornaram-se regra.

Nesse período adveio o iluminismo e as ditas revoluções liberais. Posteriormente adveio a crise do colonialismo europeu e as duas grandes guerras mundiais.

O capitalismo foi adotando novas formas. De mercantilista passou a industrial, por volta do Século XIX, e a financeiro e com grandes monopólios, no Século XX. Ainda no final desse século XX e no início do século XXI, adveio o capitalismo dito informacional, com predomínio aos grandes oligopólios de empresas de informação e de alta tecnologia, incluindo a internet e a inteligência artificial. A exigência desses grupos era a mesma do neoliberalismo, um Estado mínimo, sem qualquer intervenção do Estado e sem poder regulamentar. O neoliberalismo surgiu nos anos 1970 e foi propagado aos países periféricos pelos Estados Unidos, visando fortalecer suas indústrias e, concomitantemente, aumentar o mercado consumidor mundial, enfraquecendo lentamente as Nações que estavam em desenvolvimento. Hoje, os Estados Unidos, com suas empresas de tecnologia, adotam políticas de um Estado forte e interventor internamente e, externamente, exigem a adoção de  um Estado mínimo e a ausência de regulamentação na atuação de suas empresas nos países periféricos e europeus.

Mas e o Brasil nesse longo processo?

Antes de 1500, o Brasil vivia uma economia de subsistência pelos povos originários, calculados entre 5 e 10 milhões de indivíduos. Mas havia uma rota que ligava o Brasil ao Império Inca, chamado de Peabiru, com mais de 3 mil anos, onde circulavam produtos para pequenos comércios e pessoas, incluindo troca cultural. Ela cortava grandes áreas ocupadas pelo povo guarani. O respeito pelo meio ambiente não era uma proposta, mas uma realidade cultural.

Foi com a invasão portuguesa em 1500 que o Brasil aderiu ao nascente mercantilismo, como colônia exportadora da madeira de pau-brasil. e posteriormente de metais preciosos e açúcar de cana. A devastação da natureza tinha início. A escravização de indígenas foi uma realidade até o século XVIII. A escravização de pretos africanos foi concomitante, tendo surgido ainda no século XVI, mas durou mais, até o século XIX, com mais de 5 milhões de escravizados africanos.

A história do Brasil liga-se ao capitalismo da pior forma, de exploração de terras e povos, de desrespeito à natureza e de colonialismo e, posteriormente à sua independência, a subjugação ao imperialismo, primeiramente de países europeus e depois aos Estados Unidos.

O Brasil conheceu, desde o início de dominação pelos europeus, todas as fases do capitalismo, desde o mercantilismo inicial ao neoliberalismo e ao informacional, com o grande poder de manipulação das chamadas Big Techs estadunidenses.

Hoje, o Brasil continua a exportar produtos agrícolas e minérios. Sua indústria, então crescente entre os anos 1930 e 1980, reduziu-se drasticamente e passou a ser um grande importador de manufaturados chineses (pelo alta competitidade dos produtos fabricados na China), de maquinário e artefatos bélicos ocidentais e de tecnologia estadunidense, israelense e asiática em geral.

Do colonialismo ao presente imperialismo, o Brasil continua a exportar bens que enriquecem outros países e alguns poucos produtores locais. Ao invés de vender o mínério refinado e acabado, o exportamos no estágio inicial, o mesmo se dá com os produtos agrícolas. Porém, mesmo com todas as adversidades, estamos situados entre as 11 maiores economias do globo, variando de posição e podendo chegar a ocupar a 8a. posição.

Porém, a consequência natural dessa exploração perpétua do Brasil é a repetição trágica da exploração de mão de obra brasileira, deixando de ser escravizada no sentido literal do termo para ser pessimamente remunerada, mal dando para a cobertura de suas necessidades básicas. Mas denúncias de trabalho análogo ao escravo ainda ocorrem com grande frequência no páis.

Com muito empenho o Brasil conseguiu criar o SUS, seu Sistema Único de Saúde com cobertura universal que é copiado em todo o planeta. Temos universidades públicas e órgãos públicos de ponta (com o EMBRAPA e institutos de pesquisa e de saúde) que auxiliam no desenvolvimento de tecnologia nacional.

O Brasil precisa se desenvolver econômica e tecnologicamente, e muito, mas para isso necessitaria do apoio do empresariado. Espetacularmente, este foi parcialmente adepto da política nacional- desenvolvimentista da Presidente Dilma, ao apoiar a criação de estaleiros nacionais, investir no desenvolvimento do submarino nuclear brasileiro e em questões estratégicas e de interesse nacional pouco divulgadas. Porém, as escutas ilegais praticadas por agências estadunidenses e a participação da CIA e do FBI na chamada Lava Jato foram eficazes não em combater possíveis excessos e corrupção, mas em dizimar indevidamente nossas grandes indústrias de engenharia e tecnologia e grandes cientistas envolvidos em projetos de alta tecnologia, incluindo aí muitos dedicados militares brasileiros.

Mas isso não bastou ao império. Ele incentiva e apoia indiretamente, por meio de organizações criadas pelo setor privado, mas com fomento direto e/ou indireto do governo estadunidense, de adoção de medidas neoliberais por agentes políticos, como a privatização de bancos do governo, utilizados para o fomento do comércio, indústria e agricultura, da Petrobrás e de autarquias ou institutos de pesquisa.

Há no Brasil uma luta entre a sobrevivência de um Brasil que um dia sonhou ser livre e mais justo com os seus nacionais e um Brasil rendido e entregue ao império e ao grande capital internacional (leia-se estadunidense), onde uma pequena parcela de oportunistas e entreguistas brasileiros lucrariam, como mercenários atuando contra o seu próprio povo.

Há uma guerra nada discreta que ocorre abertamente, mas muitos insistem em não ver, outros insistem em dizer que é progresso e outros que é o rumo que outras nações adotaram (veja que China e Rússia, grandes potências, não adotam o neoliberalismo, e que mesmo os Estados Unidos adotam muitas políticas intervencionistas e têm inúmeras empresas públicas e instituições públicas voltadas à pesquisa científica. As nações que adotaram o neoliberalismo demonstram enorme fraqueza em situações de guerra ou de apoio a ela, como as Nações Europeias na guerra da Ucrânia e Rússia).

O Brasil precisa se proteger e defender seus interesses. O Brasil não pode abrir mão do seu direito de desenvolvimento tecnológico e de progresso econômico e social. Potências capitalistas que nos colonizaram e escravizaram parte de nossa população, insistem em nos subjugar ao seu poderio, tomando nossas riquezas e forças produtivas. 

O Brasil não pode se render e deve utilizar o capitalismo para o seu desenvolvimento, através do nacional desenvolvimentismo, a política econômica que trouxe o desenvolvimento ao país dos anos 1930 a 1980, sendo o Brasil o país que maios crescia em todo o mundo à época.

A poderosa China veio nos anos 1980 aprender sobre nossa política industrial e econômica, e hoje é a potência que atemoriza os Estados Unidos. Ela cresceu enquanto o Brasil, que adotou o neoliberalismo, parou de avançar, se estagnando como país exportador de produtos agrícolas e minérios.

Devemos, sim, continuar a exportar produtos agrícolas e minérios, mas não só. Devemos investir as divisas obtidas com a venda de produtos agrícolas e minérios em novas indústrias e tecnologia, planejando e garantindo o nosso futuro.

O Brasil precisa de um projeto de Nação, precisa desenvolver suas indústrias e investir massivamente em tecnologia. Se trabalhar direito, o país poderá estar em poucos anos entre as 4 maiores economias de todo o globo. E por quê digo isso? Em razão do tamanho do nosso território e de nossa população, mas não só, porque somos uma das poucas nações que têm as riquezas naturais necessárias para a sua subsistência e também para a produção de bens altamente tecnológicos civis e militares, além de pessoal altamente competente em pesquisa, como muitos brasileiros já deram provas, e nisso nossos institutos de pesquisa e universidades públicas prestaram enorme auxílio.

Por coincidência, os entreguistas querem acabar com as universidades públicas e os institutos de pesquisa, ao mesmo tempo que querem privatizar empresas rentáveis e vitais ao desenvolvimento e independência do Brasil.

A questão é para quem trabalham os entreguistas. Eu sei e muitos de vocês também sabem a quem servem esses quinta colunas, mas resta à Justiça aplicar severamente a lei contra quem pratica crime de lesa pátria, mas ela terá coragem?

Eles trabalham abertamente contra a Constituição brasileira e está aí a maior prova necessária ao Judiciário contra os entreguistas.

Estamos no limiar. Ou avançamos rumo ao progresso ou no estancam como terra a ser livre e impunemente explorada pela Nação mais forte. E cada um de nós não terá a liberdade de agir e pensar e será escravo de uma outra Nação que utiliza o capitalismo não para o progresso das Nações e das pessoas, como sonhavam os burgueseses, mas para o domínio absoluto de um pequeno grupo de empresas, como ocorreu com o sistema que precedeu o capitalismo no ocidente, o Feudalismo.

Uma enorme massa de estadunidenses já é escrava - direta ou indiretamente - desse pequeno grupo de empresas de alta tecnologia, as Big Techs. Agora querem nos submeter à mesma forma de escravização. É o grupo se apropriando do poder de Estado. Os Estados Unidos são reféns desse grupo, mas não para aí. Esse grupo quer dominar o mundo e o ocidente está mais vulnerável aos seus interesses. A Ásia, em sua grande parte, fez a lição de casa e aplicou o capitalismo na forma de nacional desenvolvimentismo como sistema econômico.

Nós escolhemos o caminho a trilhar e as opções estão à nossa frente. 

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