O QUE NOS ESPERARIA EM UM EVENTUAL GOVERNO DE FLÁVIO BOLSONARO?
De uma coisa eu tenho certeza, um suposto governo Flávio Bolsonaro seria um governo extremamente autoritário. E por qual motivo digo isso? Primeiro pelo histórico da família. Segundo porque ele tem um número alto de deputados federais e de senadores, podendo conseguir maioria se souber negociar com os partidos. Terceiro, porque a família sempre foi contra um controle judicial de seus atos. Vide a fala antiga de Eduardo Bolsonaro de que fecharia o Supremo com um cabo e um sargento. Vide também os ataques frequentes de Jair Bolsonaro, ao STF, citando nominalmente Alexandre de Moraes e Luis Roberto Barroso e atacando-os. Vide também a fala de Flávio Bolsonar de que haverá o impeachment de Ministros da Corte e de que teria a fazer a nomeação de 4 ou 5 Ministros do STF, o que lhe daria maioria e o controle do Tribunal Superior. Quarto, em razão dos radicais de direita que são próximos a ele. Quinto seria o armamentismo, que embora não seja uma evidência de autoritarismo, serve certamente como estímulo ao enfrentamento e à agressividade. Sexto motivo seria o comportamento de outros presidentes de extrema direita eleitos na região, como o da Colômbia, que não mede palavras nem ações. O sétimo, e principal, são as ações prometidas de redução de gastos com educação, saúde e aposentadorias, ou seja, contra direitos sociais da maioria da população, o que deve acarretar manifestações populares frequentes e massivas, com a consequente reação violenta de repressão pelas forças policiais.
O autoritarismo está próximo ao despotismo e à ditadura e a golpes contra a democracia, o Estado de Direito e à soberania popular. Donald Trump, o presidente atual dos Estados Unidos, afronta constantemente os outros Poderes, as instituições públicas e o Estado de Direito, mas sem ter dado um golpe de Estado. Certamente Flávio Bolsonaro fará o mesmo, considerando-se a explanação e as razões apresentadas no primeiro parágrafo.
EXTREMA DIREITA COM PODERES ETERNOS?
Dar um golpe é possível, mas não é necessário para que a direita se perpetue no poder. As fraudes no sistema eleitoral não ocorrem nas urnas. Ocorrem antes, através de postagens massivas nas redes sociais com deturpação da realidade, fake news contra os opositores, através de financiamento muitas vezes do exterior e também por meio de particulares que prometem bitcoins, além do financiamento legal de campanha. A disputa não é justa, mas a Justiça Eleitoral ainda não consegue perceber e alcançar todas as formas hodiernas de interferência nas eleições, inclusive de governos estrangeiros. Quem perde com isso é a soberania popular, que ao invés de ter o direito de conhecer a realidade, se torna objeto de injusta e forte manipulação, alterando a sua capacidade de percepção e a própria liberadade de escolha. Em situações assim, o correto seria anular o pleito e adiar as eleições que somente poderiam ocorrer após uma devida e severa regulamentação das redes sociais para a proteção das criança, dos jovens, das mulheres, de todos, em especial dos eleitores e da soberania popular garantida constitucionalmente. A Constituição dispõe que todo poder emana do povo. Daí advém a sua soberania. Se ele é manipulado, isso é fraude e o pleito não poderia ser validado.

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