Estamos no meio do complexo jogo de xadrez de Brasil de Luiz Inácio Lula da Silva e os Estados Unidos agressivos e desleais de Donald Trump.
Donald Trump já declarou o seu interesse nas riquezas minerais e no mercado consumidor da América Latina. Enfatizou que a doutrina "Monroe" (A América para os americanos) estava novamente em vigor, agora batizada de "Donroe" e disse querer explorar as terras raras brasileiras, o lítio do Chile, da Argentina e da Bolívia, bem como o petróleo da Venezuela.
Quase ao mesmo tempo, Trump bombardeou barcos no Caribe colombiano e venezuelano, sequestrou Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, ameaçou Cuba de invasão e aplicou as tarifas mais altas para os produtos brasileiros, depois dos chineses. Além disso, há um ano, aplicou sanções a autoridades brasileiras, do Executivo e do Judiciário, e agora declarou que as organizações criminosas brasileiras PCC e CV são terroristas, o que permitiria, segundo as leis estadunidenses, ações da CIA, do Departamento anti-narcóticos (DEA) e até militares no Brasil, o que é interpretado por analistas militares e de geopolítica, além do próprio governo brasileiro, como uma séria ameaça de invasão ao território e à soberania brasileira.
Tudo isso em pleno ano eleitoral, onde Marco Rúbio e Trump já demonstraram apoiar Flávio Bolsonaro.
Os Estados Unidos apoiarão Bolsonaro Júnior, como Trump denomina Bolsonaro Filho (o Flávio B.) e utilizará seus serviços de inteligência e principalmente os serviços das Big Techs e redes sociais com seus algoritmos tendenciosos para aumentar a popularidade do extremista, ao mesmo tempo em que tentará dinamitar a campanha daquele que representa o nacionalismo brasileiro, Lula da Silva.
Eduardo Bolsonaro não está nos Estados Unidos apenas para ficar próximo de Marco Rubio e do foragido Figueiredo Neto. Ele está em um país central na articulação da extrema direita e também - ao que parece - para promover seu irmão perante outros países ligados à extrema direita mundial e tentar obter favores (lícitos e possivelmente ilícitos) de governos e empresasque favoreçam Bolsonaro Filho (Flávio). Ele parece ser o articulador da campanha com métodos duvidosos. Não foi a toa que Daniel Vorcaro enviou o dinheiro não para Flávio, mas para uma conta de uma empresa nos Estados Unidos. Há possibilidade desses recursos serem financiamento de campanha.
Por outro lado, a extrema direita está dominando a América do Sul, o que representa um sério risco à democracia brasileira.
Diante dessa realidade, como o Brasil pode se defender de Donald Trump?
O Brasil tem que torcer que a guerra do Irã perdure ao menos até o começo de janeiro de 2027, mês da posse do novo presidente da República do Brasil, assim terá tempo de realizar eleições sem uma interferência tão massiva dos Estados Unidos, mas certamente com ações da CIA e dos algoritmos das Big Techs em favor de Bolsonaro Filho (Flávio).
Diante do extremismo de direita que dominou os países da América do Sul, fica impossível à potência hegemônica da região (Brasil) articular um movimento de defesa contra as ações dos Estados Unidos. O Brasil está sozinho, ou quase, restando mais ao norte, México, além dos nossos vizinhos Uruguai, Guiana e Suriname, sendo que a Guiana está muito próxima do governo dos Estados Unidos por conta da exploração de petróleo por empresas estadunidenses.
As nossas Forças Armadas não estão preparadas para conter uma invasão de uma potência, pouco menos da maior potência militar do globo, os Estados Unidos. Além disso, a elite dos nossos militares foi formada na Escola das Américas, e os militares em geral, assim como os civis, estiveram expostos por muito tempo ao poderoso e eficiente "soft power" da cultura do cinema, da música, dos enlatados televisivos e dos shows dos estadunidenses, ao mesmo tempo em que estivemos afastados dos nossos irmãos latino-americanos e do restante do globo.
Mesmo com todos os excessos dos Estados Unidos, os massacres, as intervenções e as guerras, além da pedofilia de muitos homens públicos estadunidenses, a paixão pelos Estados Unidos ainda cega grande parte dos brasileiros. Pior, eles não percebem que o maior perigo ao Brasil não é Cuba, Coreia do Norte, China, Rússia ou Irã, mas sim o vizinho do norte, os Estados Unidos, que sempre cobiçou nossa posição estratégica no Atlântico Sul, nossas riquezas minerais e nosso mercado consumidor.
Lula terá que ser muito habilidoso para conseguir efetivar meios de proteção à integridade territorial do Brasil e, ao mesmo tempo, garantir o fluxo de exportação de produtos brasileiros e de importação pelo Atlântico Sul, evitando um bloqueio marítimo por parte dos Estados Unidos, mesmo considerando a fragilidade de nossa importante Marinha brasileira.
Assim, renovo a pergunta, o que pode fazer o Brasil? Investir em tecnologia e em indústria bélica nacional? Sim, mas isso por si só não é suficiente para garantir nossa segurança imediata. Comprar armamentos dos países membros da OTAN? Obviamente não, pois se os Estados Unidos nos sancionarem ou iniciarem um bombardeio, todos os nossos esquipamentos sofrerão com a falta de fornecimento de itens de reposição. Investir em satélites? Sim, evidentemente, mas isso não é uma solução rápida para o problema que se avizinha. Investir em comunicação nacional? Sim, para evitar ruptura ou decodificações pelos Estados Unidos. Investir em um programa nacional de geolocalização? Sim, para evitar que os Estados Unidos nos monitorem pelo sistema estadunidense de GPS, ainda usado pelas nossas Forças Armadas. Investir em guerra cibernética? Sim, avançando o que já existe nas três forças. Investir em Inteligência Artificial? Sim, mas essa tecnologia, obviamente tem que ser brasileira ou, ao menos, não ser de países membros da OTAN (o que inclui os Estados Unidos). Desenvolver sistemas de radiofrequência para desviar drones? Sim, é importante. Mas temos que desenvolver com urgência mísseis de curto, médio e longo alcance, inclusive intercontinental, além de drones altamente tecnológicos, todos eles (mísseis e drones) com inteligência artificial autônoma, podendo redefinir alvos e trajetos. Enquanto estivermos desenvolvendo e produzindo (o que leva anos), devemos comprar de países aliados e que não representam um risco imediato ao Brasil, como Rússia, China, Índia, Irã, todos eles nossos parceiros dos BRICSs, de preferência com transferência de tecnologia.
Mas só isso não é suficiente para inibir que os Estados Unidos impeçam que possamos transitar com nossos produtos pelo Atlântico Sul. Temos que ter, pelos menos uma boa e bem armada base aeronaval, sendo que o ideal seria pelo menos três, bem distribuídas ao longo de nosso extenso limite marítimo.
Como não temos equipamentos suficientes, precisariamos articular com países parceiros militarmente fortes e quje tenham interesse em garantir o livre fluxo no Atlântico Sul. A África do Sul seria uma importante parceira estratégica, mas suas forças armadas também não são mais poderosas do que as nossas. Resta ao Brasil se socorrer da China, interessada em nossos produtos e no livre fluxo para que eles cheguem até a Ásia, e a Rússia, interessada em exportar diesel, gasolina refinada e fertilizantes para o Brasil, passando pelo Atlântico Sul.
Fernando de Noronha seria uma base importantíssima e estrategicamente bem localizada. E não sou apenas eu que já disse isso e repito aqui. Recentemente, o site Plano Brazil (planobrazil.com) publicou uma matéria (clique aqui para ler) sobre a importância de se montar uma base aeronaval naquela ilha, sem mencionar parcerias, que eu particularmente penso serem essenciais para conterem os poderosos navios de guerra dos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo temos que nos articular nos foros competentes, seja na ONU, nos BRICS ou através de nossa poderosa e competente diplomacia profissional.
O Brasil também tem "soft power" poderoso, como podemos observar quando viajamos e nas copas mundiais, e precisa tirar proveito disso nesse momento tão importante. Os brasileiros, através das mídias sociais também poderão fazer um bom trabalho em prol da defesa do nosso país. Além disso, temos dois parceiros dos BRICS que estão em guerra com os Estados Unidos, um diretamente (Irã) e outro indiretamente (Rússia), e temos que obter informações estratégicas e parcerias para uso de tecnologia e de equipamentos os mais variados. Temos muito a dar em troca e que pode servir como "escambo" para a nossa proteção.
A defesa será difícil, mas possível. Temos que agir com calma e tentar adiar qualquer ação mais belicosa dos Estados Unidos. Nesses momentos saberemos quem são os verdadeiros brasileiros que respeitam e efetivamente amam esse país.
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