É incrível como a sociedade de massas, a cultura de massas, o consumismo de massas, o capitalismo de massas e neoliberalismo de massas distorceu o senso crítico das pessoas ao longo dos tempos.
O Estado brasileiro, com sacrifícios, e a partir de 1930, com Getúlio Vargas, foi o intermediário na queda de braços do então mercado, então fabril, de pequenas e médias fábricas, com os cidadãos brasileiros.
Para isso, Vargas instituiu leis trabalhistas, posteriormente convertidas na Consolidação das Leis do Trabalho, direito à previdência social e aposentadoria, direito à saúde e educação públicas universais.
Com o Estado brasileiro como importante ator na economia, surgiram as indústrias siderúrgicas, a indústria de caminhões brasileira, as grandes indústrias nacionais e, em seguida, vieram para cá as montadoras europeias e estadunidenses. O emprego era bem remunerado e as indústrias cresciam.
Dos anos 1930 a 1980 o Brasil teve o maior crescimento mundial. O sistema econômico era capitalista, mas moldado pelo nacional desenvolvimentismo de Vargas, Juscelino, Jango e Geisel.
A China, um país com uma economia muito inferior à brasileira no período, enviou especialistas para estudarem o sistema brasileiro e algumas indústrias nacionais.
Com um sistema capitalista onde o Estado é o promotor do crescimento e condutor da economia, a China tornou-se a maior economia do globo em razão de sua produção (embora muitos falem que ela é a segunda). O Brasil, ao adotar o neoliberalismo no final dos anos 1980 e inicio dos anos 1990, caiu em industrialização e em empregos bem remunerados, deixou de ter crescimento vertiginoso e concentrou capital nas mãos dos já milionários. Nesse meio tempo, e não foi por mera coincidência, nasceram as perigosas organizações criminosas no Rio de Janeiro e em São Paulo., com aumento do consumo de entorpecentes.
O mercado, agora de capitais financeiros, vangloria o neoliberalismo, reduzindo o Estado, a capacidade regulatória do Estado, os direitos trabalhistas e a proteção social do trabalhador. O trabalhador fica exposto a uma exploração direta, sem garantias, e muitos aplaudem, como se esse trabalhador tivesse se tornado empresário ou empreendedor. Ledo engano. Esse sujeito que vende seus serviços não tem proteção nenhuma e, se não se programar, nem aposentadoria terá em sua amarga e triste velhice.
Mesmo assim, uma parte da massa de mal remunerados vê o mercado, agora concentrado no sistema financeiro, como a salvação da pátria. Não. Sinto informar que o mercado remunera bem quem tem capital investido, mas não se preocupa tanto com o capitalista que produz, que fabrica e comercializa e menos ainda com aquele "capitalista" que apenas tem o seu serviço como fonte de renda.
Graças a pessoas inconsequentes, dentre elas parte da população, de políticos e de governantes, o Brasil está afundando, vendendo estatais construídas com o suor do povo brasileiro para o sistema financeiro nacional ou para grandes empresas e estatais estrangeiras a preço baixo.
O que deu certo no Brasil e equilibrou os interesses do mercado e de trabalho foi o nacional desenvolvimentismo. Tudo que se arrisca fora dele no Brasil deu e possivelmente dará errado.
A ex-presidente Dilma, uma nacionalista de enorme grandeza, tentou reimplantar o nacional desenvolvimentismo, mas ao mesmo tempo foi alvo de espionagem estadunidense e de um triste golpe de Estado articulado pela CIA, com apoio de agentes do Judiciário, do Ministério Público e de muitos congressistas brasileiros. Sofreu impeachment e foi afastada. O crime que cometeu? O de querer o Brasil grande e soberano.
O Brasil mal tentou sair do neoliberalismo e foi cooptado por ele. Temer e Bolsonaro implantaram algo precursor ao que o pseudo astro de rock jocoso e agora presidente a Argentina, Javier Milei, está implantando em seu país, o fim do Estado-Nação. Lula adota um neoliberalismo bem mais moderado, com ações sociais e geopolítica parcialmente independente.
A pergunta que fica é quando o Brasil poderá retomar com altivez seu crescimento econômico, social e geopolítico? Quando poderá voltar a se industrializar e investir em tecnologia nacional?
O neoliberalismo não pensa no conjunto econômico, mas apenas no lucro imediato. O nacional desenvolvimentismo precisa voltar a entrar em ação, mas quem terá força e coragem para isso, afrontando os interesses do império, que nos quer incapazes de qualquer sucesso tecnológico, econômico e social?
Os neoliberais interessam aos Estados Unidos e esse aos liberais radicais entreguistas. Essas eleições serão novamente entre nós e eles, mas agora entre nós brasileiros e eles entreguistas e estadunidenses. A disputa não será fácil, e lembre-se que o Brasil, sua soberania e suas riquezas já estão abertamente em jogo.
Trump não titubeia em tentar roubar as riquezas de outros países. Vide o que falou do Canadá, do México e da Groenlândia, e do que fez contra a Venezuela e o que está a fazer contra o Irã. O Brasil, maior país em economia, território, população e riquezas minerais do continente sul americano, está na mira. Somos o alvo prioritário.
Um Brasil rico e altivo nunca interessou aos Estados Unidos. Seríamos o que já nos chamaram de Japão ou China das Américas, uma potencial ameaça à supremacia estadunidense.
Mas temos que escolher. Ou seremos grandes econômica e geopoliticamente, como temos condições de sê-lo, ou continuaremos a nos limitar a ser uma grande fazenda a servir o império, onde atuam organizações criminosas cada vez mais fortes, políticos oportunistas e financistas que também não se preocupam com o país?

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