A PERVERSIDADE DO EXTERMINADOR DE PIPAS

do blogueiro: Uma brincadeira de pipa se tornou livro sobre Cabul, no Afeganistão, virou foto e também poema, mas hoje é símbolo da horrenda opressão israelense e da resistência pacífica através do mero brincar, por crianças palestinas.

Sílvio Santos já cantava com muito sarcasmo e ironia "a pipa do vovô não sobe mais", que virou febre em muitos carnavais. Mas nem tudo é carnaval ou festa. Brincar de pipa significa hoje, na Palestina ocupada, ato contra o Estado israelense, opressão, traumas e violência. Extrema violência. Não há lazer em Gaza. Não há o que fazer em meio a tanta pobreza. O que restou é a singela brincadeira de levantar pipa, proibida na terra em que Cristo pregava amor e compaixão. Talvez a psicanálise explique. Talvez a pipa de Netanyahu nunca tenha se levantado em meio ao vento e nunca tenha propiciado que ele brincasse com a natureza. Talvez essa sua frustração explique tamanha perversidade e o ódio a crianças. Pipa é incapaz de carregar armas, quaisquer se sejam, seu peso não comporta, mas é símbolo de liberdade, o que é proibido para os palestinos, desde tenra idade, desde sempre.

'Não falem da minha pipa': Como a guerra transformou a infância em Gaza

Crianças palestinas em um campo de deslocados em Gaza. (Foto: Shaimaa Eid, The Palestine Chronicle)

As ameaças israelenses contra pipas intensificaram o medo entre as crianças deslocadas de Gaza, privando-as de mais uma alegria simples da própria infância.

Em nosso acampamento em Al-Mawasi, no sul de Gaza, caminho entre as tendas ao meio-dia. O calor é sufocante. Crianças sentam-se nas entradas de suas tendas, buscando um pouco de ar, pois elas não oferecem nenhuma proteção contra o calor do verão. (...)

Enquanto caminho pelo acampamento, tento avistar ao menos uma criança carregando uma pipa. Estou à procura de uma cena à qual me acostumei a ver aqui: uma criança correndo entre as tendas, segurando uma longa linha enquanto sua pipa sobe no céu acima dela.

Mas não encontro ninguém. Nem uma única pipa.

Em vez disso, encontro crianças falando sobre bombardeios, aviões, mísseis, assassinatos e explosões — palavras que se tornaram parte de seu vocabulário diário, substituindo as brincadeiras e os sonhos da infância. (,,,)

Esse novo temor surgiu após ameaças israelenses relacionadas a pipas, balões e drones que, segundo Israel, estavam sendo lançados da Faixa de Gaza.

Segundo relatos da mídia israelense e palestina, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ameaçou tomar medidas contra aqueles que lançassem tais dispositivos. Suas ameaças incluíam atacar os responsáveis ​​e evacuar as áreas de onde os dispositivos foram lançados.

Para o povo de Gaza, essas ameaças não são declarações políticas dissociadas de suas vidas. Aqui, as pessoas sabem muito bem que uma ameaça de bombardeio pode, a qualquer momento, resultar em um míssil atingindo uma tenda, uma casa ou uma rua repleta de civis. (...)

Leia a matéria na íntegra na página do PALESTINE CHRONICLE clicando aqui.

*Shaimaa Eid é uma escritora que reside em Gaza. Ela contribuiu com este artigo para o Palestine Chronicle

Comentários

AGÊNCIA PÚBLICA

AGÊNCIA PÚBLICA
COMPROMETIDA COM O PÚBLICO