Ataques às mesmas bases estadunidenses não surtirão efeito, a não ser que sejam destruídas aeronaves e equipamentos valiosos, além de atingir o maior número de militares. Outra possibilidade é o Irã atingir bases mais distantes, como as localizadas na Jordânia, na Síria e as israelenses e emiradenses na ilha de Socotra, além de alvos estratégicos israelenses e emiradenses na Somalilândia.
Atacar essas bases israelenses ajudará os proxys houthis a exercer com maior liberdade ações no golfo de Áden e no Estreito de Babelmândebe, diminuindo a capacidade de reação e de inteligência de Israel na região. Se houver negociações as ações podem contar com o apoio da Arábia Saudita, que quer eliminar a influência dos emiradenses na região.
A base israelense, militar e de inteligência, no Curdistão iraquiano também pode ser um importante alvo a ser eliminado, que contaria com a simpatia do governo central iraquiano.
O Irã tem que pensar não apenas em sua defesa imediata, mas em ataques que possam modificar a realidade geopolítica hoje existente, extremamente favorável aos Estados Unidos e a Israel, inclusive se aproveitando da animosidade de alguns países contra Israel e Emirados Árabes Unidos.
No ataque a alvos estadunidenses na Síria pode haver o apoio discreto da Turquia ou até de curdos sírios, abandonados pelo governo estadunidense.
As ações iranianas, hoje, não são apenas exclusivamente militares, mas também diplomáticas e de inteligência. Se o Irã souber trabalhar diplomaticamente e utilizar sua inteligência para atuar de forma cirúrgica, os Estados Unidos poderão sofrer um golpe inesperado e fatal.
Enquanto o Hezzbollah luta sozinho, hoje, contra os israelenses, poderão vir a contar com a ajuda de dissidentes armados sírios. Se isso, de fato, ocorrer, Israel poderá sofrer maiores baixas nessa luta de guerrilha, aumentando a instabilidade na região e perdas de muitos soldados, aumentando a já grande impopularidade do governo Netanyahu.
Os Estados Unidos agiram da forma que sempre fazem, com violência, mas a resposta do Irã pode dar um xeque-mate em Trump e em Netanyahu.
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