Involuímos mais rápido do que alcançamos a evolução. Em pleno século XXI, e em solo do Brasil, discute-se a retirada do voto feminino e o cerceamento de muitos ou até de todos os direitos das crianças, que voltam a ser objeto de direitos e objeto das vontades dos adultos. O atraso mental e legal seduz parte da população, através de políticos e influenciadores obtusos e oportunistas, com falas recheadas de pretensa (e pífia) emoção, mas sem qualquer razão.
O Brasil sempre foi cruel com suas crianças e mulheres, mas no século XX, em momentos diferentes, os elevou a sujeitos de direitos. Pretos, pobres e outras maiorias e minorias, no entanto, continuam excluídos de direitos, em especial o da cidadania plena.
Os discursos que comovem não são o da inclusão, mas os da exclusão, como se alguns pudessem escolher que tem direito à dignidade quem não tem. É a mentalidade colonizada em que parte da elite imita o colonizador, sedenta pelo poder deste e pelo seu "modus vivendi".
As violações aos direitos das crianças são inúmeras. Vou citar algumas. Criança, se estuprada, não poderia abortar. Se tem 16 anos e praticou ato equiparado a crime tem que ser preso na cadeia e receber punições que pouco são eficazes aos adultos.
Ninguém aqui defende o aborto a torto e direita, mas em casos legais, como no odiendo e psicologicamente marcante estupro, que corrói a memória da vítima e que poderia se estender e agravar com uma gravidez fruto desse abuso. Se lidar com memórias difíceis já é difícil para as mulheres adultas, imagine-se para crianças e adolescentes, e mais, então, para uma longa gestação! Quanto aos crimes bárbaros, eles se combatem com inteligência e cuidado, como acompanhamento social e psicológico a quem apresenta necessidade, e não pela emoção fácil e primitiva. Os crimes devem ser combatidos com ações de inteligência e as execuções das penas aplicadas deveria ser capaz de reduzir a criminalidade, com a efetiva ressocialização, no que as medidas sócio educativas dos adolescentes são muito mais eficazes que as penitenciárias dos adultos. Ninguém aqui deixa de se comover pelas vítimas de crimes hodiendos. Crime algum deveria subsistir, menos ainda os de estupro, homicidio... mas a lei e também a Justiça têm que primar pelo o que é mais eficaz.
Porém, evoluímos para entendermos a mentalidade do Estatuto da Criança e do Adolescente para proibir a exploração como fetiche da imagem das crianças. Ao menos em parte a sociedade avança. A mesma sociedade que retrocede em muitos pontos, avança em alguns poucos.
E pensar que escrevi tudo isso ao ler a notícia de um pai que assassinou suas duas filhas de tenra idade por ciúmes da ex-esposa. E ao texto cabe a mesma pergunta para esse crime: que culpa têm as crianças?
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