DO GIGANTE DELANO ROOSEVELT AO PEQUENO DONALD TRUMP. SENSAÇÃO DE DECLÍNIO E DE QUE O CAPITALISMO NÃO DEU CERTO NAS PALAVRAS DOS ESTADUNIDENSES.

Os Estados Unidos já foram grandes, quase gigantescos. O tempo, o poder, a riqueza e a ambição desenfreada os desvirtuaram e os levaram, hoje, a uma crise social, econômica e moral. Eu estou apenas repetindo o que uma recente pesquisa do Wall Street Journal apurou. Dois terços dos estadunidenses percebem que o país está em declínio e, mais, 51% avaliam que o capitalismo não deu certo. E é com esse Estados Unidos em crise e com contestações cada vez mais abertas ao capitalismo, que Flávio Bolsonaro quer se aliar, ou melhor, se render. Para um reacionário neoliberal, talvez essa não seja a melhor escolha e pouco menos a mais inteligente. Para o Brasil menos ainda, pois o destino será ficar preso ao fornecimento de bens a preço baixo, com menos dinheiro no país, maiores crises econômica e social e a ampliação do crime organizado na esfera privada e pública, em especial na política.

Os Estados Unidos de antes, muito diferentes dos Estados Unidos de Trump, enfrentaram de frente a recessão de 1929, o perigo nazista e o surgimento de um bloco comunista. Mas durante esse longo percurso tiveram um grande líder à frente, Franklin Delano Roosevelt, que foi presidente de 1933 até 1945, quando faleceu.

Ele nasceu em 1882, foi advogado e um grande estadista. Implementou o revolucionário New Deal, que provocou a recuperação econômica através da forte atuação do Estado na economia, garantindo também direitos civis e sociais. Os Estados Unidos de Delano não eram os mesmos de antes, nem de agora. Ele revolucionou o país, e os Estados Unidos daquela época gloriosa estão até hoje na mente de muitos latino americanos e baba-ovos daquele país.

Foi com ele que a América Latina, em especial o Brasil, se aproximou, e muito, dos Estados Unidos. Delano foi um amigo próximo do Brasil, mas tinha também os seus interesses para tanto. Os filmes estadunidenses substituiram os europeus e passaram a lotar nossas salas de cinema, que cresciam em número e também em tamanho. As rádios tinham programas produzidos nos Estados Unidos ou em parceria com os estadunidenses aqui no Brasil. Para eles nós eramos um Estados Unidos em potencial. A nossa mestiçagem intrigava e também fascinava os estadunidenses. A economia deles crescia ainda mais com a ajuda do Brasil.

Ao lado de Delano havia um banqueiro na implementação da Política de Boa Vizinhança. Era Nelson Rockefeller. Ao invés de aumentar tarifas, como faz Trump, Delano as reduzia para a América Latina. Roosevelt não queria de jeito algum que os alemães nazistas ingressassem no continente americano e por isso quis criar fortes laços econômicos, diplomáticos e de amizade com a região. O Brasil esteve ao lado de Delano. A Argentina nem tanto.

Trump, para afastar a China do continente latino americano faz exatamente o contrário de Delano. As ameaças surtem efeito para países menores, como Argentina e outros, mas não para um verdadeiro continente como é o Brasil. Qualquer empresário brasileiro que sofre prejuízos com o aumento das tarifas trumpistas vai buscar outro mercado mais atrativo, e este quase sempre está na gigantesca China. A política de Trump enfraquece os Estados Unidos econômica, política, social e até militarmente. Daí a percepção de dois terços da população estadunidense de pleno declínio.

Àquela época Delano chegou a dizer que só houve dois presidentes que instituíram planos econômicos e sociais com a envergadura do New Deal, primeiramente Vargas e depois ele, Delano Roosevelt. A diferença é que os Estados Unidos já eram industrializados e tinham uma economia gigantesca, e o Brasil, nem uma coisa nem outra, e a partir daí começou a crescer, e muito.

Pode-se dizer que foi com a ajuda do Brasil que os Estados Unidos se tornaram a maior potência hegemônica do globo na segunda guerra mundial. Mas os Estados Unidos pós-Delano Roosevel nos trairam e sequer nos convidaram para participar das primeiras reuniões para a formação da Organização das Nações Unidas. No lugar do Brasil no Conselho Permanente de Segurança, colocaram um país europeu, a França. 

Pena que Roosevelt não deixou sucessores à altura. Mesmo sofrendo paralisia, e com suas consequentes limitações físicas, Delano Roosevelt era um gigante e talvez o maior estadista que os nossos grandes vizinhos do norte já tiveram, e um amigo que faz muita falta.

Hoje, os Estados Unidos têm Marco Rubio e Donald Trump, sionistas radicais, extremistas de direita e que odeiam imigrantes e quem pensa diferentemente deles. Inconsequentes, atacam até aliados históricos, como os europeus, e dizem querer abandonar uma organização militar como a OTAN. Nos outros tempos, comunistas e banqueiros trabalhavam juntos em prol do progresso dos Estados Unidos, que poderia ser um belo país, como já imaginava Karl Marx, mas foram sequestrados pelos interesses financeiros e econômicos de uma parte da elite retrógada e manipuladora, abandonando o seu próprio povo sem saúde pública, com salários cada vez mais insuficientes, aumentando a pobreza e a miséria, enquanto concentraram a renda nas mãos de pouquíssimos bilionários e do único trilionário da face da terra. E é esse Estados Unidos decadente, racista, sionista, militarista, segregador e concentrador de rendas que a extrema direita brasileira e latino-americana quer imitar. Perderam o bonde da história. Não deu certo para eles (estadunidenses) e não vai dar certo em lugar nenhum do mundo, menos ainda no Brasil, tão carente de efetiva cidadania à sua população e tão grande em potencial e capacidades.

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