Mas o que seria do Brasil num eventual governo Flávio Bolsonaro? Para uma análise objetiva e eficiente, dividirei por tópicos, pois são muitas questões envolvidas.
PANORAMA INTERNACIONAL
Flávio Bolsonaro nunca se preocupou com os países latino-americanos. Apenas deu valor às lideranças políticas de extrema direita, como com o Milei, na Argentina. Embora pudesse ter maior proximidade, não exercerá. Será mais um país a ficar submisso às políticas impostas pelos Estados Unidos na região, seja sob o governo Trump ou o que sucedê-lo, ainda que Democrata.
A proximidade com o governo Trump, leia-se submissão, é fato. Porém, Trump pode sofrer um grave revés nas eleições de meio de mandato, agora em novembro. Se Trump perder parte do poder que exerceu até agora sem limites, o Brasil não terá o destaque que Flávio Bolsonaro imagina que terá. E se vier um governo democrata, o Brasil continuará sendo submisso aos interesses estadunidenses, mas sem qualquer protagonismo.
A tendência é se afastar dos BRICS e esfriar as relações com a China, diminuindo nossas exportações e enfraquecendo o PIB, ainda que venha a aumentar a venda de terras raras para os Estados Unidos.
ECONOMIA
A economia terá injeção de recursos não pelo aumento de produção ou de exportações, mas de venda de empresas públicas, como Caixa Econômica Federal, Correios, o que restou da Petrobrás...
A nossa única empresa de fabricação de microchips, estatal, deve fechar sob o governo Flávio Bolsonaro.
O neoliberalismo será radical. Haverá queda na qualidade da educação, igualmente cada vez mais privatizada, aumentará o desemprego e haverá queda salarial. Aumentará o que se denomina de "uberização", com trabalho informal e sem qualquer segurança, inclusive social e previdenciária.
A Argentina, radicalmente neoliberal, e que serve de modelo para Flávio Bolsonaro e a extrema direita como um todo, nos dá um prognóstico: aumento da miséria, desemprego, fechamento do que resta das indústrias e crise econômica.
SOCIAL E CRIMINALIDADE
Aumento da miséria e do desemprego, com diminuição do amparo social, típico nas políticas neoliberais. Aumento desenfreado do poder do crime organizado, com aumento de áreas sob o seu controle. Aumento das milícias (crime organizado comandado por agentes públicos, como policiais militares e outros) por vários Estados no país afora.
Aumento de manifestações populares contra o governo federal, principalmente por estudantes, sindicatos e organizações civis.
Haverá um forte aumento da criminalidade, com laços ainda mais fortes com agentes públicos e atuação no sistema financeiro nacional e internacional. O crime organizado brasileiro tende a se internacionalizar e atuar quase que livremente em algumas pequenas cidades e com maior intensidade nas médias e grandes cidades.
DEMOCRACIA E LEGISLAÇÃO
Aumento do risco à democracia, com interferência em instituições públicas e no Poder Judiciário, com séria pressão sobre este Poder. Possível impeachment de Ministros, não por envolvimento com Vorcaro, mas por suas decisões voltadas a questões sociais. O Ministro Dino seria o maior alvo. Quanto a Alexandre de Moraes, o apoio de Michel Temer à Campanha de Flávio Bolsonaro evidencia um possível acordo sob os lençóis.
A Constituição será uma grande vítima, principalmente quanto a questões do Estado de Direito e deveres do Poder Público e direitos dos cidadãos. Questões sociais serão quase que apagadas. Nem cláusulas pétreas, que não podem ser alteradas com Emendas Constitucionais, também serão, ainda que parcialmente, inconstitucionalmente atingidas.
Será um governo do caos social.
DEFESA
Será um desgoverno, com atraso no desenvolvimento de armas estratégicas, como o submarino com propulsão nuclear. Empresas brasileiras de defesa em crise serão vendidas para grupos estrangeiros sem qualquer apoio do governo. Nossas compras se alinharão aos armamentos estadunidenses, sem transferência de tecnologia. É possível, ainda, que o nosso projeto de caças Gripen seja suspenso, com aquisição de F-16 usados dos Estados Unidos. Também está em risco a fabricação de navios de guerra brasileiros em nossos estaleiros, que podem ser desativados ou vendidos. Eventuais parcerias com os Estados Unidos serão extremamente superficiais, sem transferência de tecnologia, ainda que se dê destaque aos eventos por parte do governo brasileiro.
CONCLUSÃO
Essa é a análise do que um eventual governo Flávio Bolsonaro faria ao povo brasileiro e ao Brasil.

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