O DESEJO PELAS NOSSAS RIQUEZAS E NOSSAS AÇÕES

Os Estados Unidos estão perdendo capacidades, o que se vê nas guerras da Ucrânia e contra o Irã. Os EUA de hoje não têm o mesmo poderio das décadas de 1940 a 2000. Grande parte disso se deve ao seu envolvimento seguido em grandes guerras e à adoção do neoliberalismo na década de 1980.

Mesmo insuflando golpes de Estado e cooptando líderes estrangeiros, os EUA sabem que estão a poucos passos de ceder as lideranças econômica e militar à China.

Para retardar a liderança chinesa ao máximo de tempo possível, sem confronta-la diretamente, os Estados Unidos adotam ações para tentar minar as rotas de comércio da China e o fornecimento de matéria prima, alimentos e energia ao gigante asiático. Por isso o sequestro de Maduro e o ataque ao Irã, o terceiro pilar estratégico chinês.

A corrida pelas terras raras não se deve apenas pelos componentes militares e de alta tecnologia, nem pelos reatores de energia eólica  que os utilizam, mas pela grande capacidade de produzir energia que o tório, encontrado em terras raras, possui.

Se fosse apenas pela questão militar e tecnológica, os Estados Unidos já estariam explorando as reservas da Austrália e da África. 

Ao mesmo tempo em que o Brasil possui a segunda ou terceira reserva mundial de tório, está na América Latina e possui proximidade econômica e de troca científica com a China. Os Estados Unidos querem as nossas terras raras, mas também querem o nosso tório, e para que? Para controlar boa parte da energia mundial, não mais pelas usinas atômicas baseadas em urânio, mas também em tório e no petróleo. 

Com isso manteriam a América Latina sob controle e a afastariam da China. 

Os Estados Unidos buscam se reindustrializar, e para isso precisam de energia, muita energia barata e de mercado consumidor. Eles já conseguiram enfraquecer o poder industrial europeu. Agora querem atingir o que sobrou de nossas indústrias. Europa e América Latina garantiriam aos Estados Unidos um considerável mercado consumidor, privando a China do comércio com o ocidente geográfico. 

O Brasil é estratégico e tem que saber negociar, sem se render. Temos que tirar proveito, ao mesmo tempo em que aproveitamos as nossas riquezas. O que não podemos fazer é dar os nossos minerais para livre exploração pelos Estados Unidos sem tirar qualquer vantagem disso, como prometia fazer Flávio Bolsonaro. Se eles querem, que paguem bem, e não tenham direito à exploração, que deve ser brasileira, com tecnologia nossa. Ou seja, podemos ganhar dinheiro e ter o controle de nossas riquezas. 

Como os Estados Unidos só querem vantagens, temos que pensar na nossa imediata proteção territorial e marítima. Para nos rearmarmos com tecnologia própria levaria anos e estaríamos vulneráveis nesse meio tempo. Por isso reitero aqui a ideia de que uma solução rápida e eficaz seria a cessão temporária, podendo ser renovada,de uma base naval e aérea aos BRICS, em especial China e Rússia. Esses países que têm capacidade de repelir ataques dos Estados Unidos poderiam garantir a nossa integridade territorial e, ao mesmo tempo, poderiam assegurar, em seu próprio benefício, e também do Brasil, o livre trânsito de mercadorias e de pessoas no Atlântico Sul, sem permitir que os Estados Unidos efetivassem um bloqueio naval, ao estilo do que fizeram na Venezuela.

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