O BRASIL HISTÓRICO E REAL TÃO DISTANTE DO IMAGINÁRIO DE LEVEZA QUE TEMOS DO PASSADO

Imagem: Revolta da Chibata

O Brasil tem uma vasta história riquíssima de herois e de lutas. Se eu, que amo estudar sobre o país, desconhecia muitos de nossos bravos guerreiros e das revoltas que lideraram, imagino, então, outras pessoas mais afeitas a outras áreas do conhecimento. 

Mal conhecemos as margens do passado. As profundidades reais histórica e de lutas são desconhecidas dos brasileiros. E elas são a base de nossa integração como um só povo, uma só identidade, sejamos ricos ou pobres, brancos ou pretos, cristãos ou não, heterossexuais ou não. É ela que nos identifica, nos acolhe e nos marca como brasileiros.

A separação entre extrema direita e os outros, a que denominam esquerda, ainda que sob roupagem levemente diferente, não é nova. Assim como não é novo o entreguismo dos extremistas de direita. Foi assim durante o Império, a Velha República e as subsequentes.  

Tive a sorte de conhecer Canudos, a nova, do açude de Cocorobó, e não a velha de Antônio Conselheiro, e fazer um documentário analisando a construção da enorme represa sobre um sitio histórico sob o contraste da opinião da população e daquela dos intelectuais, entre o imaginário popular e o que era possível obter dos estudiosos, a análise fria e sincera. O real e o imaginário popular se entrelaçavam, como sempre no nosso Brasil. Vi a região árida onde ocorreram os combates, que escondia uma beleza sutil, embora singela e delicada, em contraste com a luta pela sobrevivência quase sem água e sob sol forte. Os guerreiros de Canudos imitavam a natureza e sobreviveram a três ataques das forças estaduais e federais. O combate final, último da Guerra de Canudos, culminou com a destruição da vila dos sobreviventes e a degola praticamente generalizada, como era comum em um Brasil bárbaro que tentaram nos esconder. Para tentar apagar o massacre da República Velha, a ditadura  afogou de vez o que restava da história por meio da construção de um açude, polêmico e salvador, que sobrevive até hoje.

Se você quiser assistir ao documentário, clique aqui (parte 1). Parte 2. Parte 3Parte 4.

Euclydes da Cunha percebeu o contraste e os Brasis diferentes, mas até hoje não resolvemos essa marca que nos atinge e nos fere. A história do Brasil sempre foi entre a elite e pobres; os europeus e agora os estadunidenses e os brasileiros típicos, fruto de mestiçagem; entre um Brasil verdadeiro e o imaginário, não mais da população em geral, mas de certa elite e classe média. Contra isso só há uma solução, conhecer a fundo nossa história, nossa identidade, os fatores que ensejam essa dicotomia e que, conhecidos, possibilitariam nossa integração vital, necessária.

O Brasil tão belo, tão grande e tão rico de natureza e pessoas, não pode esperar nem mais um minuto. Não estamos mais sob mera exploração ou ataques indiretos de países colonialistas e imperialistas. Somos agora alvo geopolítico preferencial de um império decadente e desesperado. O risco de graves sanções econômicas e de ataques bélicos pontuais é uma realidade cada vez mais próxima e presente. Somente o esclarecimento de quem são os brasileiros, de quem somos, e a união do nosso povo poderá salvar esta brava Nação. O nosso nacionalismo não é excludente, como dizem muitos incautos, mas verdadeiramente integrador, para despertar a rica brasilidade sempre presente em cada um de nós.

A brasilidade encanta o mundo, é o nosso poderoso "soft power", mas nós, brasileiros, temos que despertá-la de vez dentro de nós.

Comentários

AGÊNCIA PÚBLICA

AGÊNCIA PÚBLICA
COMPROMETIDA COM O PÚBLICO