O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL DE JOELHOS PERANTE OS EUA E A EXTREMA DIREITA


O nosso Supremo Tribunal Federal teve um papel importante ao longo da história. Muitos de seus Ministros resistiram bravamente aos excessos da ditadura de 1964, para garantir direitos civis e humanos aos cidadãos brasileiros e, mais recentemente, a Corte condenou os autores intelectuais e os participantes da tentativa de golpe com o início de sua execução em 08 de janeiro de 2023. O expresidente golpista está preso, ainda que no forma domiciliar.

Em represália, Donald Trump aplicou sanções contra Ministros envolvidos na condenação de Jair Bolsonaro, além de outras autoridades. E os Ministros resistiram corajosamente, não dobrando os joelhos.

O Papel do Supremo para garantir a democracia e evitar tentativas de golpe se demonstrou notório e o conservador Alexandre de Moraes se tornou ídolo para muitos direitistas, centristas e até esquerdistas que prezam pela estabilidade democrática.

Recentemente, ex-agentes da CIA denunciaram que o famoso órgão de inteligência dos Estados Unidos estava atuando nas informações divulgadas às mídia nacional e internacional, em favor do candidato Flávio Bolsonaro.

Os jornalistas investigativos procuraram e, aparentemente não encontraram evidências dessa interferência, que na verdade ocorria há mais de um ano (desde que Trump aplicou a Lei Magnitisky contra Ministros do STF e aplicou tarifas aos produtos brasileiros muito acima da média mundial). Aonde elas estariam, perguntavam-se, até que o jornal britânico The Guardian revelou documentos que atestam que Donald Trump financiou - com mais de 1 milhão de dólares - campanha contra o Supremo Tribunal Federal a poucos dias do primeiro turno das eleições a presidente no Brasil. Ou seja, um país estrangeiro intervinha de novo e diretamente em nosso processo eleitoral a favor de um candidato declaradamente entreguista.

E se você retornar questão de 30 dias, verificará a liberação de documentos pelo Ministro André Mendonça envolvendo o Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e André Vorcaro, ex-dono do extinto Banco Master. Ou seja, estava tudo orquestrado. Havia até prazo combinado para cada uma das ações. Quem manipulava os documentos liberados por Mendonça eram delegados da polícia federal de viés bolsonarista que fizeram cursos com agentes de inteligência nos Estados Unidos e já haviam trabalhado para o André Mendonça quando este foi o Ministro da Justiça de Jair Bolsonaro.

Quase no mesmo instante, os Ministros indicados por Jair Bolsonaro tomam posse como Presidente e vice-presidente do Tribunal Superio Eleitoral, conduzindo as eleições de 2026, o que enfraquece a ação do Supremo Tribunal Federal. 

A orquestração de Trump enviando dinheiro para a campanha contra o STF ao mesmo tempo em que o TSE era presidido por Kassio Nunes e André Mendonça, em que este último liberava documentos para desestabilizar a Corte Suprema parece evidenciar o campo de ação da inteligência estadunidense: desmoralizar autoridades públicas brasileiras, em especial do STF. Aí estaria e está o campo de atuação primordial da CIA, como parece evidente!

Mas, a imprensa nada fala sobre essas evidências tão claras. Mas cabe aqui uma pergunta. Em um momento de tanta pressão contra o STF e Flávio Bolsonaro já dizendo em pedir impeachment de Ministros da Suprema Corte, terão os Ministros coragem de agir como se espera das autoridades máximas do Judiciário brasileiro, aplicando a legislação eleitoral com as penalidades cabíveis aos candidatos e partidos beneficiados diretamente com a ação estadunidense.

A ligação do Partido Liberal e da família Bolsonaro com a aplicação das sanções ao STF e com o benefício extraído da desmoralização da Corte Suprema é evidente.

Há um texto muito interessante sobre financiamento estrangeiro nas eleições publicado no site do Consultor Jurídico (CONJUR), de autoria de Isabel Brikieviscz Teixeira e Danilo Vital (clique aqui para acessar).

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