Donald Trump faz ameaças a países aliados e combate os chamados inimigos. São muitas brigas de uma só vez para alguém que não tem preparo emocional nem assessoramento pessoal competente. E comprou briga até com o pacífico Brasil, um aliado de mais de 200 anos.Os Estados Unidos tiveram sucesso na Venezuela porque teriam corrompido militares, segundo muitos analistas militares e de geopolítica. Durante a revolução colorida de janeiro, no Irã, tentaram fazer o mesmo, e não conseguiram. Os iranianos descobriram a origem dos rebeldes armados e de agentes do Mossad e os combateram, e sem conseguir comprar qualquer autoridade iraniana, os EUA optaram por atacar o país persa no dia 28 de fevereiro, em meio a uma negociação que estava sendo travada, e se deram mal. O Irã atacou cada uma das bases estadunidenses localizadas no Oeste da Ásia (Oriente Médio). Em mais um ato de deslealdade, os Estados Unidos voltaram a atacar o Irã durante o funeral do seu líder religioso, dias atrás, assassinado pelos Estados Unidos em fevereiro.
Ao mesmo tempo armam a Ucrânia e Taiwan, provocando Rússia e China, respectivamente. Prometeram transferir tecnologia de enriquecimento de urânio para a bomba atômica saudita, para provocar Irã e Turquia, potências regionais sem armamento atômico.
Trump só sabe fazer inimizades e com o Brasil não tem sido diferente. Mesmo com líderes de direita ele tem tido problemas, como com a primeira ministra italiana.
Além de atacar o nosso pix, Trump fez incidir tarifas extras de 25%, colocando o Brasil como o segundo país mais prejudicado com essas ações unilaterais, atrás apenas da China, adversária econômica dos Estados Unidos. O Brasil, ao contrário do que diz o governo Trump, compra muito dos Estados Unidos e exporta cada vez menos para o país do norte das Américas. Mas como isso pode ser benéfico ao Brasil?
Nossas empresas e também o governo federal procurarão mercados compradores alternativos, bem como substituição de importação de produtos estadunidenses. Nisso podemos ganhar pagando mais barato aos chineses, que vendem maquinários industriais moderníssimos e a preços mais reduzidos.
Quem perderá serão os consumidores estadunidenses, que pagarão mais caro por alguns produtos brasileiros, e as indústrias estadunidenses, que venderão menos ao Brasil. Trump deu um tiro no pé.
E como o Brasil pode crescer com isso? Primeiramente, procurando novos mercados para os seus produtos. Segundo, procurando mercados fornecedores alternativos dos bens que importa do Estados Unidos. Nisso a China pode contribuir e muito. E não temos que criar alardes nem bater boca. Temos que dar um tapa com luva de pelica, em silêncio, para que o governo Trump perceba isso tempos depois, quando já for tarde para reverter a medida sem ter prejuízos significativos.
O Brasil foi um aliado importantíssimo dos Estados Unidos, principalmente na segunda guerra mundial, cedendo bases no nordeste para que ações no norte da África fossem exitosas contra o exército nazista e contra forças italianas. Sem o Brasil os Estados Unidos não teriam o êxito que tiveram assegurando um Atlântico Sul livre para o comércio e um norte da África alvo das operações estadunidenses. O Brasil foi muito mais importante do que se fala. Sem o nosso país as forças ocidentais ainda estariam lutando na África, enquanto os soviéticos, sozinhos, teriam aniquilado as forças nazistas na europa. E o mapa europeu poderia ser bem diferente do que foi no século passado, com muito mais países comunistas na Europa e a URSS se sagrando como a força hegemônica, e os Estado Unidos se tornando uma potência regional, e não global.]
Foi Dellano Roosevelt que percebeu a importância do Brasil para combater as forças nazistas. Ademais, toda a sua preocupação com o trabalhador estadunidense parece ter sido uma cópia do que Vargas fazia no Brasil. Não se pode dizer que o presidente estadunidense copiou Vargas, literalmente, mas foi implantado um programa assemelhado tempos depois.
Trump, ao contrário, não tem a visão a médio e longo prazo e só sabe trabalhar com chantagens, ao contrário do que fazem os grandes estadistas.
Afastando o Brasil, como se fosse punição, os EUA podem dar ao nosso país a oportunidade de nos aproximarmos de outros países, receber transferência de tecnologia e aumentar o nosso PIB. Podemos, inclusive, nos integrar com maior empenho ao BRICS.
Assim, se o Brasil souber aproveitar o momento, investindo em reindustrialização e tecnologia, pode vir a fortalecer a sua economia e a sua importância geopolítica. Pode crescer enquanto os Estados Unidos desabam.
Porém, o Brasil não pode descuidar de sua segurança. Já tratei neste blog sobre a necessidade de permitirmos a consolidação de uma base aeronaval no nordeste, em Fernando de Noronha, por prazo determinado e com previsão de prorrogação temporal, por países dos BRICS, com a missão de assegurar a livre circulação de pessoas e mercadorias no Atlântico Sul, minimizando ou anulando a possibilidade de um bloqueio naval estadunidense aos nossos portos, o que garantirá que possamos continuar a exportar os nossos produtos e importar o que quisermos.
A base seria uma medida urgente, enquanto fortalecemos nossa indústria de defesa e abastecemos nossas Forças Armadas com mísseis de curto, médio e longo alcance e drones com inteligência artificial, lançamento de satélites, navegação por sistema brasileiro ou de país integrante do BRICS e sistema de comunicação próprio.
Não tenho dúvidas de que a queda dos Estados Unidos permitirá que o Brasil alce ao posto de maior potência ocidental, considerando-se sua capacidade de inovação, sua imensa população, sua autonomia cada vez maior em energia, seu enorme território e sua posição geográfica estratégica. É óbvio que isso não será automático e dependerá das decisões que o Brasil e o empresariado adotarem.
Em um mundo multipolar, é importante para o planeta que um país que nem o Brasil esteja à frente no ocidente, mudando as posições colonialistas e muitas vezes imperialistas adotadas por Portugal, Espanha, Holanda, Inglaterra, França e Estados Unidos.
Quem tem tudo a perder é Trump.
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