Os bolsonaristas radicais são famosos por serem violentos contra quem pensa diferente, mas nem todos que apoiam Flávio Bolsonaro são assim.
Embora haja a aparência de que todos bebem detergente, se comunicam com ETs com celulares na cabeça e idolatram pneus, a verdade é que a maioria também tem reivindicações, mas foi seduzida pelo discurso fácil e de ódio ao que está aí, como se tudo fosse responsabilidade de Lula. Cansados, muitos acabaram aderindo ao discurso efetivamente vazio de Flávio, mas que tem efeito perante a massa, com frases de forte impacto.
A verdade é que Flávio não apresenta o seu projeto à população, porque é absolutamente impopular, e não por outro motivo. Ora, ele já tem até ministra da economia. Ele, então, já fez uma escolha. Aliás, já havia feito há muito tempo. Quer copiar a política econômica falida de Milei. O que não deu certo lá não dará certo aqui. Mas como há grandes interesses envolvidos, ele foi seduzido pela pressão dos donos do capital.
Mas voltemos ao tema que havia iniciado. Se muitos bolsonaristas estão descontentes, há que ser explicado para eles que o que está acontecendo aí não se deve ao Lula, mas principalmente ao próprio Flávio Bolsonaro e seu pai.
Vamos aos temas.
POLÍCIA FEDERAL - Ela precisa ser melhor aparelhada e com mais pessoal? Creio que os dois lados da política concordem com isso. O que ocorreu à época de Bolsonaro é que a Polícia Federal sofria forte interferência do Palácio do Planalto, com mudança de diretores e até do próprio Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sr. Sérgio Moro.
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - Creio que os dois lados políticos concordem que os Ministros têm que ter limites, sejam éticos, sejam até jurisdicionais, não podendo interferir nos poderes a todo instante. A proposta do presidente Lula de que os Ministros tenham mandato, ou seja, limite de tempo de atuação na Corte, e que sejam indicados por uma Comissão e não pelo Presidente, é interessante e pode desvincular o indicado de eventuais ligações políticas umbilicais.
ECONOMIA - A ideia de que o Brasil precisa se reindustrializar e que precisamos desenvolver nossas indústrias de tecnologia e bélica parecem atender aos dois lados políticos. O governo está investindo pesado na reindustrialização e facilitou que empresas vitais, como a AVIBRÁS - de defesa - e a CEITEC - de tecnologia, que fabrica microchips, que estava para ser liquidada no governo Bolsonaro, fossem revitalizadas, aquela com forte apoio de grupos empresariais. Ao mesmo tempo, Lula tentou ampliar o mercado dos produtos brasileiros e fortaleceu as universidades federais, grandes produtoras de conhecimento e tecnologia, importantes para nossas indústrias e também para o setor de serviços.
SEGURANÇA PÚBLICA - é um clamor público de todos os espectros políticos uma atuação mais eficaz na segurança pública. Embora Flávio tenha o discurso de aumento de roubos de celulares e feminicídios, a responsabilidade direta é dos governos estaduais, e não o federal. Com a PEC da segurança, Lula tenta aumentar o papel da União na segurança pública, inclusive melhorando e facilitando o intercâmbio de inteligência entre os órgãos. E foi um árduo trabalho de segurança da Polícia Federal, Ministério Público do Estado de São Paulo e da Receita Federal que permitiram a descoberta de ligações do PCC com fintechs e o setor financeiro e apreendessem documentos, celulares, computadores e efetuassem prisões.
ÁREA SOCIAL - Não deve ser prioridade de Flávio, que prometeu centenas de bilhões de cortes para o setor financeiro. Lula, ao contrário, tem a tradição de dar atenção a essa área, para minimizar dramas sociais e fomentar a economia.
Essas medidas que todos querem não é proposta pelo Sr. Flávio, que só sabe falar em Ministério da Prosperidade e atacar o PT e o Lula. Repito que ele não fala de seus projetos porque são impopulares e se ligam a interesses do sistema financeiro, Big Techs, Bets e do governo dos Estados Unidos. Suas primeiras ações devem envolver possíveis cortes nas áreas sociais, incluindo aposentadoria, educação, saúde e auxilios sociais. Daí o motivo dele falar que irá efetuar a alteração de princípios e normas constitucionais.

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