PROTESTOS NA FRANÇA: PRENÚNCIO DE MANIFESTAÇÕES VIOLENTAS POR TODA EUROPA E NA AMÉRICA LATINA?


A França é o berço do iluminismo, e sua Revolução que esculpiu na humanidade os princípios da liberdade, igualdade e fraternidade ainda iluminam os jovens estudantes.

As manifestações violentas que deixam vítimas do lado dos estudantes e também das forças de segurança, que temos visto nos últimos dias na França, têm um motivo: o corte de verbas na área da educação pública, reflexo das políticas neoliberais agravadas pela participação nada discreta do governo francês na guerra da Ucrânia.

A Alemanha sofre com a desindustrialização, provocada pelo encarecimento da energia, que tornou sua indústria pouco competitiva e, por consequência, acarretou demissões massivas. A Inglaterra, até pouco tempo uma potência militar com bases navais espalhadas pelo globo, e ícone do capitalismo industrial, sofre com a desindustrialização e problemas econômicos.

Logo as manifestações devem se expandir pelos países que adotaram e adotam políticas neoliberais e que se encontram em crise econômica, agravada também pela participação da Europa na guerra da Ucrânia contra a Rússia.

Não agora, mas em breve, essas manifestações também devem ocorrer na nossa América Latina, devido aos cortes na saúde e educação pelos governos de extrema direita que dominam o panorama político do continente. A Argentina deve ser um desses primeiros países.

Para quem pensa que a direita é a solução para os problemas, na verdade ela faz parte e é grande parte dos problemas, seja pela visão tacanha que tem da política, seja também pela pouca atenção que dá às questões sociais.

Com um governo Trump enfraquecido após as eleições de meio de mandato, esses governos de extrema direita da região devem começar a enfrentar constantes e massivas manifestações populares contra as políticas econômica e social adotadas por esses governos. Se o Brasil eleger um presidente de extrema direita, certamente sofrerá os efeitos dessas manifestações também em breve.

O direito a uma educação de qualidade, tanto na área pública, quanto na iniciativa privada, é um direito mais que centenário e nenhum governo terá legitimidade para violar o princípio da igualdade assegurado já na Revolução Francesa e nas diversas Constituições no mundo afora, inclusive na nossa brasileira. Se o mandatário o fizer, em desrespeito ao povo, correrá o risco de ver de perto manifestações cada vez mais agressivas, beirando a gravidade da imposição da guilhotina, a mesma que matou o rei francês.

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