O debate na Band foi horrível, para dizer o mínimo. Foi um show de horrores, de desrespeito de um candidato a outro e ao telespectador.
Em um estúdio devidamente montado, com orquestra e tecnologia de ponta fornecida pelo Google Brasil, o que era uma promessa de grandiosidade saiu pequeno demais. Uma decepção.
A Bandeirantes foi a primeira emissora a transmitir um debate político na tevê brasileira. Já segurou na unha Leonel Brizola, Mário Covas, Paulo Maluf e tantos outros nomes da história política brasileira dos últimos 45 anos. E já teve apresentadores brilhantes, que tentavam e conseguiam, não sem um confronto difícil, conduzir o show segurando no gogó a plateia e os próprios debatedores. Alguns desses apresentadores herois já se foram, como Joelmir Betting e Boechat.
A TV Bandeirantes tem ótimos jornalistas, ao mesmo tempo contundentes e carismáticos, como a bela Adriana Araújo. E não faltariam ótimas perguntas sobre o que efetivamente interessa ao espectador, as promessas de campanha e o projeto político de cada candidato. Porém, a ênfase foi o confronto aberto entre os dois candidatos, um relativamente jovem e outro um senhor de 80 anos de idade.
Não respeitaram o idoso Lula nem o público. Foi uma espécie de humor à MMA de péssimo gosto.
Flávio Bolsonaro tentou usar o seu espaço de qualquer forma, e foi treinado para isso. Posicionava-se atrás do presidente Lula e o ironizava, quando aquele falava sobre um programa de governo. Uma vergonha. Os condutores deveriam ter advertido o candidato já de início.
A forma de responder de Flávio, de se esquivar das perguntas, de andar, tudo no debate, é muito assemelhada ao do governador de São Paulo, seu forte aliado. Assim não é difícil deduzir que quem orientou um, também orientou outro. O pior é que ouvi jornalistas dizerem que Flávio teria imitado, na verdade, Donald Trump, o arrogante presidente dos Estados Unidos e que está movendo o mundo para eleger o seu assecla e fornecedor de muitas riquezas a preço de banana, Flávio Bolsonaro.
Será que a orquestração de Donald Trump chega até esse ponto de treinar para o debate? Qual a fortuna que ele gastou nisso? Quanto Flávio teria realmente gasto nisso tudo?
Uma tevê que nem a Bandeirantes, tradicional em cobertura política, deveria ter se preparado e organizado melhor para um debate de tal envergadura. Ela perdeu, Lula perdeu e o público também. Flávio Bolsonaro, que sempre se esquiva, omite e mente, se sentiu a vontade para dar um show, de horrores! Para mim isso não é ganhar, é achincalhar.
Não bastasse o labirinto da internet para deixar o eleitor perplexo e assustado, dessa vez a tevê não cumpriu o papel esperado, de conduzir um debate de ideias e programas em prol do público espectador, potencial eleitor de um dos candidatos debatedores.
Porém, se eu cheguei a uma conclusão, outros espectadores também devem ter chegado, pois é perceptível a falta de seriedade de Flávio Bolsonaro. A alguém que está indeciso, Flávio não passa segurança, muito pelo contrário. Assume ele a figura de deselegante e descomprometido com o eleitor. Lula, embora visivelmente cansado, com voz menos vibrante, e no auge dos seus 80 anos, mesmo com um aparente despreparo emocional, e desrespeitado no tatame eleitoral, se saiu melhor, pois se mostrou mais autêntico.

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