A LIBERDADE...


Muito se fala em liberdade. O presidente argentino, em seus discursos, se inflama ao falar em "liberdade", o mesmo fazendo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Por aqui, o ex-presidente Jair Bolsonaro também falava muito em "liberdade". Mas por que a extrema-direita fala tanto em liberdade. Afinal, a qual liberdade se referem?

Esses políticos acima que tanto utilizam o termo "liberdade", são os mesmos que enfraquecem a democracia representativa e popular, quase que como déspotas. Atacam o Congresso e o Judiciário, minam as instituições públicas e colocam apadrinhados em cargos chaves, ao invés de concursados.

Bolsonaro dificultou o fornecimento de vacinas enquanto a pandemia matava milhares no país. Que liberdade de escolha elas tinham? Lhes foi cerceada. Chegamos a perder 800 mil pessoas sem direito à liberdade, à igualdade e à fraternidade.

A extrema direita é tudo, menos liberal no sentido político do termo, e que era defendido na Revolução Francesa. Os extremistas de direita defendem o sentido inglês de liberalismo, voltado estritmente ao aspecto econômico.

A liberdade que eles defendem é para os ricos, os seus financiadores, com um Estado fraco para eles e forte na repressão à população.

O imperialismo inglês, dominado pela burguesia, difundiu o liberalismo econômico, alterando o significado do termo liberdade. Para os ingleses, o homem é livre para trabalhar e produzir, e praticamente só. Ressignificaram o termo liberdade para tentar moldá-lo ao capitalismo imperialista, e apagaram o sentido maior da palavra. 

A liberdade, porém, é muito mais que isso. É a liberdade de escolhas, inclusive política; e também a liberdade de ser, independentemente de religião, cor, opção sexual; assim como a liberdade de locomoção. Qualquer restrição tem que estar contida em lei aprovada pelo parlamento eleito pelo povo.A liberdade verdadeira, que se mescla com a igualdade e a fraternidade, ficou cada vez mais restrita ao passado revolucionário de 1789.

Na prática, você é livre para votar, mas não participa. E quem é eleito não é controlado pelo eleitor, podendo se render às tentações dos inúmeros tentáculos das influências dos círculos de poderosos.

Nesse aspecto, mesmo com uma sociedade considerada mais primitiva, os povos originários eram muito mais livres diante das condições que se lhes apresentavam.

No mundo europeizado a restrição à liberdade era enorme nos Séculos XVIII, XIX e XX e continua a sê-lo no Século XXI. Uma pessoa sem emprego não poderia caminhar pelas ruas. Reuniões de trabalhadores eram proibidas. Afeto homossexual era considerado um ato contrário aos bons costumes. Hoje, mais de um século após a abolição da escravatura, um preto pobre que anda de sandálias possivelmente venha a ser parado a cada viatura policial que avistá-lo no continente americano. A leitura de certos livros foi proibida pela ditadura militar. 

A liberdade começa pela liberdade de escolha, de locomoção e de ser quem você quiser. Aí, sim, haverá liberdade, respeitadas as ressalvas legais formuladas por um parlamento democrático eleito pelo povo.

Mesmo assim, essas restrições podem ferir o sentimento de liberdade de muitos, cabendo à Justiça decidir.

O que não dá para aceitar é a liberdade circunscrever-se apenas à questão econômia, privilegiando os poderosos em detrimento de todo o restante populacional.

Se é fato que o ser humano nasceu para ser livre, é certo também que a natureza lhes proporciona a igualdade, algo que não é reproduzido em nossas sociedades ocidentais. A fraternidade, então, restou para alguns religiosos, que são xingados quando distribuem alimentos às pessoas em situação de rua. A liberdade desses se alimentarem é restrita justamente por aqueles que vomitam o termo liberdade em campanhas políticas.

A esses hipócritas de extrema direita não interessa a liberdade polítidaca, pouco menos a igualdade e a fraternidade. O que lhes interessa é poder ganhar dinheiro às custas de toda a sociedade, afrontando de uma só vez os três princípios basilares da revolução francesa e da dignidade humana.

O discurso de Milei, Trump e Bolsonaro são, portanto, vazios de qualquer sentido de liberade. Eles defendem o neoliberalimo, o mercado, sob um regime quase autocrático. São garotos propaganda de um discurso único, padronizado, insosso.d

Tudo que interfira na produção e no lucro é rechaçado pelo capitalismo imperialista, e potencializado pelo neoliberalismo.

Há muitas restrições legais, como a de expressão, que não pode incidir em ilícitos civis ou criminais, a de proteção aos dados, incluindo imagens, de crianças e adolescentes e tantas outras. As restrições derivam de um bem maior em questão.

A liberdade alcança até saber quem realmente somos, por que estamos aqui e qual o nosso papel nessa sociedade. A liberdade impõe o aprofundamento da verdade, do conhecer, do ser, da locomoção e da dignidade. A liberdade econômica, porém, não é liberdade. É imposição de um sistema econômico que restringe cada vez mais as democracias liberais, interferindo nos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, corroendo a própria democracia. Essa liberdade que a extrema direita apregoa não presta! Nos libertemos dela!

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