Já decadente, os Estados Unidos tentaram esconder danos em seus navios e a perda de radares caríssimos e de dezenas de aeronaves (caças, helicópteros e drones), além da morte em número muito maior que o divulgado de militares estadunidenses. Mas a pior das perdas foi das cerca de duas dezenas de bases no Oriente Médio. É uma grande perda econômica, mas também e principalmente geopolítica.
O Irã teve perdas enormes. Foram escolas, universidades, hospitais, bases militares, pontes, usinas de energia elétrica e usinas atômicas atacadas e destruídas, além de milhares de civis mortos.
O Líbano, o menor dos países envolvidos e com uma economia já em frangalhos, se vê invadido por Israel e seus tanques, com matança de civis e a destruição de prédios e de infraestrutura, não só, mas principalmente no sul do país.
Israel esconde o número de mortos e de pessoas que emigraram. Também esconde danos em setores estratégicos. Mostra apenas prédios civis atingidos por mísseis. O resto esconde a 7 chaves.
A China começou a guerra como vítima indireta na guerra dos Estados Unidos, e sagrou-se como vencedora absoluta, seja pela garantia de fornecimento de petróleo pelo Irã e demais países do golfo, seja pelos seu papéis de conciliadora e pacificadora.
Os países árabes do golfo, como Arábia Saudita, Kwait, Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein perceberam com os precisos ataques iranianos que os Estados Unidos se preocupam muito mais em garantir a segurança de Israel do que a dos países em que possui bases e onde ganha muito dinheiro assegurando que a venda do petróleo seja convertida em dólar e automaticamente investida em papeis dos Estados Unidos, garantindo a preciosa valorização eterna do dólar e da economia estadunidense.
Essa guerra mostra muitas coisas a quem analisa geopolítica. A primeira delas é a resistência do Irã. A segunda é a perda dos Estados Unidos em vários setores, seja no controle da energia no Oriente Médio, que agora está submetida à força iraniana, seja no petrodólar, agora ameaçada pela cobrança de pedágio, pelo Irã, em Yuan (moeda chinesa), seja pelo papel de mediador, conciliador e pacificador da China.
O petrodólar também pode estar ameaçado de acordo com o tipo de ingresso da China na região e as negociações envolvidas. Se assumir o papel de pacificadora e controlar as bases então existentes dos Estados Unidos, a possível moeda de troca dos países do golfo será assumir o Yuan. Aí será um chute na canela de Trump e a derrocada econômica definitiva dos Estados Unidos.
Evidentemente a situação acima depende do contexto social de cada um desses países árabes, muitos em estado de ebulição e com a possibilidade de revoltas internas. As monarquias locais correm sério risco de deposição por revoltas populares, principalmente no Bahrein.
O afastamento dos países europeus, asiáticos e da Oceania deTrump, com exceção ao vassalo sul americano Milei, da Argentina, evidenciam o isolamento dos Estados Unidos, além do seu parceiro israelense.
O fato será que os Estados Unidos terão menos bases militares mundo afora. Devem sair de organismos multilaterais e até da OTAN. Tentarão impor aos chineses as exportações de seus produtos agrícolas, em detrimento da soja e do milho brasileiros e argentinos, que podem vir a sofrer sanções.
A tendência dos Estados Unidos é recuar e passar a controlar rigorosamente o seu chamado quintal, a América Latina, explorando e controlando seus recursos, inclusive com bases militares e interferências nas eleições presidenciais.Ao mesmo tempo em que diminui (à força) suas bases no mundo afora, tende a criar bases na América do Sul, a começar pela Argentina e possivelmente na Venezuela, Colômbia, Equador ou Peru.
A razão dessas bases é exercer uma ameaça a qualquer governante que proponha adotar medidas que sejam contra os interesses dos Estados Unidos e, principalmente, intimidar o maior país da América do Sul, a maior economia da América Latina, um país rico em petróleo, água doce, minerais, áreas agricultáveis, população superior a duas centenas de milhões de pessoas e com terras raras, no caso, o nosso Brasil.
Quanto à economia, o neoliberalismo só ganhará força na periferia mundial, em alguns países da América Latina. Nas maiores economias se fortalecerá cada vez mais o nacional desenvolvimentismo, com o Estado como indutor da economia, como já ocorre na China, na Rússia e cada vez mais nos Estados Unidos. As grandes economias não adotam ao redor do mundo o neoliberalismo, mas uma economia com participação do Estado, como Vietnã, Indonésia, Malásia, Índia e Coreia do Sul, dentre muitos outros.
Os Estados Unidos serão cada vez mais agressivos com os países da América Latina.
China, Rússia e Irã se fortalecem como grandes potências, cada um à sua medida. Os Estados Unidos tendem a se radicalizar e sofrer uma convulsão interna, guerra civil e secessão.

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