quarta-feira, 27 de abril de 2011

ENTRE A GRADE E O BUEIRO - PARTE IV

Diário Liberdade - Michael Collon
Parte do texto divulgativo de Michael Collon sobre a guerra imperialista contra a Líbia, as suas causas e as pistas para atuar no campo anti-imperialista.
 
Qual foi o papel dos serviços secretos?

Na realidade, o assunto libio não começou em fevereiro em Benghazi, mas em Paris a 21 de outubro de 2010. Segundo revelações do jornalista Franco Bechis (Liberto, 24 de março), foi nesse dia quando os serviços secretos franceses prepararam a revolta de Benghazi. Fizeram "voltar" (ou talvez já anteriormente) Nuri Mesmari, chefe do protocolo de Kadafi, praticamente o seu braço direito. O único que entrava sem chamar na residência do guia libio. Em uma viagem a Paris com toda a sua família para uma operação quirúrgica, Mesmari não se encontrou com nenhum médico, ao invés, teve encontros com vários servidores públicos dos serviços secretos franceses e com próximos colaboradores de Sarkozy, segundo o boletim digital Magreb Confidential.

A 16 de novembro, no hotel Concorde Lafayette, prepararia uma imponente delegação que devia viajar dois dias mais tarde a Benghazi. Oficialmente tratava-se de responsáveis pelo ministério de Agricultura e de dirigentes das firmas France Export Céréales, France Agrimer, Louis Dreyfus, Glencore, Cargill e Conagra. Mas segundo os serviços italianos, a delegação incluía também vários militares franceses camuflados em homens de negócios. Em Benghazi encontraram-se com Abdallah Gehani, um coronel líbio ao que Mesmari lhes tinha apresentado como disposto a desertar.

Em meados de dezembro, Kadafi, desconfiando, envia um emissário a Paris para tentar contactar com Mesmari. Mas é preso na França. Outros líbios vão de visita a Paris no dia 23 de dezembro e são eles que vão dirigir a revolta de Benghazi com as milícias do coronel Gehani. Além disso, Mesmari revelou quantidade de segredos da defesa líbia. De tudo isto resulta que a revolta no Leste não foi tão espontânea como se nos diz. Mas isto não é tudo. Não só foram os franceses?

Quem dirige atualmente as operações militares do "Conselho nacional Líbio" anti-Kadafi? Um homem justamente chegado dos EUA a 14 de março, segundo o Al-Jazzira. Apresentado como uma das duas "estrelas" da insurreição líbia pelo diário britânico de direitas Dail Mail, Khalifa Hifter é um antigo coronel do exército líbio passado pelos EUA. Foi um dos principais comandantes da Líbia até a desastrosa expedição ao Chade no final dos 80; emigrou imediatamente para os EUA e viveu os últimos vinte anos na Virgínia. Sem nenhuma fonte de rendimentos conhecida, mas a muito pouca distância dos escritórios da CIA10. O mundo é um muito pequeno.

Como pode um alto militar líbio entrar com toda a tranquilidade nos EUA em uns anos após o atentado terrorista de Lockerbie, pelo que Líbia foi condenada, e viver durante vinte anos tranquilamente ao lado da CIA? Por força teve que oferecer algo em troca. Publicado em 2001, o livro Manipulations africaines de Pierre Péan, traça as conexões de Hifter com a CIA e a criação, com o apoio da mesma, da Frente Nacional de Libertação Líbia. A única façanha da tal frente será a organização em 2007, nos EUA, de um "congresso nacional" financiado pelo National Endowment for Democracy11, tradicionalmente o mediador da CIA para manter oleadas as organizações ao serviço dos EUA...

Em março deste ano, em data não comunicada, o presidente Obama assinou uma ordem secreta que autoriza a CIA para empreender operações na Líbia para derrocar Kadafi. O Wall Street Journal, que informa disso a 31 de março, acrescenta: "Os responsáveis pela CIA reconhecem ter estado ativos na Líbia desde fazia em várias semanas, tal como outros serviços secretos ocidentais".

Tudo isto já não é muito secreto, circula por internet desde faz algum tempo; o que é estranho é que a grande mídia não diga nem palavra. No entanto conhecem-se muitos exemplos de "combatentes da liberdade" armados deste modo e financiados pela CIA. Por exemplo, nos anos 80, as milícias terroristas da contra, organizadas por Reagan para desestabilizarem a Nicarágua e derrocarem o seu governo progressista. Nada se aprendeu da História? Esta "Esquerda" européia que aplaude os bombardeios não utiliza a internet?

Terá que se estranhar de que os serviços secretos italianos "delatem" assim as façanhas dos seus colegas franceses e que estes "delatem" os seus colegas americanos? Isso só se se acredita em histórias bonitas sobre a amizade entre "aliados ocidentais" Já falaremos...

Para refletir:

Para viver, sinta, sonhe e ame.
Não deseje apenas coisas materiais.
Deseje o bem e multiplique as boas ações.
Sorria, sim. Mas ame mais.

Ame a si, aos outros, a quem está próximo e distante.
Ame quem errou e quem acertou.
Não diferencie.

O amor não julga. O amor não pune. O amor aceita.
Pense nisso e aceite a vida.

Vamos brincar com as palavras?



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