BASTA AUMENTAR A VERBA DESTINADA À DEFESA?


Já começo o texto respondendo à pergunta constante do título. Não, não basta aumentar a verba de defesa para que o Brasil tenha capacidade defensiva real.

O aumento da verba destinada à defesa é importante, mas não suficiente por si só.

Previamente à destinação dos recursos, o Brasil precisa apresentar um projeto duradouro e permanente de fortalecimento da defesa, incluindo aí o aumento de repasse de recursos, o incentivo à indústria bélica nacional, o incentivo ao desenvolvimento tecnológico de empresas - em especial de defesa e bens de segurança pública - em parceria com universidades públicas brasileiras e fomento das grandes empresas tecnológicas militares, de satélite, sistemas de navegação por satélite e de comunicação, de caminhões, veículos militares diversos e mísseis de longo alcance em parceria com a iniciativa privada ou por indústrias estatais ou de economia mista.  

Isso aumentaria a capacidade tecnológica brasileira, possibilitando não só economia de recursos e empregos, mas autonomia, autossuficiência e independência tecnológica e aumento significativo na geração de PIB nacional, evitando a evasão de recursos significativos. 

E em uma guerra, a produção brasileira evitaria cortes de suprimentos ou bloqueio de tecnologia por parte de nações imperialistas, o que poderia provocar o pronto desabastecimento e a consequente derrota para o potencial inimigo. 

O projeto de defesa deve prever a industrialização bélica brasileira, incentivos e planos de médio e longo prazo, inclusive com previsão e garantia constitucional de continuidade. 

Paralelamente, o projeto deve prever a produção no Brasil dos bens e serviços destinados às forças de segurança (polícias), que adotam certa similaridade com produtos e serviços destinados às Forças Armadas e permitem a ampliação da produção e aumento de lucratividade, além de aumento na velocidade de capacidade produtiva de bens tecnológicos.  

O Brasil é grande demais para não ter uma indústria de defesa consistente. A Embraer e a Avibras são importantes, mas não são suficientes.

Além de produtos de altíssima tecnologia, precisamos produzir o básico, em especial os meios de transporte, que não podem ser relegados nesse projeto.

A defesa do Brasil não pode ser vista como projeto de governo, que muda a cada quatro anos, mas de Estado, de compromisso de todos.

Que as nossas Forças Armadas sejam capazes de, primeiro, dissuadir, mas também, se necessário, de proteger as fronteiras, os pontos estratégicos e a população, e também de revidar à altura.

A defesa do Brasil tem que ser compromisso e responsabilidade de todos nós.

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