A LENDA DO REI MACACO | LENDA BUDISTA OU FICÇÃO?


Você já ouviu falar na Lenda do Rei Macaco?

Para quem não sabe, há centenas de filmes, apresentações teatrais, gravuras e outras centenas de animações e de vídeo jogos baseados na chamada Lenda do Rei Macaco, que fazem sucesso não só na China, mas na Ásia inteira, e países como Austrália, Nova Zelândia, Grã Bretanha, Estados Unidos e no nosso Brasil.

Mas a Lenda é real ou é fruto de obra ficcional da literatura do século XVI, no caso a Jornada para o Oeste, um clássico da literatura chinesa?

A resposta envolve diversas análises, como se verá adiante.

REGISTROS DAS REGIÕES OCIDENTAIS – ANO DE 629

No ano de 629, Xuanzang, um monge budista chinês, à procura de textos sagrados na Índia, realizou uma peregrinação que demorou 16 anos, em um percurso de 16 mil quilômetros e registrou os relatos de sua viagem no escrito chamado Registros das Regiões Ocidentais, que por séculos inspirou os chineses.

JORNADA PARA O OESTE – ANO DE 1590

Quase mil anos depois, em 1590, um escritor, Wu Cheng En, baseando-se no Registro de monge Xuanzang, escreve o romance Jornada para o Oeste. O monge vira Tang Sanzang, que é acompanhado por 3 ajudantes.  

SUN WUKONG

Sun Wukong, como se chama o Rei Macaco, é um símio com características humanas que foi premiado com um bastão que lhe confere poderes extras.

O romance, atribuído ao escritor Wu Cheng En, dramatiza a viagem de Xuanzang, transformando a figura histórica no monge fictício Tang Sanzang, que é acompanhado por três ajudantes com poderes fantásticos. Sun Wukong os acompanhará mais tarde, após ter sido encontrado aprisionado em uma montanha pelo monge Tang e prometer proteger o religioso em sua peregrinação, a fim de obter não só a sua liberdade, mas também a imortalidade.

Quanto ao personagem Sun Wukong, ele nasce de uma pedra e após um ato heroico é nomeado rei por outros macacos. Com poderes sobre-humanos, ele não segue regras e desafia figura de autoridades, inclusive Celestiais, sendo capaz de mudar de forma física e dar grandes saltos, sendo extremamente hábil em artes marciais. Em determinado momento ele se intitula Imperador de Jade (Imperador de Jade é o Soberano Supremo do Céu e uma das divindades mais importantes da religião tradicional chinesa), mas é castigado por Buda, sendo aprisionado em uma montanha, quando séculos mais tarde será descoberto pelo monge Tang. Pelos seus atos heroicos na defesa do monge e na luta contra demônios, Sun Wukong atinge a iluminação e transforma-se em Buda honorário.

MITOS E LENDAS PRÉ EXISTENTES

A obra literária, segundo dizem pesquisadores, teria se baseado em mitos e lendas existentes há muito tempo na Índia e China, como o Hanuman, o deus hindu com rosto de macaco e símios da mitologia chinesa.

Símios são macacos mais próximos evolutivamente dos seres humanos, como gorilas, chimpanzés, bonobos, gibões e orangotangos. Os gibões são macacos típicos da China.

A poesia e literatura chinesas descreviam símios com características de pássaros, de humanos e também de outras criaturas, como o Xiao, o Shanxiao e o Xiaoyang.

Xiao ou Hsiao é uma criatura mitológica semelhante a um macaco ou pássaro. O significado da palavra chinesa Xiao é barulho, rebuliço, altivez, orgulho e arrogante, características que encontramos no personagem Rei Macaco.

CONCLUSÃO

Assim, é possível supor que o Rei Macaco seja fruto não só da obra literária chinesa do século XVI, mas também de muitos mitos e lendas tradicionais chinesas, incluindo o Taoísmo e o Budismo, além do próprio registro de viagem de 629 feita pelo monge Xuanzang.

A Lenda do Rei Macaco, portanto, não é bem uma lenda, nem uma lenda budista. É uma ficção baseada em mitos e outras lendas, incluindo-se budistas. 

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AGÊNCIA PÚBLICA

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