O princípio básico de qualquer Estado democrático é permitir manifestações populares, afinal a soberania desses Estados reside no próprio povo, detentor da razão de ser dessas Nações.
As manifestações só não teriam legitimidade se fossem incentivadas por setor político para a destituição do chefe do executivo eleito democraticamente ou se fossem financiadas por agente internacional, pois aí haveria manipulação e interferência na vontade popular.
Ao que parece, as manifestações na Europa, que se dão cada vez com maior intensidade, são espontâneas e, portanto, legítimas. Se há depredação de patrimônio público ou privado, isso deve ser resolvido pontualmente, sem afetar a legitimidade da manifestação em si.
Alguns desses países afetados pelas manifestações, no entanto, dizem que não se trata de manifestação, mas de terrorismo, como França e Itália.
Porém, tratar manifestação legítima como terrorismo é vedar a manifestação popular.
O que ocorre na Europa é muito diferente do ocorrido no Irã, onde as aparentes manifestações populares em 2025 e início de 2026 foram incentivadas por agentes externos e com manifestantes armados que alvejavam forças de segurança e a população em geral. No Irã, sim, os atos eram uma tentativa de golpe de Estado e tinham que ser contidos. Na Europa, no entanto, a situação é totalmente diversa.
Tratar manifestações populares por melhores salários, melhores condições na saúde e educação públicas como terrorismo é uma afronta à soberania popular e uma tentativa de golpe por parte do próprio governo.
A democracia liberal, ocidental, cada vez mais se evidencia como uma farsa.
Quem manda nesses Estados liberais é quem detém o poder econômico. A soberania já não é popular e parece nunca ter sido.
Estado não pode se confundir com economia. A economia é apenas uma forma de organizar as relações de produção, consumo e arrecadação tributária. O Estado deve ser ligado diretamente ao povo, detentor da soberania nas democracias. A economia, portanto, deve ficar sempre submetida à vontade popular e não o contrário. Quando a força econômica interfere na política e no Estado não se pode falar em democracia.
De certa forma está certa a China, onde o poder econômico se submete sempre à vontade popular, ou seja, o Estado e o povo estão acima do poder econômico e de quem o representa.
Ainda que não se possa falar que a China é uma forma de democracia ocidental, a proteção do Estado contra o poderio econômico é uma forma legítima, eficaz e eficiente de proteger a soberania popular.
Afinal, o que interessa à população é que o Estado permita que todos tenham condições de vida dignas, com saúde, educação e segurança pública eficientes.

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