A EXTINÇÃO DO ESTADO PROMOVIDA PELA NOVA ETAPA DO CAPITALISMO NO OCIDENTE

por Cyro Saadeh

O Estado sempre foi fundamental para as classes menos favorecidas, seja pelo suporte à educação, saúde ou aos direitos trabalhistas e previdenciários, ou ainda aos benefícios sociais temporários. É ele que tem evitado rebeliões, revoluções pela luta de classes.

O Estado como conhecemos é o Estado burguês, com a democracia liberal, através de representantes e que, em boa parte das vezes, tenta propiciar dignidade a todos.

É óbvio que muitos países não conseguem levar dignidade aos seus cidadãos, e vemos isso tanto na maior potência capitalista do globo, os Estados Unidos, como no Brasil, na Índia e em tantos outros. Porém, alguns países europeus e asiáticos têm conseguido diminuir a pobreza e assegurar uma dignidade mínima aos seus cidadãos.

Mas vamos falar de Brasil. Hoje, grande parte dos nossos representantes é impulsionada pela força de grandes corporações e de interesses localizados, inclusive estrangeiros. Vemos isso na movimentação do maior partido do Congresso Nacional, o PL e muitos de seus representantes, em especialo candidato à presidência Flávio Bolsonaro. Até sua campanha utilizará o estilo estadunidense de se apresentar.

Esse descompromisso político com o nacional ajuda a minar o Estado, enfraquecê-lo, ao mesmo tempo em que vemos "gestores" públicos privatizando tudo o que podem e não podem, minando o patrimônio público e até, de certa forma, o interesse público.

E assim o Estado vai desaparecendo.

Não bastasse isso, os próprios operadores do Direito e nossas Cortes de Justiça têm aplicado legislação privada a questões públicas, cujos princípios que as albergam são específicos e garantidos Constitucionalmente.

E por falar nesse enfraquecimento da Constituição pelos próprios juristas, ela também tem sido alterada pelos nossos legisladores desde a sua promulgação, com o claro intuito de enfraquecer o produto e a indústria nacional, os direitos sociais e o próprio Estado, em prol de interesses privados.

E na geopolítica vemos os Estados Unidos, ainda a maior potência militar do globo, ameaçando a soberania de diversos países. Venezuela, Irã e até o Brasil são exemplos disso. Não fomos atacados, mas eles adentram em questões nossas, de nossa soberania, como Justiça, Pix e segurança pública.

Grandes Big Techs, financeiras, indústrias de armas, grupos sionistas e petrolíferas são os principais interesses que dominam a política dos Estados Unidos. As Big Techs, que trabalham para o governo dos Estados Unidos e recebem altíssimos montantes deste, querem que não sejam regulamentadas, a fim de propiciar o maior lucro possível. A regulamentação, para evitar a ocorrência de crimes diversos e interferência nos Estados estrangeiros e eleições, é uma pauta discutida em todo o globo. Já foi implementada na Europa, mas no Brasil o lobby contrário é enorme. Isso significa também a perda de poder do Estado e o risco contínuo de interferência direta em nossas eleições.

A tendência, segundo analistas, é o comando dos países ficarem subordinados aos interesses desses poderosíssimos oligopólios das Big Techs, numa espécie de feudalismo, ou seja, diminuindo direitos e garantias, com um Estado fraco e meramente figurativo que somente visa atender aos interesses desses oligopólios.

Internamente os partidos políticos e grande parte da mídia e do empresariado trabalha para a diminuição radical do Estado, enquanto os Estados Unidos querem retirar o direito a soberania de nosso Estado pela pressão e pela força, se necessário.

O destino inevitável, ao que parece, será a própria extinção do Estado, como previa o economista Karl Marx há quase dois séculos.

Mas a extinção do Estado nos levará ao Technofeudalismo dominado pelos interesses privados, em especial das Big Techs, como asseguram os analistas ou a maior parte da população é que, revoltada, ditará o comando?

Depende do poder de massificação que as Big Techs efetivamente tenham. Por enquanto, considerando que muitas pessoas se informam apenas pelas suas chamadas "bolhas" nas mídias sociais, o oligopólio estadunidense ditaria as regras facilmente.

Porém, há outra super potência que precisa ser analisada em conjunto, a China, onde o capitalismo é fortíssimo, mas tem sérios limites quando se trata de interferência no Estado. Lá quem comanda é o Partido Comunista, que tem programas e projetos para décadas futuras, e as empresas têm que se adequar às necessidades da população e do país, sem interferir na política. A inteligência artificial lá não é desenvolvida apenas para a lucratividade das empresas, mas para facilitar o dia a dia das pessoas, como para cuidar de idosos e no avanço dos medicamentos e do atendimento à saúde.

Coreia do Sul, Japão, Vietnã, Indonésia e outros países têm Estados fortes, que investem em determinados setores e regulam a economia. 

Enquanto o mundo ocidental caminha para a extinção do Estado, na ásia o Estado continua forte e tem trabalhado em prol do país ou da própria população.

A guerra do Irã representa não apenas a guerra pela energia, e pelo controle efetivo do oeste da Ásia, mas esse embate entre os Estados ocidentais (no aspecto ampliado) e os orientais.

O Brasil terá que decidir em breve o caminho a ser tomado, ou de apêndice dos Estados Unidos ou, como país altivo e independente, escolher o melhor para si, para a sua economia, para o seu povo e para o seu futuro.

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