quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A CRISE SÍRIA, A GEOPOLÍTICA MUNDIAL NESSE INSTANTE E O BRASIL

OS ESTADOS UNIDOS LUCRAM COM O RESULTADO DA CRISE NA SÍRIA E CRESCEM

Não basta aos Europeus atacar o Estado Islâmico e fomentar outros grupos rebeldes a Assad (presidente sírio). Enquanto tomar atitudes desse estilo, a União Europeia estará sujeitando diversos de seus países a uma avalanche de refugiados sírios desesperados por um porto seguro.

Enquanto isso, os Estados Unidos, que treinaram muitos dos militantes do Estado Islâmico e demais rebeldes sírios, recebem poucos refugiados, crescem economicamente e fazem um acordo com uma dezena de países no Pacífico. Se a cartada americana era crescer às custas da Europa, que sofreria com a crise com os refugiados, enquanto estava tentando se recuperar da forte crise que vivencia desde 2008, parece que conseguiu.

Por outro lado, se os estadunidenses pretendiam frear o crescimento chinês, também estão conseguindo.  Eles enfraqueceram política e economicamente a Rússia e o Brasil, ao mesmo tempo em que estão minando a popularidade dos líderes de esquerda em toda a América Latina, com os quais a China mantinha bons laços econômicos e firmou acordos com investimentos massivos. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos movimentam suas tropas em sentido às fronteiras da China e da Rússia, ou seja, estão cercando seus rivais geopolítico (Rússia) e econômico (China).

A Índia, outro membro dos BRICS, ao lado do Brasil, Rússia, China e África do Sul, mantém contatos com China, Rússia e também os Estados Unidos e não ameaçam a grande potência militar do planeta, os Estados Unidos. Porém, estão para ocupar o 7º lugar no PIB mundial, deixando o Brasil para trás.

BRASIL

O Brasil enfrenta uma séria crise política e econômica e uma tentativa nunca dantes vista de quebrar a Petrobras, que deixaria de explorar vários campos de petróleo e de ampliar o refino limitado de petróleo, para meramente exportar óleo cru, importando ele já refinado. Ou seja, gastaria muito mais e se tornaria dependente do exterior, deixando de industrializar-se, criar mais empregos e produzir dólares. Esse sério alerta foi dado na revista Diplo, Le Monde Diplomatique Brasil, edição de setembro.

Se a ideia dos Estados Unidos eram barrar a China das Américas, conseguiu, e facilmente. Isso não tira a responsabilidade de Lula, Dilma e do Partido dos Trabalhadores, mais preocupados em criar multinacionais brasileiras do que em fomentar a industrialização massiva no interior do país.  Hoje, as maiores cervejarias do mundo têm sócios brasileiros; as maiores exportadoras de frango também, alguns dos bancos mais bem estruturados, bem como uma das maiores redes de fast food do mundo. Mas isso não tem colaborado com o crescimento acelerado do país. Ao contrário, implicou em remessa de dinheiro para o exterior e a criação de unidades industriais em solos estrangeiros e uma política que premia investidores no mercado financeiro ao invés de produtores.

Não é necessário dar golpe para mudar a política social. A presidente Dilma já está fazendo isso por conta própria. No entanto, setores conservadores tentarão, a todo custo, ocupar o governo federal no tapetão.

Se os Estados Unidos ficarão quietos, ou não, não sabemos, já que a desestabilização do Brasil não interessará a eles, que voltaram a crescer e querem seus vizinhos pacificados e aliados, mas sem turbulências próximas. Embora queiram o controle e assegurar estabilidade, a prioridade dos Estados Unidos é a Ásia, e não a América do Sul.

Talvez os Americanos invistam no Brasil, assegurando certa estabilidade a Dilma, que já tem um governo mais próximo daquilo que lhes convêm, afastando ao mesmo tempo o gigante sul americano da China e de outros líderes esquerdistas do continente.

Mas se a “esquerda” no Brasil cair, os governos da Argentina e da Venezuela não sobreviverão. Os Estados Unidos podem ajudar um pouco a economia do Brasil, mas não a ponto de dar carta branca ao governo Dilma.

RÚSSIA E OUTROS PAÍSES

A Rússia, hoje, não é a potência que interfere em todo o planeta, como fazia a URSS décadas atrás, mas devido ao seu poderio militar e às ações geopolíticas estratégicas pontuais, ainda faz a diferença, ao contrário da China, que se atém basicamente ao fortalecimento do seu exército, sem grande papel no cenário mundial.

A Rússia percebeu há tempos a intenção da União Europeia e dos Estados Unidos isolarem-na, seja com a cortina de mísseis Patriot de defesa na Turquia e Polônia, seja com as ações militares na Ucrânia e com as guerras patrocinadas pelos Estados Unidos e União Europeia nos países que lhe são próximos, Iraque, Afeganistão e Paquistão.

A ação russa e de outros países integrantes da Organização do Tratado de Segurança Coletiva, Bielorússia, Armênia, Tadjiquistão, Cazaquistão e Quirguistão, na Síria, visa evitar que venham a sofrer em seus solos com as ações terroristas do Estado Islâmico. A Rússia também almeja garantir que a sua marinha tenha um porto no Mediterrâneo, de fronte aos países europeus, numa região estratégica, ao mesmo tempo em que manteriam um aliado numa região em que os Estados Unidos, Israel, Irã e Arábia Saudita, predominantemente, ditam as regras.

Os russos já comunicaram que enfrentaram não só militantes do Estado Islâmico, mas aviões turcos e israelenses que sobrevoavam a Síria. Ou seja, a guerra da Síria reflete no mundo todo e interessa a diversos países. Aos Estados Unidos, em especial, por diversos motivos, seja por tirar um rival do poder e fortalecer o seu aliado israelense, seja por criar, com os refugiados, uma situação de crise para os europeus, permitindo que cresça sem a concorrência no oeste do globo.

A Israel, a crise na Síria serve de pretexto para enfraquecer os seus opositores Hezbollah e Irã, ao mesmo tempo em que fomenta militantes radicais (leia-se Estado Islâmico) que lutarão em vários outros países do Oriente Médio, enfraquecendo política e militarmente todos os seus vizinhos. Os sobrevoos de aviões israelenses e os ataques que têm ocorrido sistematicamente no território sírio contra alvos do exército sírio, demonstram que Israel não está apenas observando o que ocorre no seu país vizinho.

A Arábia Saudita fomenta o radicalismo islâmico, mas ao mesmo tempo defende países com ditaduras militares que lhes sejam favoráveis, como a do Egito. Visa ela manter a hegemonia no mundo muçulmano no Oriente Médio, afastando o seu rival Irã. Ao mesmo tempo aproxima-se de Israel, também aliado próximo dos Estados Unidos.

O Irã tem uma indústria pulsante e crescia muito economicamente, tendo sido freado por conta dos embargos agora amenizados. Com o acordo nuclear, o Irã voltará a ter a sua economia crescente, que é o que interessa ao atual governo. A médio prazo, inclusive, poderá fazer parte do bloco emergente dos BRICS. Questões geopolíticas não foram esquecidas, tanto que atua na Síria e no Iemen, para contrapor-se às ações da Arábia Saudita, que teria se aliado a Israel. O Irã afirma que os aviões sauditas que atacam o Iemen são conduzidos por pilotos israelenses, que teriam melhor preparo para essas missões.

SÍRIA

Enquanto o mundo se divide em questões econômicas e geopolíticas, os sírios e os curdos vêm sofrendo na carne e na alma os reflexos da mais grave crise humanitária das últimas décadas. Não bastasse o horror de uma guerra comum, as atrocidades praticadas por soldados de diversos países, além dos militantes radicais do auto denominado Estado Islâmico, que agravam a questão com atos de selvageria, já que prostituem, estupram, crucificam, apedrejam, queimam, esquartejam e fuzilam suas vítimas, tornam o viver desesperador.

A Síria está em ruínas e em cinzas e o seu povo foge desesperado.

Será que a população mundial está preparada para enxergar as questões humanitárias envolvidas nessa questão, deixando as econômicas e as geopolíticas para um segundo plano? Será que nos preocuparemos principalmente em salvar e preservar vidas? Será que gritaremos para que os líderes recebam os refugiados de guerra? Será que cobraremos dos nossos líderes que ajudem os deslocados internos na Síria? Será que cobraremos dos líderes políticos dos países envolvidos os esclarecimentos necessários e a abstenção de financiar ou intervir belicamente nesse conflito horrendo? Será que teremos manifestações pelo fim do conflito na Síria?

Os Caminhos são muitos. O antigo Caminho de Damasco, de Paulo, foi o de publicizar que Deus não punia ou se vingava, mas pregava amor e caridade. O atual exige isso dos humanos. Estaremos preparados para esse importante Caminho?

Para refletir:

Para viver, sinta, sonhe e ame.
Não deseje apenas coisas materiais.
Deseje o bem e multiplique as boas ações.
Sorria, sim. Mas ame mais.

Ame a si, aos outros, a quem está próximo e distante.
Ame quem errou e quem acertou.
Não diferencie.

O amor não julga. O amor não pune. O amor aceita.
Pense nisso e aceite a vida.

Vamos brincar com as palavras?



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