A UNIÃO MILITAR DE ARÁBIA SAUDITA, TURQUIA E PAQUISTÃO PODE SER PARA CONTER ISRAEL E ÍNDIA

A mídia ocidental destaca a cooperação militar da Arábia Saudita, Turquia e o Paquistão e afirma que ela foi formada aos moldes da OTAN e que é para enfrentar o Irã e o Ansarullah no Iêmen. Será, mesmo?

O que aqueles três países têm em comum? São muçulmanos de maioria sunita. Enquanto os turcos têm 80% da população sunita, a Arábia Saudita tem 85% de sunitas, de vertente salafista, com 15% de xiitas. Já o Paquistão tem 85% de sunitas e 15% de xiitas.

A Arábia Saudita possui uma enorme quantidade de gás e petróleo; a Turquia possui muitas indústrias bélicas, com grande produção de equipamentos; e o Paquistão, além de ter armas nucleares, possui minas de terras raras, importantes para a produção de equipamentos militares de alta tecnologia.

Considerando-se essas circunstâncias, dá para afirmar que essa união é para barrar o crescimento geopolítico e estratégico do Irã? Não. Não é o que me parece.

A Turquia e o Irã têm em comum algumas preocupações, como a Síria, os curdos e Israel. Paquistão e Irã cooperam militarmente e também em ações contra o terrorismo e o tráfico de entorpecentes.

Já a Arábia Saudita e o Irã têm muitas diferenças e estão em polos opostos na guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, mas isso, por si só, não permite afirmar que a aliança militar formada entre as três maiores potências islâmicas do Oeste da Ásia, excluindo o Irã, é para enfrentar os persas.

Penso que a união é para enfrentar outro país que, por sua vez, tem aliança com uma potência nuclear com inimizade história com o Paquistão e com relações geopolíticas conflituosas com a Turquia. Sim, esse país da aliança é a Índia. Além do mais, esta é a maior compradora de armamentos e de tecnologia militar para as áreas de inteligência e segurança cibernética fabricados por Israel.

A Índia tem 200 milhões de islâmicos, em sua grande maioria de sunitas, correspondendo a cerca de 15% da população indiana, mas que sofrem duras discriminações pelo governo ultranacionalista hindu, de Narendra Modi.

Mas essa aliança entre Turquia, Paquistão e Arábia Saudita seria para conter a Índia? Não diretamente, mas sim Israel, que está se expandindo territorialmente e já disse, por meio da extrema direita que compõe o governo Netanyahu, que pretende retomar territórios bíblicos situados também ao sul da Turquia e ao oeste da Arábia Saudita. Assim, ao que me parece, a união entre Paquistão, Turquia e Arábia Saudita visa geopoliticamente conter eventual expansão militar de Israel além da Palestina, sudoeste da Síria e Líbano e, ao mesmo tempo, poder enfrentar um aliado poderoso do Estado sionista, que tem discriminado os muçulmanos locais, a Índia.

O Oeste da Ásia, como é conhecido na Ásia a região a que denominamos de Oriente Médio, está se redesenhando geopoliticamente, e muito rapidamente.

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