Mulheres já foram tratadas pela lei como objeto por muitos séculos, e foram impedidas de votar e decidir em seus lares, assim como os escravos e os estrangeiros.
O iluminismo fez surgir teorias para a evolução humana e a Revolução Francesa sedimentou a necessidade da humanidade basear-se em fraternidade, liberdade e também na igualdade.
Mulheres já foram guerreiras exemplares, seja entre os vikings, entre os chineses ou outros povos.
Mulheres já comandaram exércitos, impérios e o coração de muitos poderosos.
A primeira mulher com que tivemos contanto é a nossa mãe, silenciosa e, que sem alarde, nos confortava com seus toques sutis e carinhosos quando ainda estávamos em seu ventre. O nosso pai, no entanto, nem sabia o que fazer.
Se aquela que nos gerou não pode votar, por qual motivos nós, frutos delas, poderíamos? Não. Nós não teríamos o mínimo direito, pois herdamos delas as qualidades e os defeitos. Se ela não pode, nós também não poderíamos. Na verdade, por questão de lógica, nós teríamos menos capacidade de votar.
Mas se aquele que é filho de uma mulher julga que sua mãe é um objeto e não sujeito de direitos, ele terá menos direito ainda a votar, não apenas por ser parcialmente objeto, mas por não ser leal a quem o criou, por ter menos moral, por ter menos caráter e por não ter o mínimo de hombridade.
As mulheres adquiriram o direito a votar no Brasil em 1930, a menos de cem anos, com Getúlio Vargas, e querem retirar esse direito delas. Foi a partir dos votos das mulheres que o Brasil cresceu, e cresceu muito, se industrializou e foi o país capitalista que mais cresceu em todo o globo de 1930 (ano em que as mulheres passaram a votar) até 1980.
Foi a humilde e forte Maria, Mãe de Jesus, que acariciou e confortou Cristo, para que este não sofresse pelas maldades dos homens.
E com tantos exemplos de coragem e de retidão das mães, esposas, amigas, amantes ou, simplesmente, mulheres, ainda querem que elas não votem.
Só concordaria com a horrível tese de que mulher não pode votar se, em compensação, só elas se candidatassem, só elas pudessem ser eleitas e só elas governassem. Seria uma troca justa. Um sexo não pode votar, mas o outro não pode se candidatar.
Se é para generalizar, generalizemos. Os homens têm se mostrado muito mais suscetíveis à corrupção, aos desvios de poder, às vaidades excêntricas e às disputas através das guerras, sem qualquer pudor ou limite do que qualquer mulher pode demonstrar no comando de um exército ou de uma Nação.
Se eles querem que as mulheres não votem, tudo bem, desde que os homens não possam ser eleitos e não governem, pois, segundo os repetitivos casos históricos, parece lhes faltar capacidade para tanto. Alguém discorda?
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