Enquanto a América Latina é forçada pelo capitalismo imperialista estadunidense a seguir o neoliberalismo entreguista das riquezas naturais e de consumo, o mundo caminha para um outro sistema capitalista.
A China, comandada pelo Partido Comunista, adota um sistema híbrido, de capital e de controle do Estado. Lá os donos do capital movimentam a economia, sob as regras do Estado e sem interferirem nem exercerem pressão sobre este, e assim também o é no Vietnã, ao contrário do que ocorre no capitalismo ocidental.
A tendência não é o decrépito neoliberalismo, que enfraquece os países em prol de um grupo transnacional, nem tampouco o moribundo capitalismo imperialista. Os países para crescer tem que ter um Estado forte na economia e que não sofra interferências de interesses de grupos econômicos nacionais ou estrangeiros. Assim o são os modelos chinês e vietnamita, exemplos de economias exitosas.
Assim, o segredo do capitalismo que se avizinha não é apenas do nacional desenvolvimentismo, mas, ao mesmo tempo, de um poder executivo e legislativo que não sofram a interferência de grupos de poder econômico. Ou seja, a burguesia pode explorar a economia, sob as diretrizes do interesse público, mas não comandará o poder.
Mas como fazer isso nos países capitalistas ocidentais, onde as democracias são reféns dos grupos de poder econômico? Teriam que adotar um partido único? Não. Aí se desnaturaria ainda mais a já frágil democracia ocidental. O segredo é que qualquer político tenha que previamente passar por longos e intensivos cursos de política pública e que só ascenderiam em candidaturas legislativas e ao executivo após uma devida formação, qualificação. Isso evitaria tantos legisladores e chefes de executivo inaptos ao cargo público que ocupam, como vemos com enorme frequência no Brasil. Essa pré qualificação também dificultaria golpes de Estado e atenderia de perto aos reais interesses públicos de estabilidade política, economia voltada aos interesses nacionais e garantia de cidadania a todos.
É óbvio que quem controla essa ascensão política deve ter a isenção necessária, a fim de não sofrer pressões e influência de grupos de poder. Deve ser um órgão burocrata, do próprio Estado, que tenha limitações claras, a fim de não se transformar em um super órgão com super poderes, desvirtuando a democracia.
Não tenho a menor dúvida de que se o Brasil fizer algo próximo disso, será a maior potência capitalista ocidental em pouquíssimo tempo e uma das duas maiores do mundo, atrás apenas da China.
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