O Brasil vive um cerco por seus vizinhos de extrema direita, que aderiram ao projeto de extrema direita de Donald Trump. Este cerco, certamente, não é apenas ideológico, mas de interesses, afinal na região apenas o Brasil possui envergadura de potência, considerando-se sua população, a vastidão territorial, a sua capacidade industrial ativa e (bastante) ociosa e suas riquezas minerais, agrária, pecuária e de água doce. A culpa direta é, certamente, do atual presidente dos Estados Unidos, mas a indireta é dos próprios brasileiros. Explico abaixo.
Muitos reclamam da extrema direita dominar o cenário das Américas e nos cercarem não apenas pelas fronteiras, mas politicamente, podendo brevemente invadir esferas econômica e até militar.
A potência sul americana natural, seja ainda pelos dados econômicos, é o Brasil, mas o que o país fez nos últimos 10 anos para solidificar a integração na região? Absolutamente nada. Desde o impeachment da presidente Dilma o Brasil se afastou da região, optando por uma maior proximidade com os Estados Unidos. O pragmatismo que sempre dominou a diplomacia brasileira e também a área econômica foi minada pela questão ideológica de Temer e Bolsonaro. Lula, que tentou reerguer o país, não teve tempo para articular uma ligação firme com os países vizinhos, redundando - com a nossa inércia - na interferência direta e firme dos Estados Unidos, conseguindo com isso a eleição de uma série de extremistas de direita.
Marco Rubio, Secretário de Estados dos EUA conseguiu sua pretensão, a de pressionar o Brasil para que cesse suas pautas nacionalistas, assim como estão fazendo nossos vizinhos. O candidato Flávio Bolsonaro já aderiu ao projeto estadunidense e prometeu um governo de transição com autoridades estadunidenses, além de prometer (e celebrar uma minuta com o timbre de campanha, inclusive) a exploração de nossas terras raras pelos Estados Unidos, entregando um bem essencial ao nosso desenvolvimento para uma potência estrangeira. Pergunto: a que preço?
Lula deveria ter percebido a movimentação na região, assim que Milei foi eleito, e já articular reuniões periódicas com as autoridades locais, como líder regional que é, para tentar implementar projetos e articulações comuns, visando a eleição de líderes comprometidos com a causa regional (da América do Sul). Preferiu, porém, direcionar suas energias à economica nacional e o não confronto com os Estados Unidos. Hoje estamos vendo o que redundou essa inércia nesses 10 anos de afastamento.
O afastamento pode não ter sido percebido pelo leitor, e há motivo para isso. Desde a colonização fomos ligados umbilicalmente à europa, no caso a Portugal e, indiretamente, a Inglaterra. E assim foi a nossa orientação, até que, através da guerra de Canudos, quando havia sido recentemente proclamada a República, onde o Brasil litorâneo, europeizado, se confrontou com o Brasil do interior, do sertão, com descendentes de portugueses, indígenas e negros, miscigenados ou não, com uma cultura mais conservadora e religiosa, própria daquela que lemos nos livros. E, assim, inicialmente como repórter e depois como escritor, Euclydes da Cunha denuncia pela primeira vez que desconheciamos o próprio Brasil do interior, tentando as grandes cidades de então, situadas próximas ao litoral, imitar hábitos próprios dos europeus. Assim como não víamos os nossos irmãos no interior do país, não víamos o que estava além deles, nossas fronteiras terrestres.
Saímos do período colonial, ingressamos no Império e depois na República, e nada mudava, a não ser com a discreta aproximação de Vargas com a Argentina e depois, graças a a André Franco Montoro e, posteriormente, por José Sarney, então presidente da República. O Mercosul foi formalizado, porém, no governo Collor, em março de 1991.
A região não tem uma televisão de alcance global, em língua portuguesa e castelaño, que exporte nossa cultura, música, novelas e filmes, salvo aquela imaginada e implementada por Hugo Chàvez, Telesur, mas para a qual o Brasil não deu tanta atenção.
O Brasil está cercado, mas nunca deu atenção à região da forma que deveria. Como líder econômico, deveria consolidar sua liderança geopolítica na região e afastar o perigo da intromissão de potências externas, mas não o fez. E, hoje, os Estados Unidos ingressam com tudo, com pressão, ameaças e instalação de bases militares.
O chamado Escudo das Américas, que reconheceu o PCC e o CV como organizações terroristas, onde Trump dita as regras, reúne menos da metade dos países da região. Não é o sucesso gigantesco que Rubio tenta propagar. É apenas uma reunião de países submissos que não querem resolver efetivamente os problemas de segurança, mas apenas permitir que os Estados Unidos tenham controle, inclusive territorial, por ações de inteligência e militar, na região.
O nosso país deveria ter montado uma base aeronaval em Fernando de Noronha, estratégica para garantir a livre circulação de navios no Atlântico Sul, de forma a garantir a nossa exportação e importação de bens pelos mares, que alcançam mais de 90% do total, ou seja, quase a totalidade. Assim, se os Estados Unidos bloquearem as nossas rotas marítimas com 1 ou 2 porta-aviões, o Brasil será incapaz de exportar ou importar, provocando rapidamente um caos na economia.
Mas, recentemente o Brasil passou a articular com líderes estrangeiros e regionais, seja para assegurar a posse do presidente que vier a ser eleito, seja ainda para assegurar a própria democracia brasileira.
O risco do cerco planejado pelos Estados Unidos é real, mas o Brasil reage habilmente por meio de sua diplomacia, uma das mais profissionais e que certamente está no topo das melhores de todo o globo.
Os extremistas têm o Escudo das Américas, enquanto o Brasil tem um escudo de proteção que não é pequeno, mas gigantesco, e não está em nossas zelosas Forças Armadas, infelizmente debilitadas em tecnologia e meios por culpa direta de governos de direita e extrema direita, mas por uma proteção Energética, Divina, Espiritual ou outro nome que melhor a defina. Tenho um texto que aborda a questão. Clique aqui para ler.
O gigantesco Irã está barrando militarmente o perigo de mortes, crimes contra a humanidade e genocídios que hoje os Estados Unidos representam sob Donald Trump e Marco Rubio, mas o Brasil também tem um papel importante de resistência nessa guerra que não está ocorrendo apenas no nosso plano material.
Na chamada Era das revelações, que o mundo material, consumista e superficial nos apresenta, e que o mundo energético está a nos inserir, somos responsáveis por nossas escolhas, inclusive por suas consequências.
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