BRASIL COM ARMAS NUCLEARES?

O vice-Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva é engenheiro e físico nuclear e militar reformado da Marinha do Brasil, reconhecido como o pai do programa nuclear brasileiro e um dos principais idealizadores do submarino nuclear do país. Foi preso por determinação do ex-juiz Sérgio Moro durante a controversa operação Lava-Jato que destruiu nossas indústrias de defesa e de engenharia e que tentou por fim à nossa autonomia em setores de energia, e que contou com apoio de organismos do governo dos Estados Unidos.


Os políticos de extrema direita, hoje, defendem que o Brasil tenha armas nucleares. Eles estão certos ou errados? Vocês podem não gostar da minha resposta, mas ela é "depende"!

Se for pela demagogia, estão errados, pois armas nucleares não combinam com demagogos. Porém, se for para a efetiva defesa do Brasil, sempre com responsabilidade, sem demagogia, estarão certíssimos.

Vamos a alguns fatos.

HISTÓRICOS

Armamento nuclear é assunto sério. Apenas 9 países possuem armas nucleares (Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, China, Índia, Israel, Paquistão e Coreia do Norte). A África do Sul a desenvolveu, mas posteriormente abriu mão do direito de tê-la. O Brasil, embora não possua bomba atômica, é um dos poucos países que detêm alta tecnologia para o enriquecimento de urânio (para fins civis). 

DA QUESTÃO DA DEFESA

O armamento nuclear foi utilizado duas vezes contra populações civis, ambas pelos Estados Unidos contra os japoneses, no fim da Segunda Guerra Mundial. Morreram centenas de milhares de pessoas e outras desenvolveram graves doenças físicas e neurológicas, em especial cânceres. Embora os Estados Unidos tenham cometido tal atrocidade, sem sequer ser condenado internacionalmente, as armas nucleares, hoje, servem para dissuadir potências de eventuais ataques, e é o que tem protegido Rússia, China, Índia, Paquistão e, em especial, a Coreia do Norte de ataques irresponsáveis das potências ocidentais, ao mesmo tempo em que serve para proteger estas de ataques daquelas.

O Irã já poderia ter bomba nuclear, mas devido a um decreto religioso chamado fatwa, de mais de duas décadas, baixado por Ali Khamenei, o país persa foi proibido internamente de ter um armamento nuclear. Hoje, porém, houve alteração da liderança religiosa e a guarda revolucionária do Irã, responsável pela proteção do Estado, já vê o desenvolvimento como algo a ser melhor avaliado. E tem uma lógica. O armamento nuclear serve, de forma muito exitosa, para impedir ataques de potências estrangeiras.

DA QUESTÃO BRASILEIRA 

Os governos militares tinham estudos secretos sobre o desenvolvimento nuclear, sem poder ser afirmado se era para fins militares ou civis. O político já falecido Eneas Carneiro defendia abertamente o desenvolvimento de armamentos nucleares pelo Brasil. Porém, sob críticas internas veladas, o Brasil foi impedido de desenvolver armas nucleares por Fernando Henrique Cardoso, que se entregou ao neoliberalismo e se aproximou em demasia dos interesses econômicos e estratégicos dos Estados Unidos. 

Militares brasileiros já foram mortos e presos por ajudarem no desenvolvimento de enriquecimento de urânio. Hoje, a liderança nessa tecnologia é da Marinha Brasileira, mas a nossa Aeronáutica também ajudou a desenvolver o enriquecimento de urânio e teve um militar assassinado, possivelmente por ação direta de agente do Mossad, como acusa a família do militar morto. Àquela época o Brasil seria um dos responsáveis por ajudar o Iraque de Saddam Husseim no enriquecimento de seu urânio para suas usinas nucleares.

Até hoje o Brasil sofre intensos boicotes em seu programa de enriquecimento de urânio e também no desenvolvimento do seu submarino movido a propulsão nuclear. Este já demanda mais de 40 anos de estudos e o país tem apenas duas usinas nucleares implantadas, enquanto precisaria de dezenas.

Ademais, o Brasil possui a segunda ou terceira maior reserva de tório do globo, que hoje é reconhecido pela sua capacidade energética muito superior ao urânio e pela menor produção de resíduos poluentes. Se serve para você ter uma ideia, saiba que a China descobriu em 2025 uma mina de tório capaz de produzir toda a energia necessária para aquele enorme país, que tem mais de 1.400.000.000 de habiantes, por 60 mil anos. Sim, você leu certinho, só o tório garante à China energia por pelo menos 60 mil anos. E a China já tem em atividade uma usina para produção de energia a base de tório, e pensa em instalar muitas outras. Outros países estudam substituir gradativamente o urânio pelo tório, inclusive os Estados Unidos. O Brasil já faz estudos a respeito na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Nas décadas iniciais, os Estados Unidos desenvolveram armamentos nucleares a base de tório e tinham usina nuclear a base de tório, o que foi deixado de lado anos depois. A Índia ainda possui armas nucleares a base de tório. Nas décadas de 40 e 50 ficaram famosas as cenas de roubo de nosso tório, misturado à areia monazítica, pelos Estados Unidos da América.

VANTAGENS E DESVANTAGENS

As vantagens das usinas nucleares a base de tório são uma realidade, seja em comparação ao petróleo, às usinas eólicas ou hidrelétricas, que também são caras, poluem e ainda danificam muito mais o meio ambiente. Usinas a tório por todo o Brasil, inclusive no norte do paísm deveria ser uma meta obrigatória do Brasil, para nos dar independência estratégia nesse quesito (hoje, Roraima depende da energia venezuelana). A desvantagem é que dos estudos até a efetiva implementação levarão décadas. Enquanto isso usufruiremos das nossas usinas a base de urânio, que deverão ser mantidas inclusive após a instalação das usinas de tório. É questão de estratégia econômica e economia estratégica.

Mas e as armas nucleares? Hà muito discurso vazio e hipocrisia a respeito do desenvolvimento de armas nucleares.

Embora seja abertamente pacifista e defenda a paz entre os povos, como nacionalista não posso deixar de reconhecer o imperialismo como perigo constante aos povos e a necessidade de o Brasil ter acesso às melhores armas para a sua defesa, e nisso o armamento nuclear é o que possui o maior poder dissuasório, pois acarreta o receio e o medo ao agressor.

Ter a arma nuclear não significa usá-la para agressão. Não. A mera existência das armas nucleares serve para dissuadir, e assim evitar guerras. E somente em um efetivo ataque, e como última alternativa, poderiam vir a ser usadas. Repito que o único país que usou armas nucleares em guerra foram os Estados Unidos, no Japão, no fim da Segunda Guerra Mundial. Nunca mais esse armamento foi empregado contra militares ou civis.

Assim, o armamento nuclear seria tática e estrategicamente importante para o Brasil. 

Questões como o custo, segurança e a tecnologia para o desenvolvimento não servem para impedir o país de desenvolver esses importantes armamentos e soam hoje como piadas. O Brasil possui condições técnicas para o desenvolvimento de tais armas. O custo do desenvolvimento e criação, se comparado a caríssimos aviões ou navios de guerra, não é muito díspare, e assegura maior efetividade na defesa do país, o que é o mais importante. Quanto à segurança, o Brasil já desenvolveu técnicas e legislações que asseguram efetiva segurança no manuseio de itens radioativos, bem como no desenvolvimento, instalação e funcionamento de usinas nucleares.

As bombas nucleares podem ser lançadas por mísseis ou aviões, e o desenvolvimento desses meios pode se dar por empresas como a AVIBRÁS e a EMBRAER, sempre sob orientação de nossas Forças Militares.

Assim, a hipocrisia nos tem impedido de desenvolver o armamento nuclear, que não se confunde com a explosão gratuita contra outro país, mas como armamento de proteção. E no uso desse armamento deve haver protocolo de segurança onde apenas a combinação simultânea de várias autoridades poderia autorizar o seu eventual uso.

Quanto à Constituição, que proibe o uso nuclear para fins não civis, é possível emendá-la, e quanto ao tratado de não proliferação é possível denunciá-lo, ou seja, deixar de participar do mesmo. Legalmente é plenamente possível, portanto.

Repito que sou pacifista, mas não sou hipócrita. Seria muita hipocrisia defender a proibição de termos armas nucleares enquanto grandes potências, com poderio militar infinitamente superior ao nosso, poderiam nos ameaçar e infligir danos incomensuráveis na economia, na infraestrutura, sem contar a morte de milhares de brasileiros.

Tal arma não é para ser usada, mas para ser mostrada que poderia vir a sê-lo, se necessário. Como disse um intelectual que agora não recordo o nome, a bomba nuclear é apenas uma perigosa carta que sem os correios para nada serve. Os inimigos têm medo desse correio e dessas cartas. E não é por outro motivo que tentam dissuadir o Irã a por fim ao seu programa de mísseis de longo alcance, dos quais o Brasil tanto carece e tanto necessita. 

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