A GUERRA AO IRÃ PARECE NÃO TER FIM, ASSIM COMO UMA GUERRA REGIONAL OU MUNDIAL PARECE ESTAR CADA VEZ MAIS PRÓXIMA

A estratégia estadunidense contra o Irã falhou e parece continuar a falhar.

Assassinaram o líder religioso iraniano, Ali Khamenei, o que não serviu para desestabilizar o regime, mas sim para radicalizar as forças armadas e unir o povo iraniano em defesa do seu país.

O ataque de ontem contra o Irã, durante o funeral de Khamenei, não apenas simboliza desrespeito, mas traição, considerando o acordo de paz existente. A tendência é a Guarda Revolucionária radicalizar-se ainda mais em ataques incessantes contra alvos de interesse dos Estados Unidos.

Porém, o erro dos estadunidenses pode ter sido ainda mais grave e não provocar apenas uma mera reação bélica.

Khamenei sempre foi contrário ao desenvolvimento de armas nucleares, mas agora, com os Estados Unidos e Israel atacando insistentemente aliados e o próprio Irã, este resistirá ao poder defensivo das controversas armas nucleares?

As armas nucleares são conhecidas pelo seu alto poder dissuasório e também destrutivo. Embora Estados Unidos e Israel tenham milhares e uma centena de armas nucleares, respectivamente, dez ogivas nucleares pelo Irã poderiam praticamente destruir Israel. Além do mais, ninguém sabe ao certo o alcance dos mísseis iranianos mais recentes. Muitos dos atuais mísseis podem facilmente ultrapassar os 4 mil quilômetros de distância e atingir alvos na Europa. A dúvida é se os mais modernos mísseis do país persa podem alcançar os Estados Unidos continental. Parece difícil que consigam, mas diante do conhecimento tecnológico do país, mesmo diante das enormes sanções, não é impossível.

Tudo o que Netanyahu dizia não querer e que Trump dizia impedir, parece estar mais próximo do que nunca! A estratégia iraniana nunca pensou em armas nucleares, e a prova viva disso é a missilística extremamente avançada e uma das mais modernas do mundo. Porém, agora, com risco existencial, o Irã pode mudar o rumo da história e desenvolver em poucos dias algumas unidades de armas nuclares, se é que já não desenvolveu nas últimas horas, como meio de dar um basta aos constantes ataques dos estadunidenses e israelenses.

Se o Irã assim fizer, a geopolítica regional estará alterada e haverá uma corrida atrás de armas nucleares, principalmente por parte da Arábia Saudita, Turquia, Emirados Árabes Unidos e talvez do próprio Egito.

Os Estados Unidos têm a incrível capacidade de desestabilizar regiões e o próprio mundo. Fizeram assim no Iraque e na Líbia, sagraram-se perdedores nas guerras do Vietnã e da Coreia e, agora, utilizando todos os seus esforços militares, demonstram-se inábeis, para não dizer incompetentes, para retrair o não tão poderoso Irã

Paralelamente, os países europeus da OTAN dizem ver a China como inimiga e pretendem armar-se ainda mais e desenvolver suas já poderosas indústrias bélicas.

A corrida armamentista já começou. Teve início com a guerra da Ucrânia e parece não querer finalizar em breve, tudo a depender do posicionamento do futuro presidente dos Estados Unidos e da sua capacidade de dialogar com a Europa, o Irã, a Rússia e a China.

É sabido que países poderosos, mas em crise econômica, voltam-se às guerras. A busca desesperada por minérios, petróleo e terras raras parecem evidenciar que os Estados Unidos se preparam para guerras a curto ou médio prazo, como o fizeram previamente à segunda guerra mundial, onde buscaram borracha e minérios no Brasil.

O Brasil precisa saber se posicionar e tirar proveito disso, como fez Getúlio Vargas  com sua habilidade de estadista durante a Segunda Guerra Mundial. 

Os Estados Unidos sabiam quem era o nacionalista Vargas e agiram contra ele no pós Segunda Guerra, culminando com o seu suicídio em 1954 para evitar um golpe de Estado. Mas saberão agora que necessitarão de parceiros e aliados, como habilmente fez Roosevelt, e não de inimigos como procria sem parar Donald Trump?

Comentários