Toda falta de nacionalismo tem raízes muito antigas, que remetem à época colonial, pré-independência do Brasil.
Como nos ensinam os livros de história, Dom Pedro I, após declarar a independência, assumir o trono e dissolver a Assembleia Constituinte, em 1823, determinou diversas prisões e deportações e, para sufocar a resistência representada pelo movimento denominado de Confederação do Equador, utilizou-se de militares estrangeiros, no caso de ingleses, em batalhas que duraram 3 meses por grande parte do nordeste. Os manifestantes brasileiros buscavam apenas um Brasil mais justo e livre, mas foram massacrados por um exército estrangeiro, a mando de um Imperador português recém empossado como monarca do Brasil.
Contra o Brasil livre estavam não apenas o Imperador e o capitalismo inglês, mas duas alas importantes da política brasileira. O primeiro grupo era dos restauradores, que buscava unificar Portugal e Brasil sob um único comando imperial. O segundo era o dos moderados, que defendia os interesses dos proprietários de escravos e de terras, copiando o exato modelo colonial de exploração, mudando apenas o explorador, que deixava de ser o português, para tornar-se, agora, brasileiro. Do lado oposto, de defesa dos brasileiros sempre explorados pela colônia, estava o grupo dos chamados "radicais", que de radicais não tinha nada, a não ser a busca incessante de liberdade aos brasileiros. Esse grupo era composto por profissionais liberais, artesãos, negros e mestiços e buscava combater a escravidão, o colonialismo português e o imperialismo inglês. Seus principais líderes eram Frei Caneca, que foi executado por ordem do Imperador, e Cipriano Barata, que foi detido inúmeras vezes e por longos anos.
E até hoje temos esses mesmos três grupos, com a quase eterna união dos dois primeiros. Os restauradores seriam os entreguistas e quinta-colunas de hoje, de extrema-direita, muito devotos de Trump e do imperialismo. O segundo grupo, o dos moderados, seria o grupo que não se preocupa com o Brasil e cada brasileiro, mas sim com o que ganhará com o sistema vigente, nada querendo mudar, com medo que seja atingido por essa alteração, nada tendo de nacionalista. O terceiro grupo, dos radicais, seria o grupo do centro nacionalista e da centro esquerda e esquerda atuais, preocupado em dar mais dignidade aos brasileiros, buscando um caminho próprio do Brasil, e não a cópia de um sistema do qual tentamos nos libertar ainda em 1822.
De 1822 até hoje, passados mais de 2 séculos, pouco mudou na política brasileira. Deixamos de ter um Imperador e, em seu lugar temos um presidente eleito, mas o Congresso Nacional não é dominado por uma maioria nacionalista que luta pelos interesses do Brasil, mas sim que se rende à força do imperialismo, dos grandes lobbies e do interesse de continuar lucrando com o sistema vigente, sem querer mudanças estruturais e realmente libertárias. A aristocracia continua existindo, sob outra roupagem, composta pela elite do serviço público e os grandes empresários. A massa de escravos foi substituída por uberizados, terceirizados e demais trabalhadores informais. O império inglês foi substituído pelo império estadunidense. Mas, tirando a mudança de personagens, tudo continua igual.
Ou o Brasil se liberta dessas amarras ainda coloniais, e até imperiais, ou jamais terá a liberdade necessária para ser o gigante que sempre prometeram que seria.
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