MARCO RUBIO, UMA PEDRA NO SAPATO DE TRUMP E DA ECONOMIA DOS ESTADOS UNIDOS?

Donald Trump nunca foi um empresário brilhante. É milionário, mas levou à falência algumas de suas empresas, e, agora na liderança dos Estados Unidos, há o risco de levar o seu país a deixar de ser um ator mundialmente importante.

Quando os Estados Unidos, já industrializados e no final do século XIX, estavam caminhando para superar a Espanha, Inglaterra e França, como grande potência mundial, passaram a adotar medidas imperialistas e a invadir e a tomar territórios alheios. As taxas eram adotadas para "proteger" a sua indústria.

Nos anos 1930 e 1940, com Franklin Dellano Roosevelt, os Estados Unidos mudaram radicalmente sua estratégia, tentando mudar sua faceta bélica mundialmente conhecida, e adotaram ótimas relações com a América Latina, ao contrário do que Trump faz, sob a perigosa orientação de Marco Rubio. Roosevelt baixou as tarifas de importação dos produtos latino americanos e com isso conseguiu êxito comercial, aumentando a influência dos Estados Unidos na região. Deu início ao famosíssimo "soft power" estadunidense, ou seja, ao uso da música, do cinema, do rádio e dos programas de televisão, para levar o "modus vivendi' estadunidense ao mundo, como se o país fosse democrático, sério e amigo. Trump está anulando o "soft power", deixando transparecer o verdadeiro Estados Unidos. Por seu lado, Rubio não deseja aproximação ou diálogo e tenta usar a América Latina como quintal onde pode jogar o lixo à hora que for. E o Brasil, o país com o maior território, a maior população e a maior economia da América Latina, é o alvo preferencial do fraco Marco Rubio.

Marco Rubio tentou ser candidato à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano e não conseguiu. Hoje é Secretário de Estado de Trump e articulou as ações contra a Venezuela, as ações de maior aproximação com Milei, o  aumento das sanções à Cuba e, agora, medidas que afetam direta e frontalmente a economia do Brasil, visando afetar as eleições de outubro. A família Bolsonaro tem responsabilidade pelas articulações que travaram com os assessores de Trump para prejudicar o país em proveito deles próprios.

As tarifas impostas contra o Brasil irão fazer com que o país busque outros mercados, seja na América Latina, na Europa, na África, na Oceania ou na Ásia. Desde o ano passado, com as primeiras tarifas impostas ao país, o Brasil aumentou ainda mais o comércio com a China.

Se o Brasil for hábil, deixará de comprar muitos dos produtos dos EUA, substituindo-os por produtos de países membros do BRICS, preferencialmente, de forma a afetar a economia daquele país, ainda que isso esteja muito longe de causar um pandemônio. A compra programada de armamentos dos Estados Unidos, inclusive, deveria ser prontamente cancelada, como medida de "compensação" ou de retaliação.

O Brasil é grande demais para ser submisso a Trump ou aos Estados Unidos. Podemos e queremos ter boas relações, mas sem imposições, sem grosseria.

Nesse momento, mais do que nunca, devemos nos voltar para a reindustrialização do país, inclusive da área bélica, com investimento e parcerias com as universidades para desenvolvimento de tecnologia nacional em diversos segmentos.

Voltando aos Estados Unidos. Do jeito que as coisas andam, o destino dos Estados Unidos não é ser ultrapassado pela China, mas esmagado. Ao invés de fazer parcerias e primar pela aproximação com outros países, Trump se isola e impõe tarifas e sanções a nações tradicionalmente parceiras e amigas. Pressiona os europeus, diz que irá tomar a Groenlândia e sair da OTAN. Essas medidas tendem a aproximar todos os países afetados do concorrente maior dos EUA, a China.

Certamente, os governos neoliberais radicais de extrema direita na América Latina não durarão muito tempo, principalmente pelos seguintes fatores: aumento imediato da criminalidade na região, aumento da pobreza, desindustrialização, tudo isso ocasionado não apenas pela má gestão, mas muito pelo próprio neoliberalismo, que erradica medidas sociais e a sobrevivência de um capitalismo sadio.

México e Brasil, as maiores economias da região, não aderiram ao neoliberalismo radical e têm governos de centro-esquerda. Porém, os Estados Unidos tentarão (e já estão tentando) de tudo para levar um candidato de extrema direita ao poder nesses países. Além de sanções disfarçadas de tarifas aumentadas, há a possibilidade de manipularem as redes sociais e insuflarem revoluções coloridas. Caso nada disso funcione, há até mesmo a possibilidade de os Estados Unidos "convencerem" as Forças Armadas dos países para um golpe de Estado, como alerta Robinson Farinazzo, analista de geopolítica e militar reformado da Marinha.

Empresários dos Estados Unidos já pressionam Trump e Rubio, assim como o governo brasileiro. Se Trump for minimamente inteligente mudará suas ações para o México e Brasil, além da Europa, e demitirá Marco Rubio, que pensa mais em seu próprio eleitorado do que no país ou no governo do qual faz parte. O prejuízo que Rubio causa aos Estados Unidos é muito grande, principalmente no âmbito econômico, mas não só, nas esferas diplomática e militar também.

Pode não demorar para Rubio deixar o governo, mas quem alertará Trump sobre os prejuizos que os EUA vêm sofrendo? O governo Trump tem várias vertentes, e as concorrentes, como a MAGA, podem colocar isso às claras. Será? Enquanto isso não ocorre os Estados Unidos continuarão decaindo lentamente. E se assim continuar por mais alguns meses ou um ano, a velocidade da queda tende a aumentar drasticamente. A decisão cabe a Trump e ao povo dos Estados Unidos. 

Aqui, no Brasil, na defesa dos nossos interesses, cabe ao nosso presidente e ao nosso povo. Os Estados Unidos fiquem lá, bem longe!

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