Os lançamentos do Zé Bettio, ao menos para mim, se davam pelo potente (no sentido de contagiante) radinho da DJ (sim, pois comandava o show) Ana Maria.
Em todos os dias da semana tinha um show melhor que o outro. Para mim a festa rolava no quintal de casa, mesmo, e eu, bem jovenzinho, quase de tenra idade, estava autorizado a participar.
E lá estava eu no quintal brincando comigo mesmo quando ouço um som que até hoje me contagia a alma, o velho e bom forró. Ah, que música era aquela? Até a jovial múmia paralítica aqui se remexia, como se o som fosse uma flauta mágica indiana que me guiasse.
Até hoje os meus pés não ficam quietos ao ouvir um forró, e os meus ouvidos e memória voltam no tempo, a um tempo em que os shows não eram refinados nem exigiam enormes espaços ou grande público e nem o som saia puro, mas repleto de ruidos, e mesmo assim era muito bom. Tão bom que acalenta o meu coração e o meu ser ao perceber que a dança não foi feita para mim e que ouvir e imaginar basta para essa pedra na forma humana ser feliz!

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