ISRAEL E OS INTERESSES NA AMÉRICA LATINA


Não é de hoje que Israel demonstra interesse sobre a América Latina, como apontaram denúncias como o acordo de Isaac, promovido pelo presidente argentino com Israel, e o Honduras Gate, onde Israel participaria de atividades ilícitas, ao lado de Honduras, Argentina e Estados Unidos para fazer a América Latina território da extrema direita.

Mas engana-se quem pensa que os interesses israelenses limitam-se a questões políticas. Há muito interesse econômico, estratégico e geopolítico.

Não adentrarei aqui na alegada compra massiva, por israelenses, de áreas na Bahia, Patagônia e outras da América Latina, que não possuem provas e podem se constituir em teoria da conspiração. O que trato aqui é texto opinativo baseado em uma análise diante de fatos comprovados por matérias jornalísticas e documentos secretos recentemente liberados.

Há grupos israelenses que participam ativamente do tráfico de pessoas e de drogas na Colômbia. Outros criminosos israelenses, não combatidos ativamente pelo governo de Israel, vendem serviços ilegais para atuação em campanhas eleitorais, manipulando a opinião pública e documentando pessoas inexistentes ou já mortas, buscando alterar o resultado das eleições, como já foi tratado neste blog.

O interesse do governo israelense é de vender serviços de inteligência e equipamentos de segurança e militares para os governos latino-americanos. Para isso, a criação de ameaças inexistentes e de fortalecimento do crime organizado serve de alavanca para o aumento das vendas para os órgãos de segurança e as forças militares dos países latino-americanos. Não é por outro motivo que a extrema direita cria inimigos inexistentes e é altamente armamentista.

A aproximação recente do governo venezuelano com Israel se deve aos interesses israelenses de vender armas e de ter uma zona de influência mais ampla na região.

Mas o que isso realmente significa?

Israel diversifica sua atuação. Não está mais restrita ao Oriente Médio e se prepara até para a possibilidade de Israel se demonstrar um Estado cada vez mais fragilizado em uma região em que cavou hostilidade, devido às guerras e à decadência da influência estadunidense. A influência na América Latina, assim, serve de sobrevivência aos interesses sionistas e de seus milionários. O mesmo se aplica aos milionários dos Estados Unidos.

O que vou escrever pode chocar a muitos, mas as elites estadunidense e israelense não se prendem mais à questão dos Estados-Nação, mas utilizam de suas forças armadas para a defesa dos seus interesses, e não necessariamente dos seus povos. Essa é a última fase do capitalismo pós neoliberal, com grandes grupos econômicos ditando os rumos do Estado e ameaçando as democracias.

O que os milionários estadunidenses e israelenses querem é exercer influência em uma área rica em recursos naturais e onde possam ganhar muito dinheiro explorando-as, e também com suas indústrias armamentistas, Big Techs e inteligência artificial, além das inúmeras indústrias tradicionais.

Nessa ânsia de elites estrangeiras ganharem dinheiro no continete latino-americano,  há o risco do crime organizado ser fortalecido e ampliado, com o consequente empobrecimento dos países da região e a dinamitação da democracia e dos direitos fundamentais. É um neocolonialismo da região.

Mas os Estados Unidos, diante da Doutrina Donroe (nova versão de Donald Trump à doutrina Monroe), permitiriam que um Estado baseado em uma região distante colonize e ganhe dinheiro na região? Cereio que sim, pela forte ligação de suas elites e pelo forte lobby israelense. Estados Unidos e Israel, hoje, são unha e carne e agem em conjunto em prol de interesses comuns às suas elites, e não necessariamente dos interesses de seus povos.

O grave enfraquecimento da democracia ocidental através do crime organizado e as constantes ações de exceção como regra de desobediência constitucional serão tratados em texto a parte.

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