De início foram os muros uma tentativa de criação de um mundo restrito. Depois vieram os condomínios fechados, posteriormente os shopping centers e, hoje, as mídias sociais.
Embora pareçam ser democráticas e abertas a todos, as mídias sociais são excludentes. Excluem os que não se adaptam à dita modernidade e seus acessos digitais e aqueles que não tem acesso à internet e seu mundo eugenista por absoluta falta de condição econômica.
A mídia social funciona como um processo de seleção dos melhores, dos aptos a fazerem parte do mundo virtual.
Sendo uma bolha, as mídias sociais criam mundos perfeitos. Rostos bonitos. Sorrisos. Mundo de consumo. Locais turísticos deslumbrantes. O mundo das mídias sociais se resume a isso.
Pessoas em situação de rua, dependentes de drogas, vítimas de violação de direitos civis e de direitos humanos não são co-partícipes da bolha, mas objeto de julgamentos por autodenominados influenciadores digitais e pretensos comentaristas.
A mídia social facilita a aplicação nua e crua da eugenia. A ela só tem acesso quem passa pela seleção por cor, comportamento social, condições econômicas etc.
O mundo das mídias sociais é perfeito e tem uma ética própria.
Jesus, que convivia com os pobres e os excluídos no mundo real, passa a não ser aceito ou a ser reconfigurado, midiatizado, para que passe a ser um participe do mundo eugenista das mídias sociais. Jesus, assim, para boa parte dos pseudo cristãos, passa a defender armas e sucesso financeiro, ao invés do amor, compaixão e fraternidade.
A realidade fática passa a ser deturpada. No mundo das mídias sociais não se tem mais respeito pela verdade e pelos excluídos.
Para a nova geração, viver com sucesso é aparentar ter sucesso nas mídias sociais. Sorrir, se expor e mostrar pratos bem montados não é apenas ingenuidade ou carência de atenção, é, sim, muitas vezes, a tentativa de mostrar uma boa vida e um sucesso muito distante da vida real.
A eugenia não está apenas nas mídias sociais, mas os seus efeitos estão se incorporando na mente das pessoas.
A realidade trazida e defendida nas mídias sociais, antagônica ao mundo real, é moldada por preconceitos, ignorância e má-fé. É retrato da eugenia surgida nos Estados Unidos e adotada pelos nazistas.
Mas não é só esse o mal trazido pela internet e pelas mídias sociais. Há, além do ódio, da superficialidade e da segregação, o aniquilamento da cidadania.
Os Estados-Nação, com raras exceções, acolheram as grandes mídias sociais dos Estados Unidos e se submeteram não apenas ao seu poderio econômico, político e geopolítico, mas à segregação econômica e social. Pior, foram adotando atendimentos on-line, procedimentos a serem adotados no campo da internet, de forma a excluir, também por isso, pessoas sem condições intelectuais, motoras ou econômicas.
A cidadania, que não era integral, como deveria ser, passa a ser cada vez menos acolhida pelo Estado. Os excluídos da cidadania aumentam vertiginosamente nos mundo virtual. Idosos, pessoas em situação de rua, pessoas sem condições financeiras, passam a ser excluídos de serviços públicos por não terem condições de acesso ao mundo virtual.
A eugenia das mídias sociais é agravada pelo falta de acesso a todos à cidadania no mundo digital implantado pelos Municipios, Estados e União.
O mundo belo, visto e idealizado por muitos, esconde a podridão da desumanização, da não percepção, da segregação e da impossibilidade de acesso à cidadania.
Da forma que está, será o fim dos Estados como conhecemos e a criação de uma massa acrítica que sublima a segregação e o ódio.
Apenas com mídias sociais locais e controladas pela sociedade, e não por mega grupos empresariais, e com amplo e ilimitado a acesso a todos ao mundo virtual, é que se propiciará acesso à cidadania.
O Estado, portanto, tem papel fundamental na regulamentação, seja para evitar a prática impune de condutas criminosas, seja para garantir que algoritmos não criem terror social, seja ainda, na ampliação da informatização dos serviços, para garantir pleno e amplo acesso a todos, com efetivo fortalecimento da cidadania.
Um mundo melhor é possível, mas não da forma como vem sendo conduzido pelo império, suas Big Techs e governos neoliberais.