Não é a primeira vez que o reino do Marrocos utiliza a emigração como arma de retaliação ao governo espanhol. Mas o que havia perturbado o reino? Ao que tudo indica foi a aproximação da Espanha com a Argélia, que no dia 20 de julho firmaram acordo para a exportação de gás argelino para o país ibérico.
Para quem não sabe, Argélia e Marrocos são países inimigos, grande parte por conta da maior parte do território do Saara Ocidental estar sob o domínio colonial marroquino, que explora a pesca e os minérios da colônia. A outra parte, muito pobre e desértica, luta pela independência, com o apoio da Argélia, que acolhe os cidadãos sarauis, como são chamados os naturais daquela região.
A aviação israelense tem receio da Força Aérea argelina até hoje. Cerca de 50 anos atrás os palestinos se reuniram na Argélia e os israelenses mandaram aviões para bombardear a região. Numa manobra ousada e corajosa, pilotos argelinos se posicionaram no limite da altura suportada pelas espaçonaves, prontos para atacar os israelenses. Esses perceberam a movimentação e não tinham como reagir. Deram meia volta e nunca mais ousaram invadir o espaço aéreo argelino.
Mas não é só isso. Nos últimos anos, Marrocos tem se aproximado dos Estados Unidos e Israel, países que reconheceram o Saara Ocidental como sendo do território marroquino, e aquele reconheceu Israel e com ela firmou acordos comerciais.
Pelo o que se vê, Marrocos provocou e os Estados Unidos e Israel aproveitaram-se para se vingar da Espanha, que proibiu que os Estados Unidos utilizassem o espaço aéreo ou as bases espanholas para atacar o Irã, e que ainda condenou Israel pelo genocídio em Gaza.
Não se trata de crise migratória. Ao contrário. É a utilização de questões humanitárias para movimentação geopolítica pelas potências regionais e globais.
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