Donald Trump e Marco Rubio estão conseguindo colocar os Estados Unidos em uma posição vexatória nunca antes vista, e isto às vésperas de suas eleições de meio de mandato, a ocorrer em novembro.
É fato que os Estados Unidos perderam as guerras do Vietnã (tanto que o país se unificou sob o sistema comunista), da Coreia (tanto que a Coreia do Norte sobrevive) e do Afeganistão (tanto que os talibans comandam o país). Também é fato que as últimas guerras que os Estados Unidos venceram ou foram contra países nanicos, como Granada, ou em que eles contaram com o amplo apoio de países ocidentais, como na Líbia e no Iraque, até hoje não totalmente unificados e com grupos terroristas atuantes.
O Irã foi a pior derrota militar, e a mais rápida, pois foi estratégica. Os Estados Unidos pretendiam mudar o regime que comanda o Irã, mataram seu líder e assassinaram crianças, tentando imputar a "responsabilidade" pela violência praticada pelos estadunidenses contra o próprio governo iraniano, e o tiro saiu pela culatra. O povo iraniano se revoltou com os crimes de guerra estadunidenses e se uniu a favor do regime, e mesmo aqueles que eram contrários ao governo e estavam fora do país retornaram em apoio ao Irã. O resultado estamos vendo nos campos de batalha. Se, por um lado, com todo o seu poderio de potência hegemônica e atacando alvos civis, os Estados Unidos restaram sem mísseis de longo alcance, o Irã, ao contrário, atacou pontualmente bases militares estadunidenses no Golfo Pérsico, expulsando as aeronaves estadunidenses para bases na Grécia e Bulgária. Ele utilizou com cuidado seus recursos militares e de inteligência, e deu um show. Atacou bases secretas da CIA localizadas no Curdistão iraquiano e na Jordânia, bem como possivelmente teria destruido paiol que abrigava centenas de mísseis estadunidenses, como pontuam analistas militares. O Irã deixou os Estados Unidos sem voz para sequer gritar por socorro. Nessa guerra os Estados Unidos estão sozinhos, ou melhor, com seu aliado Israel, mas que por enquanto não está reagindo, também sem armamento suficiente para encarar o Irã.
A frota estadunidense é perigosa, inquestionavelmente, mas não pode se aproximar do Irã, com medo de ser atingida pelos mísseis de longo alcance. Assim, só resta a utilização de mísseis de longo alcance, que estão em falta. Ou seja, os Estados Unidos entraram em uma sinuca de bico ou em xeque-mate.
Os Estados Unidos bombardearam mais, talvez muito mais, mas não acertaram pontos vitais. O Irã, ao contrário, mirou detalhadamente cada ponto dos estadunidenses, acertando em cheio os alvos prioritários, calculando as consequências e estando muito próximos de expulsar os Estados Unidos do Oriente Médio.
Irrtitado, Trump e seu mascote orelhudo, Marco Rubio, tentam se vingar contra o Brasil, e agem via nada diplomática, quase que aos gritos, retirando o visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos.
O fraco Rubio quer enfrentar a diplomacia brasileira com truculência, e poderá ser derrotado.
A diplomacia brasileira é reconhecida mundialmente por ser hábil e eficaz. E faz parte do discreto e eficiente "soft power" brasileiro, ou seja, de política de não agressão e de solução pacífica dos conflitos, o que rende uma enorme simpatia do Brasil aos olhares estrangeiros, em todos os continentes do globo, facilmente perceptível pelos brasileiros em viagens ao exterior e em competições internacionais do qual o Brasil participe.
O orelhudo Rubio quer que o Brasil eleve o tom, para tentar, assim, aumentar ainda mais as animosidades, até chegar às sanções de fato. Ele quer atingir a economia e o governo brasileiros, a dois meses das nossas eleições. E ele pode se dar muito mal. Rubio é ardiloso e truculento, mas pouco inteligente para o cargo que ocupa, o de Secretário de Estado. É certo que ele conta com os sempre traidores de extrema direita brasileiros, como a família Bolsonaro e políticos e alguns grupos econômicos a eles ligados, mas grande parte do povo já percebeu que os Estados Unidos de hoje já não são os nossos amigos da Segunda Guerra Mundial, tanto que pesquisa recente apurou que os brasileiros sentem mais confiança na China que nos Estados Unidos. Afinal, o Donald que está lá não é mais o Pato Donald, amigo do Zé Carioca, mas o Donald Trump, amigo apenas de Netanyahu, e de mais ninguém, pessoa intempestiva, oportunista e traiçoeira que finge negociar acordos de paz, enquanto sorrateiramente bombardeia áreas civis; que finge nutrir simpatia pelo presidente do Brasil, enquanto eleva as suas tarifas; que finge ser aliado da Europa, enquanto bombardeia o gasoduto que levava gás russo à Alemanha, que afirma que tomará a Groenlândi para si e que não suporta mais colocar dinheiro na OTAN; que consegue aproximar a Coreia do Sul da China, isolando politicamente, como nunca, os Estados Unidos.
Os aliados de Trump são a extrema direita latino-americana e israelense, grupos de obtusos incapazes de enxergar os próximos passos das ações adotadas, além de importantes mega-grupos empresariais dos Estados Unidos, como a indústria petrolífera e as Big Techs.
O Brasil é importante diplomaticamente, mas ainda mais economicamente. Os produtos brasileiros, como café, açúcar e outros, se enquadram na nossa política externa de amizade, do nosso pouco falado, mas extremamente importante, soft power. Obviamente não será o café que nos salvará, mas sim todos os produtos que exportamos ao mundo, essenciais para um saboroso café da manhã ou para viabilizar indústrias de ponta e militares. Somos vitais a algumas economias, como a chinesa, mas somos também importantes estrategicamente para a Rússia, China, Europa e vários países africanos ocidentais.
Enquanto os Estados Unidos tentam nos sufocar diplomática e economicamente, fortalecemos laços com outras potências, como Rússia, China e países europeus. Enquanto os Estados Unidos tentam nos prejudicar em nossas exportações, ampliamos o comércio com países europeus, africanos, do Oriente Médio e da Ásia, em especial a gigante China.
Os Estados Unidos quase foram nocauteados militarmente pelo Irã, e é nessa situação de isolamento acima colocada que o tenebroso e orelhudo Marco Rubio quer enfrentar a diplomacia brasileira. Talvez o tombo que tome do Brasil seja pontual e efetivo, de nocaute diplomático, ou seja, de mais uma triste vergonha para os Estados Unidos de Trump e de Rubio.
Os despreparados Estados Unidos de hoje abrem várias frentes de combate: comercial, diplomática e militar, com vários países, mas estarão preparados? Parece que não. O tempo dirá, a depender dos próximos passos.
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